Opinião
Selic a 15% e instabilidade. Investir ou não?
Opinião
Por Júnior Macagnam*
Você já pensou em abrir um negócio, mas sentiu medo diante do cenário atual? Esse é o dilema de milhões de brasileiros. Segundo pesquisa de 2024 do Núcleo de Inteligência de Mercado da CDL Cuiabá, 48 milhões de pessoas sonham em empreender. Mas a realidade exige preparo, resiliência e, acima de tudo, estratégia.
Vivemos um momento econômico complexo: a Selic foi mantida em 15% ao ano, uma das taxas reais de juros mais altas do mundo, colocando o Brasil em 2º lugar nesse ranking. Instabilidade política e incertezas globais agravam esse cenário: crédito caro, consumo reduzido e descrédito do consumidor. Negócios bem estruturados e gestão profissional são os que têm chance de prosperar.
A pandemia mostrou os riscos do empreendedorismo por necessidade — em 2020, quase metade dos novos negócios nasceram assim. Agora, com juros altos e volatilidade política, os obstáculos cresceram: crédito caro e escasso, dificuldade de contratar mão de obra, custos operacionais em alta e consumidores mais cautelosos. A informalidade, que parecia saída rápida, hoje é uma armadilha: limita acesso a financiamentos, parceiros e clientes que valorizam a formalidade.
Outro desafio é o peso da mídia, que muitas vezes amplia os fracassos e minimiza as histórias de sucesso. Mas a verdade é que, mesmo em tempos difíceis, empresas com gestão estratégica não só sobrevivem, como encontram oportunidades. A chave está na preparação: conhecer o mercado, dominar os números, buscar capacitação e, principalmente, criar redes de apoio.
É aqui que a CDL Cuiabá se torna um porto seguro. Oferecemos cursos, mentorias e, sobretudo, um espaço de troca entre empreendedores. Essa rede fortalece a resiliência e gera soluções práticas. Em tempos de juros altos, por exemplo, a recomendação é reduzir desperdícios e manter um controle rigoroso de custos, além de buscar linhas de crédito específicas para pequenos negócios, como as disponibilizadas pela DesenvolveMT. Também é essencial aumentar a eficiência operacional e, diante da instabilidade política, diversificar fornecedores, acompanhar de perto as mudanças regulatórias e adotar um planejamento flexível.
O empreendedorismo nunca foi fácil. Mas hoje, mais do que nunca, exige que o negócio nasça de oportunidades bem avaliadas, não apenas da falta de alternativas. Planejamento financeiro sólido e capacidade de adaptação são indispensáveis.
Aos sonhadores que desejam empreender, afirmo: o momento é desafiador, mas não impossível. Com preparação, apoio e gestão profissional, dificuldades podem se transformar em degraus para o crescimento. A CDL Cuiabá está de portas abertas para recebê-lo, ouvi-lo e caminhar junto, construindo um futuro mais próspero para o seu negócio e para nossa cidade.
*Júnior Macagnam é empresário da moda há mais de 20 anos e atualmente preside a Câmara de Dirigentes Lojistas de Cuiabá (CDL Cuiabá).
Opinião
Comissão aprova inclusão de guardas municipais na Força Nacional de Segurança Pública
A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 5877/25, que permite a participação de integrantes das guardas municipais na Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).
Atualmente, a tropa é composta principalmente por policiais civis, militares e bombeiros dos estados.
A proposta autoriza a União a firmar convênios diretamente com os municípios para que os guardas municipais atuem na Força Nacional.
O texto também permite a convocação de guardas municipais aposentados há menos de cinco anos para reforçar o efetivo em operações especiais.
Os guardas municipais que atuarem na Força Nacional terão os mesmos direitos dos demais integrantes da corporação, incluindo o recebimento de diárias e indenização em caso de morte ou invalidez decorrente das missões. O objetivo é assegurar tratamento igualitário aos profissionais mobilizados.
Parecer do relator
Os parlamentares acolheram o parecer do relator, deputado Evair Vieira de Melo (Republicanos-ES), pela aprovação do projeto. Segundo o relator, a medida corrige uma lacuna institucional e valoriza o papel dos municípios na segurança.
“Ao equalizar o regime de pagamentos e de proteção dos guardas municipais ao das demais corporações, garante-se a igualdade para os agentes que arriscam a vida nessas missões”, disse.
O autor da proposta, deputado Capitão Alden (PL-BA), afirmou que as guardas municipais já são reconhecidas como integrantes do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), mas ainda precisavam de uma regra clara para atuar na Força Nacional.
Próximas etapas
A proposta será ainda analisada, em caráter conclusivo, pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.
Para virar lei, precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado.
Reportagem – Murilo Souza
Edição – Marcelo Oliveira
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