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Virada espetacular: Juventude choca o Vasco em São Januário
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Em uma noite de sábado marcada por emoção e reviravoltas, o Juventude surpreendeu o Vasco da Gama em pleno São Januário, conquistando uma vitória de virada por 3 a 1 pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro. O time gaúcho, que viu o Gigante da Colina abrir o placar, demonstrou resiliência e, com um segundo tempo avassalador, garantiu três pontos que o aproximam da saída da zona de rebaixamento.
A derrota mantém o Vasco em uma posição intermediária na tabela, enquanto o Juventude respira mais aliviado na reta final da competição.
O jogo
O Vasco iniciou a partida ditando o ritmo, pressionando o adversário desde os primeiros minutos. Boas chances foram criadas com Coutinho e Andrés Gomez, mas a rede só balançou aos 26 minutos. Rayan, em uma cabeçada precisa após cruzamento de Piton, superou o goleiro Jandrei e colocou o time carioca na frente, para a festa da torcida em São Januário. O gol parecia consolidar a superioridade vascaína, que continuou a criar oportunidades, como um chute perigoso de Andrés Gomez aos 33.
No entanto, a resposta do Juventude veio de forma contundente e surpreendente. Na primeira investida mais aguda, aos 38 minutos, Gabriel Taliari cruzou para Marcelo Hermes, que finalizou com precisão para o fundo do gol, empatando o confronto. O gol desestabilizou o Vasco. Aos 42, Léo Jardim precisou se antecipar para salvar um avanço rápido de Gabriel Taliari. Mas a falha na saída de bola cruzmaltina custou caro aos 45 minutos, quando Nenê aproveitou a oportunidade e virou o placar para o Juventude, indo para o intervalo com a vantagem.
No segundo tempo, o Vasco retornou determinado a buscar o empate. Logo aos dois minutos, Nuno Moreira teve uma boa chance após cobrança de escanteio, mas Jandrei fez uma defesa crucial. Contudo, o Juventude soube explorar os espaços deixados pelo adversário, quase ampliando com uma cobrança de falta de Nenê aos dez minutos e acertando o travessão com Mandaca aos 26.
A situação do Vasco se complicou ainda mais com a expulsão do lateral Paulo Henrique, que recebeu o segundo cartão amarelo. Com um jogador a mais, o Juventude selou sua vitória aos 45 minutos da etapa final, quando Ewerthon recebeu um passe na área e empurrou para a rede, fechando o placar em 3 a 1.
Situação na Tabela e Próximos Desafios
Com este resultado, o Juventude alcança 32 pontos, dando um importante passo na luta para escapar da zona de rebaixamento e ganhando confiança para as próximas rodadas. O Vasco, por outro lado, permanece com 42 pontos, estacionado no meio da tabela do Campeonato Brasileiro, e agora terá que lidar com o impacto da derrota em casa.
Próximos confrontos:
- Vasco: Enfrenta o Grêmio fora de casa, na Arena do Grêmio, na próxima quarta-feira, 19 de novembro, às 21h30 (de Brasília), pela 34ª rodada do Brasileirão.
- Juventude: Recebe o Cruzeiro na quinta-feira, 20 de novembro, pela 34ª rodada do Campeonato Brasileiro.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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