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Júlio Campos atribui derrota a racha no União e falta de estrutura

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A derrota de Júlio Campos (União) nas eleições de 2026 encerrou uma sequência de décadas de presença da família Campos na política de Mato Grosso e expôs divergências que marcaram a campanha. Aos 79 anos, o deputado estadual não conseguiu renovar o mandato na Assembleia Legislativa e terminou a disputa com 18.517 votos.

O resultado ocorreu depois de um período de forte divisão dentro do União Brasil. Júlio e o irmão, o senador Jayme Campos, defenderam que o partido tivesse candidatura própria ao Governo de Mato Grosso. A proposta, porém, foi derrotada na convenção estadual, por 30 votos a 19, e a legenda decidiu apoiar a candidatura à reeleição de Otaviano Pivetta (Republicanos).

A divergência também repercutiu na eleição. Júlio decidiu não acompanhar a candidatura de Pivetta e declarou apoio a Wellington Fagundes (PL) na disputa pelo Governo. Durante a campanha, o deputado chegou a afirmar que estava em campo político oposto ao governador em razão dos conflitos com o grupo liderado pelo ex-governador Mauro Mendes.

Outro fator apontado no período eleitoral foi a falta de recursos. Dados de prestação de contas mostravam que Júlio não havia recebido repasses do União até o levantamento divulgado antes da eleição. Na ocasião, ele havia declarado R$ 180 mil em receitas, sendo R$ 100 mil provenientes de recursos próprios. Em 2022, sua arrecadação havia ultrapassado R$ 1 milhão.

O deputado também chamou atenção para a força do bolsonarismo no Estado. Antes da votação, Júlio já havia avaliado que Wellington Fagundes seria beneficiado pela força eleitoral do PL e do bolsonarismo em Mato Grosso. Durante a campanha, também criticou a perda de apoio de prefeitos do partido para Pivetta e apontou uma diferença de estrutura entre as duas candidaturas.

A derrota de Júlio ocorre no mesmo momento em que Jayme Campos também ficou sem mandato para o próximo período. O senador havia sido retirado da disputa pelo Governo de Mato Grosso após a decisão do União de apoiar Pivetta. Com os dois irmãos fora das urnas vitoriosas, a família Campos deixa de ter representante eleito para o próximo ciclo político estadual.

A saída dos Campos do cenário eleitoral marca uma mudança em uma trajetória política que atravessa décadas. Júlio iniciou sua carreira nos anos 1970 e ocupou cargos como prefeito de Várzea Grande, governador, senador, deputado federal e deputado estadual.

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Após veto da ALMT, novo presidente do TJ promete retomar reajuste de servidores

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O desembargador José Luiz Leite Lindote, eleito para presidir o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) no biênio 2027-2028, pretende reabrir a discussão sobre o reajuste salarial de 6,8% dos servidores do Judiciário. A proposta foi barrada após a Assembleia Legislativa manter o veto do Executivo, mas o futuro presidente da Corte afirma que buscará uma nova negociação com os deputados estaduais e o governo.

Na avaliação de Lindote, o resultado da votação foi influenciado pela falta de entendimento entre as instituições durante a tramitação do projeto. Ele defendeu uma aproximação maior com o Legislativo e o Executivo para construir uma alternativa que permita conceder o aumento à categoria.

“Eu acredito que faltou um melhor diálogo, um melhor consenso em conversas com a Assembleia e com o governador de Estado”, afirmou o desembargador ao comentar o impasse.

Lindote garantiu que pretende reapresentar a proposta e demonstrou confiança na possibilidade de chegar a um acordo. Segundo ele, a nova tentativa deverá ser conduzida por meio de conversas com os parlamentares, com o objetivo de demonstrar a necessidade da recomposição salarial.

O magistrado também argumentou que os vencimentos dos servidores estão defasados e defendeu que a autonomia entre os Poderes seja respeitada na discussão. Para ele, a possibilidade de outros setores do funcionalismo reivindicarem reajustes semelhantes não deve impedir que o Judiciário busque corrigir a remuneração de seus próprios servidores.

A declaração ocorre após a Assembleia Legislativa manter, na quarta-feira (7), o veto integral ao Projeto de Lei nº 1.398/2025, que previa o aumento de 6,8% para os servidores efetivos do Tribunal de Justiça. A votação terminou com 12 votos favoráveis à manutenção do veto e seis contrários, enquanto outros seis deputados estavam ausentes.

O veto havia sido apresentado pelo então governador Mauro Mendes (União Brasil), sob o argumento de que a proposta não apresentava estudos atualizados suficientes sobre o impacto financeiro nem indicava uma fonte permanente de recursos para custear a despesa. O governo também apontou possíveis reflexos sobre as contas públicas e o risco de reivindicações semelhantes em outras carreiras.

Com a decisão dos deputados, o reajuste não poderá ser aplicado nos moldes do projeto barrado. Uma nova tentativa dependerá da construção de outra proposta e da articulação necessária para superar os questionamentos que levaram ao veto.

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