Mato Grosso
Merendeiro indígena de MT representa escolas estaduais em reality show nacional neste sábado (10)
Mato Grosso
Um merendeiro da rede estadual de ensino de Mato Grosso irá representar o estado, neste sábado (10.1), em um reality show nacional que valoriza a alimentação escolar e a cultura alimentar tradicional. Assalu Waura, da Escola Estadual Indígena Central Ikpeng, localizada no Parque Nacional do Xingu, foi selecionado para participar da 4ª edição do reality show “Escola de Sabores”, na categoria indígena.
O programa é organizado pelo Centro de Excelência contra a Fome do Programa Mundial de Alimentos (WFP), em parceria com a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), e tem como objetivo reconhecer o trabalho das merendeiras e merendeiros, além de fortalecer o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).
Nesta edição, o reality show aborda três temáticas centrais: indígena, quilombola e ribeirinha. A cada episódio, os participantes enfrentam desafios culinários inspirados nas escolas, nos territórios, nas tradições e nos ingredientes locais, retratando a diversidade cultural e alimentar do Brasil.
Mato Grosso foi selecionado para a etapa nacional e internacional como representante da categoria indígena, resultado do trabalho desenvolvido pela Secretaria de Estado de Educação (Seduc-MT) na promoção de uma alimentação escolar de qualidade.
A coordenadora de Alimentação Escolar da Seduc, Luana Leão, destacou que a escolha do estado reflete o compromisso com uma política alimentar que respeita a cultura e fortalece as comunidades locais.
“Essa seleção é um reconhecimento do trabalho sério e sensível que vem sendo realizado em Mato Grosso. A escola indicada tem um cardápio tradicional, culturalmente adequado, e alcança 100% de aquisição de alimentos da agricultura familiar com recursos federais, o que fortalece a economia local e garante alimentação saudável aos estudantes”, afirmou.
A Escola Estadual Indígena Central Ikpeng, situada no município de Feliz Natal, na região atendida pela Diretoria Regional de Educação (DRE) de Barra do Garças, se destaca justamente pelo uso integral de alimentos da agricultura familiar e pela valorização da culinária tradicional indígena. No programa, Assalu Waura apresentará a receita Tagromerem e Beiju (pirão de peixe), prato típico da cultura Ikpeng.
Para o secretário de Estado de Educação, Alan Porto, a participação no reality show é motivo de orgulho para toda a rede estadual. “Ver um profissional da nossa rede representar Mato Grosso em um programa dessa dimensão mostra que estamos no caminho certo. A alimentação escolar é parte fundamental do processo educativo e também uma ferramenta de valorização cultural, de inclusão e de desenvolvimento sustentável”, ressaltou.
A cerimônia de premiação ainda está prevista para a segunda quinzena deste mês de janeiro.
Serviço:
Band, sábado, às 12h
Canal Sabor & Arte: sábado, às 21h
Canal Terraviva: domingo, às 20h
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.
O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.
Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.
Rede de enfrentamento e prevenção
Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.
A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.
Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.
A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.
Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.
Responsabilização e conscientização
O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.
O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.
“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.
O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.
Parceria institucional
Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.
De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.
Do luto à luta
Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.
“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.
Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”
Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.
Carta de Compromisso Institucional
Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.
Série disponível no Globoplay
Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.
Autor: Marcia Marafon
Fotografo: Alair Ribeiro
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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