Cultura

Salvador recebe Rota Gastronômica Sabores do Interior durante São João

Publicado em

Cultura

No período junino, o Centro Histórico de Salvador recebe um evento que une tradição e sabor: é a Rota Gastronômica Sabores do Interior. Segundo a diretora de produção, Simone Carreira, o público é convidado a realizar uma viagem por memórias, sabores e afeto:

“A ideia de criar essa rota justamente no São João é pra provocar, no nosso público aqui da cidade, aquele gostinho daquelas comidinhas do interior. Que traz aquela memória afetiva. Que a gente, muitas vezes, viaja pra casa da avó, da tia, que mora no interior, pra comer aquela comidinha bem regional. Então, nós pensamos em trazer isso pro São João do Centro Histórico. Unindo restaurantes de vários territórios, provocamos esses restaurantes pra que criassem, assim… oferecessem pratos que dialogassem com essa nossa culinária regional. Dentro desse universo, você traz o quê? O sarapatel, o meninico de carneiro, a rabada, o mocotó, a feijoada… Enfim, toda essa maniçoba, essas delícias que, muitas vezes, a gente deixa pra provar no São João”.

Nesta quarta edição, a Rota Sabores do Interior está dividida em duas categorias: a primeira, restaurantes e bares; e a outra, drinks, sobremesas e lanches.

“Quando a gente começou, nós estávamos restritos apenas a restaurantes. Só que começamos a ter uma demanda muito grande das lanchonetes, dos cafés, dos bares que queriam também participar. Então, a gente criou a categoria, que funciona com bares e restaurantes. E tem as lanchonetes e drinks. Nós temos, inclusive, algumas casas que, em vez de fazer um prato, ofereceram sanduíches — no caso das lanchonetes — e outros bares que entraram apenas com um drink bem regional, também utilizando aí frutas da estação… Enfim, sabores da estação. Com isso, a gente torna a rota mais democrática, contempla o máximo de empreendedores da área gastronômica do nosso Centro Histórico. E eu acho que o público só ganha, porque tem opções sensacionais”.

Simone Carreira informa que os 34 bares, restaurantes, lanchonetes e cafeterias participantes se estendem por boa parte do Centro Histórico de Salvador:

“No começo do mercado de São Miguel, entramos pelo Pelourinho, onde nós temos, desde o Largo do Pelourinho até a Praça da Sé, restaurantes participando — ótimos restaurantes, por sinal. Seguindo adiante, englobamos também o Carmo, o Santo Antônio Além do Carmo e o bairro da Saúde, que vem despontando aí como um grande celeiro gastronômico,. Um bairro que tem revelado grandes restaurantes, chefs, inclusive, na nossa cidade. E tudo aqui no centro. Tudo englobando o nosso Centro Histórico, que, além de receber os visitantes que estão chegando pra conhecer a cidade, conta também com o morador de Salvador, que vem, aproveita, dança um forrozinho, come uma comida gostosa, com preços super acessíveis”.

Baianos e turistas podem apreciar as iguarias que marcam o São João na Rota Gastronômica Sabores do Interior, no Centro Histórico de Salvador, até quarta-feira, 25 de junho.


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Cultura

Viva Maria homenageia cantoras do rádio no Dia Mundial da Voz

Publicados

em

Dedicamos esta edição de hoje às cantoras do rádio que desde sempre emprestaram a potência de suas vozes às mais lindas canções da nossa MPB. E coube a amiga poeta Galvanda Galvão, da Rádio Estamira, em Belém do Pará, prestar homenagem a uma dessas cantoras que é referência na história do rádio no Brasil.

“A voz, a história, a luz de uma estrela. Dalva de Oliveira. O maestro Heitor Villa-Lobos utilizava em suas aulas no Conservatório de Música, discos da cantora popular Dalva de Oliveira, como exemplo de agudos perfeitos. Vicentina de Paulo Oliveira nasceu na cidade paulista de Rio Claro em 5 de maio de 1917. Com 11 anos, para ajudar a mãe viúva, trabalhava em São Paulo como babá, arrumadeira, ajudante de cozinha e mais tarde cozinheira de hotel. Logo chegou ao rádio, numa travessia pelo teatro, pelo Brasil. Alternando rádio com espetáculos teatrais, conhece Elivelto Martins e se apresenta com ele e Nilo Chagas, a dupla Preto e Branco. O locutor César Ladeira os batiza de Trio de Ouro, contratado pela Rádio Mayrink Veiga e mais tarde pela Clube. O trio acumula sucessos Praça Onze, Ave Maria e Segredo.”

