Mato Grosso
Governo do Estado retoma realização de transplantes de rim em Mato Grosso
Mato Grosso
O Governo do Estado retoma, nesta quarta-feira (12.3), a realização de transplantes de rim pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso. A previsão é de que, nesta semana, sejam realizados três transplantes renais no Hospital São Mateus, em Cuiabá, unidade credenciada para a realização dos procedimentos.
Os transplantes devem ser realizados nos dias 12, 13 e 14 de março, um em cada dia, e envolverão doadores vivos. Contudo, devido à complexidade dos procedimentos, é possível que haja mudanças neste cronograma.
Transplantada há cerca de 11 anos, a primeira-dama de Mato Grosso, Virginia Mendes, falou sobre o retorno do procedimento no Estado.
“A retomada dos transplantes é motivo de comemoração. Eu que passei por esse processo quando precisei ser transplantada, sei o quanto a oportunidade de realizar o procedimento desperta a esperança de viver. Graças a Deus meu marido foi compatível comigo. Gratidão ao Governo do Estado por esse olhar humanizado”, disse Virginia Mendes.
“Sei o quanto é sofrido ficar à espera de um rim, ter que fazer hemodiálise. É muito sofrimento. Quando ganhamos um rim, nascemos de novo. Vida nova, com restrições, mas é vida nova. É muito bom estar vivo”, lembrou a primeira-dama do Estado.
Crédito: Jana Pessôa
“Posso testemunhar sobre a importância desse tipo de procedimento, pois já fiz o transplante junto com a minha esposa Virginia. É uma operação que salva vidas e que precisa estar à disposição da população. Fico muito feliz em saber que muitas vidas serão salvas por conta dessa iniciativa do Governo do Estado”, declarou o governador Mauro Mendes.
A retomada dos transplantes renais em Mato Grosso é resultado de um investimento do Estado de mais de R$ 19 milhões por ano.
Atualmente, há cerca de 2 mil pacientes em tratamento nos serviços de hemodiálise em Mato Grosso. A previsão da Central Estadual de Transplantes é de que 40% a 50% desse quantitativo tenha a indicação para o transplante renal.
“Essa é uma ação prioritária para o Governo de Mato Grosso, que tem a atenção do governador Mauro Mendes, até mesmo pela importância da iniciativa, pelo engajamento da nossa primeira-dama, Virginia Mendes. A equipe da Central Estadual de Transplantes se dedicou integralmente em todos os quesitos necessários, junto à habilitação do hospital, à capacitação das equipes, para que fosse possível retomar esse serviço tão relevante para a população”, disse o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.
A realização de outros transplantes de rim está condicionada à disponibilidade do órgão e à compatibilidade entre o doador e receptor.
“A importância em se ter o transplante aqui no Estado é para as futuras captações que venham a acontecer dentro de Mato Grosso. A partir de agora, os órgãos captados no nosso estado terão como prioridade os pacientes de dentro do próprio estado. Caso não haja pacientes compatíveis ou aptos a receber o órgão, ele será disponibilizado para a Central Nacional de Transplantes, para ser vinculado à fila única nacional”, explicou a secretária adjunta do Complexo Reguladora da SES, Fabiana Bardi.
A ordem de serviço para a retomada dos transplantes renais em Mato Grosso foi emitida em setembro de 2024. O Hospital São Mateus foi credenciado por meio do Chamamento Público nº 002/2024.
O processo para a retomada dos transplantes não se resumiu apenas à ação cirúrgica, mas também às demais etapas necessárias, como o cadastramento, a qualificação, habilitação e o credenciamento da unidade junto ao Ministério da Saúde.
O médico nefrologista do Hospital São Mateus, dr. Jonathan Feroldi, informou que houve uma preparação de quatro anos para que a unidade estivesse apta a realizar os transplantes renais em Mato Grosso. Após o credenciamento, as equipes do hospital trabalharam na atualização da fila de pacientes com a indicação para o transplante.
“Neste primeiro momento, nós estamos atuando com os pacientes que são novos, que ainda não tiveram acesso a um centro de transplante. Nós já atendemos cerca de 200 pacientes e todos eles são atendidos pelo nefrologista, realizam uma série de exames para que a gente possa ter a certeza de que está tudo bem com a saúde daquele paciente, para que ele possa realmente ser habilitado para ser transplantado”, explicou.
Além disso, houve o investimento na atualização técnica das equipes médicas no Hospital das Clínicas de Porto Alegre (RS), considerada uma unidade de referência para transplantes renais no Brasil.
“Nove membros da nossa equipe foram até Porto Alegre, no Hospital de Clínicas, que é uma das maiores referências do país em realização de transplante, para acompanhar a realização de sete transplantes renais. O objetivo é garantir a melhor qualidade e o melhor desfecho para esses pacientes”, acrescentou o especialista.
Nefrologista Jonathan Feroldi. Crédito: Michel Alvim
Transplantes que transformam vidas
Para Altair de Lima, de 55 anos, que irá receber um rim através do transplante, a oportunidade é um grande privilégio. Ele morava em Tapurah (a 436 km de Cuiabá), mas realizava as hemodiálises em Sinop. Devido ao intenso deslocamento de carro, a família optou por se mudar para a capital, para facilitar a ida às sessões de hemodiálise.
