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Corinthians perde para o Bragantino em casa pelo Brasileiro
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Em seu retorno aos gramados após aproximadamente um mês de inatividade, o Corinthians não conseguiu um resultado positivo e foi derrotado pelo Red Bull Bragantino por 2 a 1, na noite deste domingo, na Neo Química Arena. A partida, válida pelo Campeonato Brasileiro, viu o time da casa sair em desvantagem, reagir para empatar, mas sofrer o gol da derrota nos instantes finais do confronto.
Com o revés, a equipe alvinegra caiu para a 11ª posição na tabela de classificação, estacionando nos 16 pontos. Já o Bragantino, com a vitória, ascende para a terceira colocação, também com 16 pontos, mas com melhor saldo de gols.
O Corinthians terá pouco tempo para lamentar, pois já tem um novo compromisso marcado para esta quarta-feira. A equipe viaja até o Ceará para enfrentar o time local na Arena Castelão, às 19h30 (horário de Brasília), em partida válida pela 14ª rodada do Brasileirão. O Massa Bruta, por sua vez, também entra em campo na quarta-feira, recebendo o São Paulo às 21h30.
Primeiro tempo
O início do jogo foi marcado pela ofensividade do Bragantino. Aos sete minutos, Pitta roubou a bola de Raniele e tabelou com Sasha, mas sua finalização não levou perigo ao gol de Hugo Souza. A resposta corintiana veio aos nove, com uma jogada de Matheuzinho pela direita que culminou em um chute de Garro, defendido sem grandes dificuldades por Lucão.
O Timão voltou a ameaçar aos 22 minutos, com Matheus Bidu, que avançou pelo meio e soltou um forte chute de fora da área, obrigando Lucão a fazer uma boa defesa.
Aos 26, o lance que mudaria o placar. Vinicinho invadiu a área após passe de Jhon Jhon e, ao ser tocado por Cacá, caiu. Após uma longa revisão do VAR, o árbitro Bruno Arleu de Araújo confirmou o pênalti. Sasha cobrou com precisão e abriu o placar para os visitantes.
Antes do intervalo, o Corinthians buscou o empate. Aos 45, José Martínez cruzou para Cacá, que cabeceou com força, mas Lucão espalmou. Aos 48, Martínez teve outra chance clara após roubada de bola de Memphis, mas chutou em cima do goleiro do Bragantino.
Segundo tempo e gol no fim
O técnico Dorival Júnior fez alterações no Corinthians para a segunda etapa, que começou eletrizante. Logo aos quatro minutos, Matheuzinho cruzou rasteiro para Romero, que, sozinho na pequena área, chutou para fora, desperdiçando grande oportunidade.
O gol de empate do Corinthians não demorou a sair. Aos cinco minutos, em uma jogada de bola parada, Memphis cobrou escanteio na cabeça de Gustavo Henrique. O zagueiro cabeceou para o chão, a bola foi tirada em cima da linha pelo defensor do Bragantino, mas Cacá estava atento para completar para o fundo das redes.
A virada quase veio aos 27 minutos, quando Garro roubou a bola no campo de ataque e, com espaço, desferiu um potente chute de fora da área que explodiu no travessão. Mais uma chance perdida pelo Corinthians aos 31, com Romero, que recebeu um belo lançamento de Garro, driblou o marcador, mas finalizou novamente em cima de Lucão.
Para a infelicidade dos corintianos, o gol da derrota veio de forma dramática, praticamente no último lance da partida. Após um bate e rebate na área, Thiago Borbas aproveitou e estufou as redes, decretando o revés do Corinthians em casa.
FICHA TÉCNICA
CORINTHIANS 1 X 2 BRAGANTINO
Local: Neo Química Arena, em São Paulo (SP)
Data: 13/07/2025
Horário: às 19h (de Brasília)
Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ)
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Correa (RJ) e Thiago Henrique Neto Correa Farinha (RJ)
VAR: Rafael Traci (SC)
Cartões amarelos: Vinicinho, Pitta, Sant’Anna, Gabriel e Thiago Borbas (Bragantino); Matheuzinho, Romero, Matheus Bidu, José Martínez, Memphis Depay e Gui Negão (Corinthians)
Público: 33.847 torcedores
Renda: R$ 2.396.795,30
GOLS: Eduardo Sasha, aos 30′ do 1ºT (Bragantino); Cacá, aos 7′ do 2ºT (Corinthians); Thiago Borbas, aos 52′ do 2ºT (Bragantino)
CORINTHIANS: Hugo Souza; Matheuzinho, Gustavo Henrique, Cacá e Matheus Bidu (Angileri); Raniele (Ryan), José Martínez, André Carrillo (Talles Magno) e Rodrigo Garro; Memphis Depay e Romero (Gui Negão). Técnico: Dorival Júnior
BRAGANTINO: Lucão; Agustin Sant’Anna (Nathan Mendes), Pedro Henrique, Guzmán Rodríguez e Juninho Capixaba; Gabriel (Fabinho), Eric Ramires, Jhon Jhon e Vinicinho (Henry Mosquera); Isidro Pitta (Thiago Borbas) e Eduardo Sasha (Lucas Barbosa). Técnico: Fernando Seabra
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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