O rádio é esse espaço mágico, onde você imagina os corpos a partir das vozes, das entonações, dos vários sons, abertos para a imaginação. Então Dalva nunca estava sozinha, com Carmen Miranda, Marília Batista, Linda Batista, Hebe Camargo, Elisete Cardoso e Zimbo Trio, Dircinha Batista, todo o imaginário de vozes que nos atravessam até agora.
A história do rádio é esta grande invenção. Nós da Rádio Estamira para o programa Viva Maria, com a nossa queridíssima Mara Regia, aqui de Belém, do setor da Amazônia.

O nosso amigo rádio apaixonado do Tocantins, que na trilha do rádio tem um acervo precioso sobre a memória do Viva Maria, chega agora com uma homenagem mais do que especial. 

Sou Cláudio Paixão, jornalista, e desde a minha infância acompanho a programação da Rádio Nacional da Amazônia. E no Dia Mundial da Voz é importante pararmos para ouvir o canto das Supermarias, que são a força e a expressão do programa Viva Maria, a caminho de seus 45 anos.

Engrossando o coro, em memória, o canto da feminista do sertão, dona Raimunda dos Cocos. “Essa luta não é fácil, mas vai ter que acontecer. As mulheres organizadas têm que chegar ao poder.” Felizmente, algumas dessas Supermarias conseguiram chegar ao poder. É o caso da ex-vereadora Cristina Lopes Afonso. 

O programa Viva Maria está na minha vida desde 1986. Desde então, a gente segue com esse relacionamento. Mara Regia é uma mulher surpreendente, uma mulher que decidiu que as ondas do rádio iam, de fato, criar essa rede de proteção, essa rede de comunicação e essa rede de empatia, essa rede de alerta entre as pessoas, especialmente entre as mulheres.

De A a Z, impossível esquecer da parteira Maria Zenaide de Sousa. A mulher que nasceu aos 10 anos, porque parteira só nasce depois do primeiro parto. “Vamos dar valor a essas parteiras, vamos, vamos, vamos pessoal, pois são a pobreza dessas parteiras que desenvolve um trabalho tão legal.” Desde 1981, o Viva Maria viu nascer dezenas de lideranças e até hoje acompanha de perto o protagonismo delas. Algumas, como Kenya Silva, se redescobriram a partir da poesia. 

De repente, eu crio coragem e envio essa poesia para Mara, contando toda essa trajetória. Mara Regia coloca a poesia no ar.

“Eu sou uma Maria qualquer, uma dessas mulher que vive na roça, que viaja de carroça, de cavalo ou a pé. Eu sou uma Maria qualquer, dessas que acorda cedinho, faz o bolo e o café, cuida da casa e do quintal, dos bichinhos, dos animais, que sustenta o Brasil de pé.”

E uma semana depois, a rádio tinha recebido uma enxurrada de cartas, as pessoas pedindo, as nossas Marias pedindo para ouvir novamente o poema, porque se diziam inspiradas, representadas.

Outras, como a trabalhadora doméstica Lucimar Ferreira da Silva, conquistaram seu lugar de fala, pela insistência em ouvir o Viva Maria, mesmo a contragosto de sua patroa, que não queria que essa Maria se transformasse numa militante por seus direitos.

“Minha patroa não gostava, porque disse que eu estava virando militante, que aquele programa estava fazendo muito minha cabeça, e mesmo assim eu ouvi.Foi muito importante, aprendi muita coisa com o Viva Maria, abriu a mente.”

Unidas para além da voz, da poesia, do choro e até pela indignação e protesto, as Supermarias querem ganhar a merecida visibilidade. E para isso, em nome da autoestima conquistada, querem que seus rostos, marcados por tantas lutas, se façam presentes neste ano que irá marcar a entrada do Viva Maria no novo ciclo de vida pelas ondas da internet.


Fonte: EBC Cultura

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA