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Desenvolve MT impulsiona inovação para melhorar qualidade do pescado em frigorífico

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A busca por alimentos mais seguros e de alta qualidade acaba de ganhar um marco importante em Mato Grosso. Com apoio financeiro da Desenvolve MT, a empresa Naturale Fish, em Cuiabá, administrada por Juliana Medeiros, concluiu uma pesquisa inédita para eliminar a contaminação por Salmonella spp., no processamento de peixes nativos. O estudo, realizado em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e acompanhado pelo Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea), representa um avanço significativo para o setor e abre caminho para mudanças estruturais na indústria.

O investimento concedido pela agência por meio da linha de crédito Desenvolve Inovação – Finep Inovacred, com recursos do Governo Federal, viabilizou não apenas a ampliação do frigorífico, que está em fase inicial, mas também a execução do projeto científico que reposiciona o fluxo de processamento de pescado. Um processo inovador que incorpora tecnologia, otimiza etapas produtivas, reduz desperdícios e amplia a qualidade e a segurança alimentar, tornando a operação mais sustentável e competitiva no mercado.

A pesquisa foi publicada pela MDPI – Multidisciplinary Digital Publishing Institute, na revista científica Animals, e testou protocolos inovadores para processamento em condições reais de abate industrial. As mudanças propostas simples, mas estratégicas demonstram que é possível alcançar a ausência total de Salmonella spp. em escala industrial.

Para Juliana Medeiros, à frente da Naturale Fish, a conclusão da pesquisa marca um avanço decisivo para o setor de pescado em Mato Grosso. Segundo ela, o trabalho realizado ao lado da UFMT é um passo fundamental para garantir um novo patamar de segurança alimentar.

“A presença de microrganismos como a Salmonella spp. sempre foi um desafio não apenas para o pescado, mas também para outras proteínas como frango, boi e porco. No caso do peixe, pela própria natureza do habitat, o risco se torna ainda maior. Conseguir eliminar esses microrganismos no processo de produção é oferecer ao consumidor a tranquilidade de levar para casa um alimento 100% livre de contaminação”, destaca Juliana.

De acordo com o estudo, a principal medida foi a separação física entre áreas “sujas” e “limpas” dentro do frigorífico. Isso significa que etapas como a retirada de escamas, guelras e vísceras, consideradas críticas para a contaminação, passaram a ocorrer em espaço distinto e anterior à filetagem, onde o cuidado é redobrado para evitar o rompimento das vísceras, não contaminando o pescado com a salmonella.

A Salmonella spp., embora não faça parte dos microrganismos naturais dos peixes, pode ser introduzida durante o cultivo ou no processamento, tornando-se um risco à saúde pública. A legislação exige ausência da bactéria em pescado e derivados, o que pressiona frigoríficos a buscar métodos cada vez mais eficazes de controle, desafio para o qual a Naturale Fish já apresenta soluções concretas, impulsionada pelo crédito concedido pela Desenvolve MT.

Juliana Medeiros reforça que o apoio da Desenvolve MT foi essencial para que o projeto não ficasse apenas no campo experimental e pudesse alcançar a escala industrial, transformando a pesquisa em inovação concreta para o mercado.

“O crédito da Desenvolve MT nos permitiu ampliar a pesquisa e levar esse protocolo para dentro do frigorífico em escala industrial. Isso significa que conseguimos manter a produção em grande quantidade sem abrir mão da segurança alimentar, eliminando o risco de contaminação cruzada. Esse avanço não beneficia apenas a Naturale Fish, mas toda a cadeia de frigoríficos do estado, fortalecendo a competitividade de Mato Grosso e abrindo caminho para exportarmos um produto seguro e sem restrições sanitárias”, afirma Juliana.

Com o avanço da pesquisa e a futura ampliação da planta, a Naturale Fish projeta aumentar a produção e abrir novos mercados, inclusive para exportação. Para a Desenvolve MT, o caso ilustra a função estratégica do crédito no desenvolvimento econômico sustentável. “Um crédito bem aplicado demonstra o impacto positivo quando Governo, Ciência e a iniciativa privada atuam juntos, o resultado vai além do impacto empresarial. Ele fortalece cadeias produtivas inteiras, melhora a segurança dos alimentos e contribui para o crescimento econômico de Mato Grosso”, diz Mayran Beckman, Presidente da Desenvolve MT.

Desenvolve Inovação

A linha Desenvolve Inovação – Finep conta com R$43 milhões disponíveis para liberação em Mato Grosso neste segundo semestre. A linha de crédito na modalidade Inovacred é oferecida pela Desenvolve MT em parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Governo Federal. A linha permite financiar até R$5 milhões, com prazos que podem chegar à 120 meses e carência de até 24 meses, variando conforme cada modalidade – como Inovacred, Inovacred 4.0 e Inovacred Telecom.

Os recursos dessa linha podem ser utilizados em diversos itens fundamentais para inovação, como obras civis, equipamentos, softwares, matérias-primas, consultorias, treinamentos, marketing, proteção de propriedade intelectual, entre outros.

*Com supervisão de Livia Rabani

Fonte: Governo MT – MT

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TJMT e TVCA promovem fórum “Destinos Roubados: a epidemia do feminicídio”

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A imagem mostra cinco mulheres e um homem sentados em cadeiras brancas num palco. Todos vestem roupas formais e têm pele clara. O homem é o juiz Marcos Terêncio, que veste terno escuro e usa óculos de grau. O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), em parceria com a TV Centro América (TVCA), realizou nesta sexta-feira (29), em Cuiabá, o fórum “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”. O evento ocorreu no auditório da emissora e reuniu representantes do sistema de Justiça, forças de segurança, instituições públicas e especialistas para discutir ações de enfrentamento à violência contra a mulher em Mato Grosso.

O encontro integrou o encerramento do projeto jornalístico especial “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio”, série documental composta por cinco reportagens sobre violência doméstica, feminicídio e os impactos sociais provocados por esse tipo de crime. O trabalho foi dirigido pela jornalista Ariane Locatelli.

Representando o TJMT no fórum, participaram dos debates os magistrados da 2ª Vara Especializada de Família e Sucessões de Cuiabá, juiz titular Marcos Agostinho Terêncio e a juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa.

Rede de enfrentamento e prevenção

Durante o encontro, foram discutidos os principais desafios da rede de enfrentamento à violência doméstica, o acolhimento às vítimas, medidas de prevenção, atendimento aos órfãos do feminicídio e a integração entre as instituições.

A imagem mostra a juíza Ana Graziela falando ao microfone durante entrevista para a TV Justiça. Ela é uma mulher de pele clara, cabelos lisos e loiros e olhos escuros. Veste roupa preta. A juíza Ana Graziela Vaz de Campos Alves Corrêa destacou que o fórum reuniu toda a rede de enfrentamento para refletir e, ao final, elaborar uma carta de compromissos com o objetivo de modificar a realidade da violência contra a mulher no estado.

Para ela, o fortalecimento das redes é fundamental para ampliar a proteção às vítimas. “Sozinho ninguém consegue resolver o problema da violência doméstica. Hoje, dos 142 municípios de Mato Grosso, 123 já possuem redes de enfrentamento instaladas. Esse é um espaço para fortalecer vínculos, promover maior engajamento e qualificar o atendimento prestado às mulheres”, ressaltou.

A magistrada também enfatizou a importância de ações preventivas e do trabalho voltado aos autores de violência doméstica. “Não adianta tratar apenas das mulheres. É preciso trabalhar também com o autor da violência. O homem que participa dos grupos reflexivos dificilmente volta a delinquir”, explicou.

Ana Graziela destacou ainda iniciativas desenvolvidas pelo Poder Judiciário e parceiros, como o projeto “A Escola Ensina, a Mulher Agradece”, palestras sobre a Lei Maria da Penha nas escolas e capacitações realizadas com professores da rede pública. “Precisamos trabalhar desde cedo com as crianças e adolescentes para construir relações pautadas no respeito e impedir que novos casos de violência cheguem ao sistema”, concluiu.

