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Cuiabano no apagar das luzes: Botafogo vence o Sport e entra na briga pelo G4

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Em uma partida de poucos lances de brilho e muitos sustos, o Botafogo mostrou resiliência e conquistou uma vitória dramática sobre o lanterna Sport por 1 a 0, neste domingo, na Ilha do Retiro. Um gol salvador de Cuiabano nos acréscimos do segundo tempo garantiu os três pontos, marcando a primeira vitória do técnico Davide Ancelotti no comando do Glorioso e recolocando a equipe na briga pelas primeiras posições do Campeonato Brasileiro.

Apesar de uma atuação abaixo do esperado, com pouca inspiração ofensiva e sofrendo com as investidas do adversário, o Alvinegro soube ser letal no momento decisivo. A vitória, embora sofrida, é fundamental para o Botafogo, que agora soma 25 pontos e salta para a quinta posição na tabela, de olho no G4. Para o Sport, o cenário é cada vez mais crítico: o time permanece na lanterna, com apenas três pontos, e é o único da competição que ainda não venceu.

O Jogo: Sustos, Goleiros Inspirados e o Heroísmo de Última Hora

O Botafogo entrou em campo com desfalques importantes, como Allan e Savarino, ambos vetados por dores musculares, o que levou Ancelotti a escalar Newton e Joaquín Correa. O início da partida até deu a impressão de que o Botafogo ditaria o ritmo, com Arthur Cabral exigindo uma boa defesa do goleiro Gabriel antes do primeiro minuto. Contudo, essa foi uma das poucas chances claras do Alvinegro na primeira etapa.

O primeiro tempo se desenrolou de forma perigosa para o Botafogo. O Sport, apesar da péssima campanha, mostrou-se ousado e criou chances, principalmente em jogadas de bola parada. Ramon Menezes, em duas oportunidades, subiu mais alto que a zaga e cabeceou com perigo, testando o goleiro John. A melhor oportunidade do Leão veio em um voleio de Rafael Thyere que tirou tinta da trave.

O Botafogo também teve suas chances de abrir o placar, mas esbarrou na atuação inspirada de Gabriel, goleiro do Sport. Joaquín Correa viu sua finalização parar nas mãos do arqueiro, Arthur Cabral teve um gol bem anulado por impedimento, e Álvaro Montoro, em um toque sutil, também parou no goleiro adversário. O intervalo chegou com a sensação de que o placar poderia ter sido aberto por qualquer uma das equipes.

Na segunda etapa, o cenário de ineficácia persistiu, e a impaciência começou a tomar conta. Logo aos 3 minutos, Vitinho desperdiçou uma chance inacreditável, isolando a bola dentro da área. Newton arriscou de fora e quase acertou a trave, enquanto Alex Telles, de cabeça, também tirou suspiros da torcida. A pressão botafoguense aumentava, mas o gol não saía, e Gabriel, o goleiro do Sport, se agigantava como o grande nome da partida, fazendo defesas importantes, como na finalização de Santi Rodríguez na reta final.

Quando o empate sem gols parecia inevitável, um herói improvável surgiu do banco de reservas. Aos 46 minutos do segundo tempo, Cuiabano recebeu a bola na entrada da área. Cercado por dois marcadores, o lateral-esquerdo demonstrou frieza e habilidade, fez um giro rápido e bateu cruzado, no cantinho, sem chances para o goleiro Gabriel. Um gol de puro alívio que fez o banco de reservas alvinegro explodir em comemoração e silenciou a Ilha do Retiro, garantindo uma vitória de ouro para o Botafogo.

Próximos Compromissos

Com o jogo da 15ª rodada contra o Grêmio adiado, o Botafogo agora terá uma semana livre para trabalhar e só retorna a campo no próximo sábado, dia 27, quando enfrenta o Corinthians no Estádio Nilton Santos, pela 16ª rodada do Brasileirão.

FICHA TÉCNICA
SPORT 0 x 1 BOTAFOGO

Local: Ilha do Retiro, em Pernambuco
Data: 20/07/2025
Hora: 17h30 (de Brasília)
Competição: 15ª rodada do Campeonato Brasileiro 2025
Árbitro: Flávio Rodrigues de Souza
Assistentes: Alex Ang Ribeiro e Daniel Luís Marques
Quarto árbitro: Thaillan Azevedo Gomes
Cartões Amarelos: Marlon Freitas, Montoro e Matheus Alexandre (BOT)
Gol: Cuiabano (BOT), aos 46′ do 2° tempo
Público total: 11.609
Renda: R$ 408.735,00

SPORT: Gabriel Vasconcelos; Matheus Alexandre, Rafael Thyere, Ramon Menezes (Chico) e Igor Cariús (Kevyson); Rivera, Zé Lucas e Lucas Lima (Atencio); Chrystian Barletta (Matheusinho), Ignacio Ramírez e Derik Lacerda (Romarinho). Técnico: Daniel Paulista

BOTAFOGO: John; Vitinho (Mateo Ponte), Kaio Pantaleão, Alexander Barboza e Alex Telles (Cuiabano); Newton e Marlon Freitas; Artur (Santiago Rodríguez), Joaquín Correa (Nathan Fernandes), Arthur Cabral e Álvaro Montoro (Rwan Cruz). Técnico: Davide Ancelotti

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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