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São Paulo vira sobre o Red Bull Bragantino e assume a liderança isolada do Brasileirão

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O São Paulo garantiu a liderança isolada do Campeonato Brasileiro neste domingo (15.03), ao vencer o Red Bull Bragantino de virada por 2 a 1. O confronto, válido pela sexta rodada da competição, foi disputado no Estádio Cícero de Souza Marques e viu o Tricolor paulista demonstrar resiliência para conquistar os três pontos. Herrera marcou para o Massa Bruta, mas Sabino e Calleri garantiram a vitória são-paulina sob o comando de Roger Machado.

Com o resultado, o São Paulo atinge 16 pontos, abrindo três de vantagem sobre Palmeiras e Fluminense, que figuram na segunda e terceira posições, respectivamente. O Red Bull Bragantino, por sua vez, caiu para a oitava colocação, mantendo seus oito pontos.

Primeiro Tempo: poucas emoções e vantagem do Massa Bruta

A etapa inicial do jogo foi marcada por poucas oportunidades claras para ambos os lados. Atuando em casa, o Bragantino teve uma boa chance aos 20 minutos com Mosquera, que finalizou rasteiro, mas a bola passou perto da meta defendida por Rafael. O São Paulo respondeu nove minutos depois, quando Lucas, após ajeitada de Luciano, chutou forte e obrigou o goleiro Cleiton a fazer uma grande defesa.

Na reta final do primeiro tempo, os mandantes conseguiram controlar o jogo e abriram o placar. Aos 36 minutos, uma rebatida infeliz de Alan Franco em um cruzamento deixou a bola livre para Herrera, que não perdoou e balançou as redes. O São Paulo pressionou nos acréscimos, mas não conseguiu reverter a desvantagem antes do intervalo.

Segundo Tempo: virada tricolor e liderança assegurada

A segunda etapa começou com um ritmo completamente diferente, especialmente para o lado são-paulino. Aos oito minutos, em cobrança de falta, Danielzinho cruzou a bola na área, e Sabino acertou um chute de primeira, sem chances para Cleiton, deixando tudo igual no placar. O Bragantino quase retomou a vantagem aos 19, em nova cobrança de falta, mas Juninho Capixaba parou em uma brilhante defesa de Rafael.

No entanto, foi o São Paulo quem conseguiu a virada. Quatro minutos depois do empate, após um lançamento de Marcos Antônio e um cruzamento de Lucas Ramon, o goleiro Cleiton saiu mal, e Calleri aproveitou para cabecear e marcar o segundo gol tricolor. Na reta final, o Bragantino se lançou ao ataque em busca do empate, criando alguns perigos, mas a defesa são-paulina se manteve sólida, assegurando a importante vitória fora de casa e a liderança do Campeonato Brasileiro.

Próximos desafios

O Red Bull Bragantino enfrentará o Bahia pela 7ª rodada do Brasileirão, na próxima quarta-feira (18.03), às 19h (de Brasília), na Arena Fonte Nova, em Salvador.

O São Paulo terá um desafio contra o Atlético-MG, no mesmo dia, às 20h (de Brasília), na Arena MRV, em Belo Horizonte, buscando consolidar sua posição na ponta da tabela.

FICHA TÉCNICA
                                      RED BULL BRAGANTINO 1 x 2 SÃO PAULO
Competição Campeonato Brasileiro (6ª rodada)
Local Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, em Bragança Paulista (SP)
Data 15 de março de 2026 (domingo)
Horário 20h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos Gabriel, Herrera, Lucas Barbosa e Juninho Capixaba (Red Bull Bragantino); Calleri, Bobadilla e Enzo Díaz (São Paulo)
Cartões Vermelhos Nenhum
Gols Herrera, aos 36′ do 1ºT (Red Bull Bragantino)
Sabino, aos 08′ do 2ºT (São Paulo)
Calleri, aos 23′ do 2ºT (São Paulo)
Arbitragem Bruno Arleu de Araújo (Árbitro); Thiago Henrique Neto Correa Farinha e Thayse Marques Fonseca (Assistentes); Rodolpho Toski Marques (VAR).
Escalação Red Bull Bragantino Cleiton; Hurtado (Vinicinho), Alix Vinícius, Gustavo Marques e Juninho Capixaba; Gabriel (Matheus Fernandes), Gustavo Neves (Rodriguinho), Herrera (Isidro Pitta) e Lucas Barbosa; Henry Mosquera e Eduardo Sasha (Ryan).
Técnico: Vagner Mancini.
Escalação São Paulo Rafael; Lucas Ramon, Alan Franco, Sabino e Enzo Diaz; Danielzinho (Pablo Maia), Bobadilla (Arboleda) e Marcos Antônio; Lucas (Cauly), Luciano (Ferreirinha) e Calleri (André Silva).
Técnico: Roger Machado.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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