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Vasco vence o Palmeiras e conquista primeira vitória no Brasileirão
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Em uma noite de reviravolta e emoção em São Januário, o Vasco da Gama superou o Palmeiras por 2 a 1, de virada, em partida válida pela quinta rodada do Campeonato Brasileiro. Com o resultado, o Gigante da Colina, sob a batuta do estreante técnico Renato Gaúcho, deixou a lanterna da competição, enquanto o Alviverde Paulista conheceu sua primeira derrota e perdeu a liderança provisoriamente.
O Jogo
A etapa inicial foi marcada por poucas chances claras de gol. O Palmeiras, com mais posse de bola, não conseguiu furar a defesa vascaína, que se mostrava bem postada. O Vasco, por sua vez, tentava explorar os contra-ataques, mas também sem oferecer grande perigo ao goleiro Carlos Miguel.
A monotonia foi quebrada aos 39 minutos. Flaco López recebeu pela direita, driblou Andrés Gómez e Lucas Piton com maestria, invadiu a área e finalizou de esquerda, anotando um belo gol e colocando o Palmeiras em vantagem. Nos acréscimos, Andrés Gómez teve uma chance de empatar para o Vasco, mas chutou fraco e para fora.
Segundo tempo
O jogo começou com o Vasco mostrando mais ímpeto. Aos 11 minutos, Andrés Gómez fez boa jogada pela esquerda, passou por Marlon Freitas e Khellven, e tocou para trás. Tchê Tchê dominou na entrada da área e bateu cruzado, mas a bola saiu.
A reação vascaína se concretizou aos 17 minutos. Thiago Mendes recuperou a bola no campo de ataque, tabelou com David na entrada da área e, após receber de volta, ajeitou e bateu no canto, sem chances para Carlos Miguel, empatando o confronto. O gol inflamou o time carioca, que quase virou aos 20, com Cuiabano exigindo uma boa defesa do goleiro palmeirense.
Dez minutos após o empate, a virada se confirmou. Cuiabano, em jogada individual pela esquerda, avançou em velocidade, tocou para Paulo Henrique e recebeu de volta no meio da área. De frente para o gol, o camisa 11 vascaíno bateu para o fundo das redes, garantindo a vitória para o Vasco. Nos acréscimos, o Palmeiras ainda teve uma chance de ouro para empatar, mas Léo Jardim fez grande defesa em chute de Allan, após escorada de Gustavo Gómez, selando a derrota alviverde.
Situação na tabela
Com este revés, o Palmeiras, que acumulava dez pontos, perdeu a invencibilidade e caiu para a segunda posição na tabela, podendo ser ultrapassado dependendo dos demais resultados da rodada. Já o Vasco, que amargava a lanterna, conquistou seus primeiros três pontos na competição, somando agora quatro pontos e subindo para a 15ª colocação, respirando um pouco mais aliviado na zona de rebaixamento.
Próximos compromissos
Vasco:
- Jogo: Cruzeiro x Vasco
- Competição: Campeonato Brasileiro (6ª rodada)
- Data e hora: 15 de março de 2026, às 20h30 (de Brasília)
- Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
Palmeiras:
- Jogo: Palmeiras x Mirassol
- Competição: Campeonato Brasileiro (6ª rodada)
- Data e hora: 15 de março de 2026 (domingo), às 18h30 (de Brasília)
- Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP).
FICHA TÉCNICA
| VASCO 2 X 1 PALMEIRAS | |
|---|---|
| Competição | Campeonato Brasileiro (5ª rodada) |
| Local | Estádio São Januário, Rio de Janeiro (RJ) |
| Data | 12 de março de 2026 (quinta-feira) |
| Horário | 19h30 (de Brasília) |
| Público | x torcedores |
| Arbitragem | |
|---|---|
| Árbitro | Davi De Oliveira Lacerda (ES) |
| Assistentes | Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Douglas Pagung (ES) |
| VAR | Pablo Ramon Goncalves Pinheiro (RN) |
| Gols | |
|---|---|
| Palmeiras | Flaco López, aos 39′ do 1°T |
| Vasco | Thiago Mendes, aos 17′ do 2°T |
| Vasco | Cuiabano, aos 27′ do 2°T |
| Cartões | |
|---|---|
| Amarelos | Tchê Tchê e Thiago Mendes (Vasco); Allan (Palmeiras) |
| Vermelhos | Nenhum |
| Vasco | Palmeiras |
|---|---|
| Léo Jardim | Carlos Miguel |
| Paulo Henrique | Khellven (Giay) |
| Robert Renan | Gustavo Gómez |
| Saldivia | Bruno Fuchs |
| Lucas Piton (Cuiabano) | Jefté (Arthur) |
| Hugo Moura (Barros) | Marlon Freitas |
| Thiago Mendes | Andreas Pereira |
| Tchê Tchê (Johan Rojas) | Felipe Anderson (Allan) |
| Nuno Moreira (Adson) | Jhon Arias |
| David (Spinelli) | Flaco López (Luighi) |
| Andrés Gómez | Ramón Sosa (Lucas Evangelista) |
| Técnico: Renato Gaúcho | Técnico: João Martins |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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