Mato Grosso
Sema instala sensores para monitoramento da qualidade do ar em mais seis municípios
Mato Grosso
A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) iniciou o processo de instalação de sensores de material particulado para o monitoramento da qualidade do ar. Os equipamentos têm o objetivo de intensificar o monitoramento durante o período de estiagem e das emissões oriundas de queimadas e incêndios florestais, que podem agravar a qualidade do ar devido a condições atmosféricas desfavoráveis à dispersão dos poluentes.
Além de Cuiabá e Várzea Grande, que já contavam com sensores instalados, os municípios de Barão de Melgaço, Poconé, Barra do Bugres, Primavera do Leste, Pontes e Lacerda, e Campo Novo do Parecis também receberam os equipamentos. São Félix do Araguaia, Rondonópolis, Barra do Garças, Guarantã do Norte e Nova Mutum devem receber sensores ainda este ano.
“O monitoramento das concentrações de material particulado nos municípios do interior e na capital é importante para obtermos informações que subsidiem políticas públicas de meio ambiente e saúde, principalmente voltadas às populações expostas à poluição atmosférica”, destaca o coordenador de Monitoramento da Água e do Ar da Sema, Sérgio Figueiredo, responsável pelas instalações.
Os sensores, da marca Purple Air, foram adquiridos por meio do Mutirão de Conciliação Ambiental e estão sendo instalados com apoio de parcerias da Sema com o Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e o Instituto de Proteção da Amazônia (IPAM).
O instrumento realiza o monitoramento em tempo real das concentrações de material particulado (geralmente a cada cinco minutos) e já calcula índices de qualidade do ar. Por padrão, utiliza o índice da EPA/EUA, mas pode ser configurado para o padrão brasileiro. Os dados podem ser acessados gratuitamente pela população por meio do site map.purpleair.com.
Em breve, a Sema também disponibilizará um site para consulta de dados dos sensores de outros parâmetros de qualidade do ar, instalados em Cuiabá e Várzea Grande, com emissão de boletins diários contendo o cálculo dos índices, conforme as diretrizes da Resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) nº 506, de 5 de julho de 2024.
Além do material particulado, serão monitorados o dióxido de enxofre (SO₂), óxidos de nitrogênio (NOₓ), monóxido de carbono (CO) e ozônio troposférico (O₃). Essa iniciativa será realizada em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Física Ambiental da UFMT.
A Sema integra a Coalizão Respira Amazônia, que reúne órgãos ambientais, o Ministério do Meio Ambiente, organizações não governamentais (ONGs), universidades e institutos de pesquisa. O grupo reúne conhecimento, tecnologia e esforços para a implementação de ações voltadas ao monitoramento da qualidade do ar nos Estados Amazônicos, em razão dos impactos ambientais e dos riscos à saúde das populações expostas à poluição atmosférica
Sobre o material particulado
O material particulado em suspensão é composto por substâncias sólidas e líquidas presentes no ar, com diâmetros variados, oriundas de fontes como chaminés de indústrias, veículos automotores, queimadas e incêndios florestais. As partículas com diâmetro menor que 10 e 2,5 micrômetros são especialmente perigosas, pois podem atingir as vias respiratórias e alcançar os vasos sanguíneos, provocando diversos problemas de saúde, especialmente doenças cardíacas e respiratórias.
Por isso, o monitoramento das concentrações de material particulado no ar é fundamental para orientar ações de saúde pública, defesa civil e políticas ambientais.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Famílias Acolhedoras oferecem proteção e afeto a crianças em situação de risco
Quando uma criança precisa ser afastada da própria família para escapar de situações de violência, negligência ou outras violações de direitos, ela não precisa, necessariamente, crescer em uma instituição de acolhimento. Em Mato Grosso, o Serviço de Família Acolhedora tem mostrado que é possível oferecer um ambiente familiar seguro e afetuoso durante esse período de transição. No aniversário de 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), celebrado na última segunda-feira (13), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso destaca essa política pública e convida a população a conhecer uma forma de proteger crianças e adolescentes que aguardam a definição de seu futuro.Previsto pelo ECA, o Serviço de Família Acolhedora oferece acolhimento temporário a crianças e adolescentes que, por decisão judicial, precisaram ser afastados da família de origem. A medida busca garantir proteção enquanto o Poder Judiciário e a rede de proteção trabalham para que eles retornem ao convívio familiar, quando possível, ou sejam encaminhados para adoção.
A juíza Melissa de Lima Araújo, titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Sinop, explica que acolhimento familiar e adoção são medidas completamente diferentes. “A família acolhedora não substitui a família de origem, nem se torna, automaticamente, família adotiva. Seu papel é oferecer cuidado, proteção, afeto e estabilidade enquanto a equipe técnica e o Poder Judiciário trabalham para definir a solução definitiva para aquela criança ou adolescente.”Segundo a magistrada, enquanto a adoção estabelece um vínculo permanente de filiação, o acolhimento familiar é uma medida protetiva temporária, voltada exclusivamente à proteção da criança ou do adolescente durante um período de vulnerabilidade.
Quem pode acolher?
Em Sinop, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora foi instituído por lei municipal e se consolidou como uma importante alternativa ao acolhimento institucional. O programa seleciona, capacita e acompanha famílias interessadas em receber temporariamente crianças e adolescentes afastados judicialmente do convívio familiar.
Podem participar casais, pessoas solteiras e diferentes configurações familiares, desde que apresentem estabilidade emocional, ambiente familiar adequado e disponibilidade para cuidar. O ingresso ocorre por meio de inscrição no serviço municipal, seguida da entrega de documentos, entrevistas, avaliações psicossociais, visitas domiciliares e capacitação. “Acolher exige responsabilidade, maturidade e compreensão de que o objetivo principal é atender ao melhor interesse da criança. Mais do que uma seleção, trata-se de um processo de preparação”, ressalta a juíza.
Durante todo o período de acolhimento, as famílias recebem acompanhamento contínuo de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais do serviço, além do apoio do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e da rede de proteção.
Experiência que transforma
De acordo com a juíza, diversos estudos apontam que o acolhimento em ambiente familiar favorece o desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança ou do adolescente. Mesmo quando bem estruturadas, as instituições não conseguem reproduzir a convivência cotidiana, os vínculos afetivos e a atenção individualizada encontrados em um lar.
No ambiente familiar, a criança participa da rotina da casa, fortalece vínculos de confiança, desenvolve autonomia e encontra um espaço de pertencimento, fatores essenciais para reduzir os impactos do afastamento da família de origem.
Por isso, tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente quanto as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça priorizam o acolhimento familiar sempre que houver famílias habilitadas.
Para quem ainda tem receio de participar, a magistrada deixa um convite. “Nenhuma criança deveria enfrentar um momento tão delicado da vida sem experimentar o cuidado de uma família. O acolhimento familiar não exige perfeição. Exige disponibilidade para amar, proteger e cuidar durante o tempo necessário.”
Ela reforça que a experiência transforma não apenas a vida da criança acolhida, mas também a de quem decide abrir as portas de casa para oferecer cuidado e esperança. “Cada família que se dispõe a acolher torna-se parte da construção de uma rede de cuidado, solidariedade e esperança, concretizando o princípio constitucional de que toda criança e todo adolescente têm direito à convivência familiar e comunitária.”
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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