Responsabilização e conscientização

A imagem mostra o juiz Marcos Terêncio durante sua participação no debate sobre violência doméstica. Ele é um homem de pele clara, cabelos grisalhos nas temporas, olhos escuros e usa óculos de grau. Está segurando o microfone com a mão direita. Veste terno e gravata pretos e camisa branca. O juiz Marcos Terêncio destacou que o enfrentamento à violência doméstica passa pela responsabilização dos agressores, mas também por ações de conscientização e transformação de comportamento.

O debate conduzido por ele no fórum abordou “a responsabilidade penal dos agressores, tanto pela punição propriamente dita, quanto pelos sistemas de autorresponsabilização”. Ele citou os Grupos Reflexivos para homens, desenvolvidos pelo Judiciário.

“A intenção é diminuir a reincidência, demonstrando, de um lado, que a punição é certa e célere e, de outro, fazer com que esses homens reflitam sobre a violência, o machismo enraizado e os impactos causados às vítimas e às próprias famílias”, afirmou.

O magistrado também ressaltou a importância da abordagem adotada durante a série exibida pela emissora. “As narrativas são dramáticas, mas não sensacionalistas. O protagonismo é da mulher. O agressor não deve ser o protagonista da história, mas precisa reconhecer o seu papel e compreender o que a violência causa para todos ao seu redor”, completou.

Parceria institucional

A imagem mostra o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa. Ele é um homem de pele clara, cabelos loiros curtos, olhos azuis e barba por fazer branca. O diretor veste camisa social azul clara. Atras dele aparece o palco do auditório da emissora. Para o diretor de Conteúdo da TVCA, Marcello Rosa, o enfrentamento à violência contra a mulher exige mobilização permanente da sociedade e atuação conjunta das instituições.

De acordo com ele, a parceria com o TJMT fortalece o debate e amplia a capacidade de mobilização social. “A Justiça é fundamental nesse processo. A melhor parceria possível é ter o TJ encabeçando a organização desse evento e trazendo outros players para essa discussão. É assim que vamos transformando a sociedade, mudando pensamentos e garantindo mais segurança para as mulheres, principalmente por meio da educação”, destacou.

Do luto à luta

Alenir Gomes da Silva, mãe de uma vítima de feminicídio, participou da série documental. Aline tinha 20 anos e um filho de quatro anos quando foi morta pelo marido, em 2020.

“Ela tentava sair da relação, mas não conseguia. Muitas coisas ela não contava porque tinha medo dele. Eu tentei registrar boletim de ocorrência, mas naquela época diziam que quem precisava denunciar era a vítima”, relembrou.

Ao defender a importância de dar visibilidade aos casos de violência doméstica, Alenir explicou que decidiu participar da série para conscientizar outras mulheres e famílias. “Enquanto eu continuar falando, divulgando, alguém vai cair na real e perceber os sinais. É importante que ninguém esqueça.”

Ela também ressaltou a necessidade de investir em educação e prevenção desde a infância. “Tem que começar cedo, na escola, conscientizando meninos e meninas sobre respeito e sobre como a violência começa”, disse.

A imagem mostra o auditório da TVCA lotado com a plateia do fórum Destinos Roubados. A maioria da audiência é composta por mulheres. Carta de Compromisso Institucional

Ao final do fórum, as instituições participantes construíram uma Carta de Compromisso Institucional com propostas voltadas ao fortalecimento das políticas públicas de prevenção e combate ao feminicídio no estado, que somente neste ano já registrou 18 feminicídios, deixando órfãs 22 crianças e adolescentes, além de 79 tentativas de feminicídio.

Série disponível no Globoplay

Os episódios da série “Destinos Roubados: A Epidemia do Feminicídio” estão disponíveis no aplicativo Globoplay, com as edições exibidas entre os dias 25 e 29 de maio no telejornal Bom Dia MT.

Autor: Marcia Marafon

Fotografo: Alair Ribeiro

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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