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As portas que atravessamos…

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Por Kamila Garcia

Imagine-se em uma sala reluzente, cintilante, tão iluminada que pequenas faíscas multicoloridas dançam ao redor, refletidas em prismas de todas as nuances. Nesse espaço sagrado, diante de você, está Deus — o seu Senhor — olhando-o com ternura e permitindo que você se lembre de todo o seu passado, até mesmo do mais íntimo e inconsciente.

Nesse túnel do tempo, sua memória se expande. Surgem, uma a uma, todas as portas que guardam sofrimentos, dores, aprendizados e alegrias. De mãos dadas com Ele, cada passo torna-se consciente. E, à medida que você caminha, as portas se abrem diante de você.

Atravessar essas portas de lembranças, na presença de Deus, implica trabalhar o amor, a fé e o perdão. Pois Ele diria: “Se tiverdes fé do tamanho de um grão de mostarda, direis a uma montanha: ‘Sai daqui para ali’, e ela se moverá.” Ainda assim, é você — com Deus — quem se coloca em movimento, rumo à primeira porta: a do futuro e da busca pelo autoconhecimento.

Ao trilhar esse futuro, calçado pela resiliência e pela esperança no presente, outra porta se revela: a do amor. Por ela, Deus sussurra: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” E você, aprendendo a se amar e a se reconhecer, passa a enxergar as diferenças com respeito, acolhendo o outro como deseja ser acolhido.

Caminhando com ternura, após atravessar as portas da fé e do amor, você encontra a paz e a felicidade. Então, enfim, está pronto para voltar-se ao passado e abrir a porta do perdão.

Diante dela, tudo o que foi guardado — consciente ou inconscientemente — é perdoado, ressignificado e, como em um sopro de graça, transmutado em sabedoria e benevolência, tanto para com o outro quanto para consigo mesmo.

A porta do passado é, talvez, a mais desafiadora — e a mais necessária. É por meio dela que passamos a olhar, com plena consciência, para o amor que somos capazes de sentir e para a fé naquilo que realmente podemos realizar.

É isso que o Natal representa: a natividade da amorosidade que habita em você e a sua união com Deus, ao atravessar, com coragem e entrega, as portas do amor, da fé e do perdão.

*Kamila Garcia  é bacharel em Língua Portuguesa e Literatura Brasileira, com pós-graduação em Psicanálise. Atualmente é estudante de Psicologia.

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.

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