“É um momento muito gratificante. Isso é um privilégio pra gente, sair da vida da hemodiálise três vezes por semana. Só quem perde um rim sabe o valor que ele tem, o que ele significa pra gente. Com esse privilégio que tenho de receber um rim através do meu irmão, pelo ato de coragem dele, meu coração é só gratidão. A partir de amanhã, se Deus quiser, a gente não precisa mais da hemodiálise, a gente vai ter liberdade”, declarou, emocionado.
Ele também parabenizou a atual gestão do Governo pela retomada dos transplantes de rim em Mato Grosso e destacou que essa ação vai beneficiar muita gente. “A gente quer parabenizar esse ato do governador Mauro Mendes e da primeira-dama Virginia Mendes, que está beneficiando e ainda vai beneficiar muita gente, vai tirar muita gente do sofrimento”, concluiu.
Fonte: Governo MT – MT
Mato Grosso
Famílias Acolhedoras oferecem proteção e afeto a crianças em situação de risco
Quando uma criança precisa ser afastada da própria família para escapar de situações de violência, negligência ou outras violações de direitos, ela não precisa, necessariamente, crescer em uma instituição de acolhimento. Em Mato Grosso, o Serviço de Família Acolhedora tem mostrado que é possível oferecer um ambiente familiar seguro e afetuoso durante esse período de transição. No aniversário de 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), celebrado na última segunda-feira (13), o Tribunal de Justiça de Mato Grosso destaca essa política pública e convida a população a conhecer uma forma de proteger crianças e adolescentes que aguardam a definição de seu futuro.Previsto pelo ECA, o Serviço de Família Acolhedora oferece acolhimento temporário a crianças e adolescentes que, por decisão judicial, precisaram ser afastados da família de origem. A medida busca garantir proteção enquanto o Poder Judiciário e a rede de proteção trabalham para que eles retornem ao convívio familiar, quando possível, ou sejam encaminhados para adoção.
A juíza Melissa de Lima Araújo, titular da Vara Especializada da Infância e Juventude de Sinop, explica que acolhimento familiar e adoção são medidas completamente diferentes. “A família acolhedora não substitui a família de origem, nem se torna, automaticamente, família adotiva. Seu papel é oferecer cuidado, proteção, afeto e estabilidade enquanto a equipe técnica e o Poder Judiciário trabalham para definir a solução definitiva para aquela criança ou adolescente.”Segundo a magistrada, enquanto a adoção estabelece um vínculo permanente de filiação, o acolhimento familiar é uma medida protetiva temporária, voltada exclusivamente à proteção da criança ou do adolescente durante um período de vulnerabilidade.
Quem pode acolher?
Em Sinop, o Serviço de Acolhimento em Família Acolhedora foi instituído por lei municipal e se consolidou como uma importante alternativa ao acolhimento institucional. O programa seleciona, capacita e acompanha famílias interessadas em receber temporariamente crianças e adolescentes afastados judicialmente do convívio familiar.
Podem participar casais, pessoas solteiras e diferentes configurações familiares, desde que apresentem estabilidade emocional, ambiente familiar adequado e disponibilidade para cuidar. O ingresso ocorre por meio de inscrição no serviço municipal, seguida da entrega de documentos, entrevistas, avaliações psicossociais, visitas domiciliares e capacitação. “Acolher exige responsabilidade, maturidade e compreensão de que o objetivo principal é atender ao melhor interesse da criança. Mais do que uma seleção, trata-se de um processo de preparação”, ressalta a juíza.
Durante todo o período de acolhimento, as famílias recebem acompanhamento contínuo de psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais do serviço, além do apoio do Poder Judiciário, Ministério Público, Defensoria Pública, Conselho Tutelar e da rede de proteção.
Experiência que transforma
De acordo com a juíza, diversos estudos apontam que o acolhimento em ambiente familiar favorece o desenvolvimento emocional, cognitivo e social da criança ou do adolescente. Mesmo quando bem estruturadas, as instituições não conseguem reproduzir a convivência cotidiana, os vínculos afetivos e a atenção individualizada encontrados em um lar.
No ambiente familiar, a criança participa da rotina da casa, fortalece vínculos de confiança, desenvolve autonomia e encontra um espaço de pertencimento, fatores essenciais para reduzir os impactos do afastamento da família de origem.
Por isso, tanto o Estatuto da Criança e do Adolescente quanto as diretrizes do Conselho Nacional de Justiça priorizam o acolhimento familiar sempre que houver famílias habilitadas.
Para quem ainda tem receio de participar, a magistrada deixa um convite. “Nenhuma criança deveria enfrentar um momento tão delicado da vida sem experimentar o cuidado de uma família. O acolhimento familiar não exige perfeição. Exige disponibilidade para amar, proteger e cuidar durante o tempo necessário.”
Ela reforça que a experiência transforma não apenas a vida da criança acolhida, mas também a de quem decide abrir as portas de casa para oferecer cuidado e esperança. “Cada família que se dispõe a acolher torna-se parte da construção de uma rede de cuidado, solidariedade e esperança, concretizando o princípio constitucional de que toda criança e todo adolescente têm direito à convivência familiar e comunitária.”
Autor: Roberta Penha
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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