Mato Grosso
Seciteci amplia acesso à tecnologia por meio do letramento digital
Mato Grosso
Ativar mecanismos de segurança, conectar-se à rede de wifi segura e salvar os contatos de emergência podem ser tarefas fáceis dentro do cotidiano de quem tem internet. Até pouco tempo, no entanto, essas eram ações desafiadoras para dezenas de idosos que hoje estão matriculados no Projeto Muxirum Digital MT. Após cerca de um mês de aulas práticas, porém, muita coisa já mudou na vida dos assistidos, agora com mais autonomia, eles já estão aproveitando as aulas para compartilharem as pequenas vitórias com os seus smartphones.
Desde março, cerca de 280 idosos estão sendo contemplados pelo Muxirum com aulas semanais nas cidades de Cuiabá, Chapada dos Guimarães e Santo Antônio do Leverger. Com espaço, apostila e uniformes disponibilizados gratuitamente, aprendem sobre segurança online, funcionalidades dos aparelhos e utilização de aplicativos. Cada turma terá 17 aulas ao todo, com a expectativa é que o encerramento da fase piloto do projeto ocorra em outubro.
Na turma do Muxirum Digital MT, realizada no Asilo Santa Rita, em Cuiabá, três alunas chamam a atenção logo de cara: são irmãs, sentam lado a lado e aprendem juntas, apoiando-se a cada passo. Eva Portugal, de 59 anos, é empreendedora e viu no curso uma oportunidade de divulgar os produtos da sua loja nas redes sociais. “Quero aprender a postar, usar o Facebook e o WhastApp. Eu tenho vontade de saber tudo que posso fazer no celular”, contou, animada.
A irmã mais velha, Noemi, de 71 anos, é aposentada da área da enfermagem. Mesmo com décadas de dedicação à saúde, ela revela que sempre esteve distante do mundo digital. “Eu não sei nada, só mexo um pouco no Facebook. Mas quero aprender a fazer compras, usar os aplicativos. Tenho medo, mas também vontade”, confessou.
Já Neiva, de 69 anos, é daquelas que não para. Mesmo aposentada, continua trabalhando em uma lavanderia e cuidando da casa. “Gosto de trabalhar, não consigo ficar parada. Mas também quero aprender mais, fazer ligação, pedir receita de bolo, pesquisar na internet”, disse com um sorriso tímido, mas cheio de curiosidade.
Para as três irmãs, o curso é mais do que aprender a usar o celular: é um gesto de autonomia, pertencimento e autoestima. E para quem acha que idade é barreira, elas provam que nunca é tarde para começar. “A gente veio junto para se ajudar. E a gente quer aprender mesmo”, resumiu Eva, em nome das três.
Muxirum Digital MT
O curso do Muxirum Digital MT é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Seciteci), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (Fapemat), e tem como objetivo oferecer capacitação digital gratuita para adultos e idosos que não tiveram acesso à tecnologia em outras fases da vida. A Fapemat investiu R$ 390 mil na ação e concedeu 21 bolsas para membros da equipe técnica e pedagógica, que se divide entre os polos e oferece aulas semanais para cada turma.
Como suporte didático, todos recebem uma apostila explicativa que traz o conteúdo das aulas, em texto, e imagens ilustrativas. Outro ponto importante é que cada aluno aprende o conteúdo de forma prática, utilizando o seu próprio aparelho, uma forma de incentivá-lo a continuar manuseando o smartphone fora das aulas.
Para a coordenadora do projeto Dannyele Zamar já é visível como os idosos adquiriram conhecimento e estão mais confiantes em descobrir as funcionalidades dos smartphones.
“Sempre tivemos a certeza de que esse projeto era mais do que ensinar a utilizar o celular, durante as aulas estamos presenciando um desenvolvimento de autonomia desses idosos. Eles ganham confiança, se animam após aprenderem algo novo e despertam o interesse por mais conhecimento. Estamos muito satisfeitos com o andamento em todas as turmas e temos certeza que o resultado será de pessoas seguras e autônomas tecnologicamente”, frisou a coordenadora.
O nome Muxirum Digital faz referência ao projeto da Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para alfabetização de adultos.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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