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São Paulo vence o Juventude ganha fôlego no Brasileirão

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O São Paulo finalmente conseguiu engrenar no Campeonato Brasileiro. Na noite desta quinta-feira (24), o Tricolor venceu o Juventude por 1 a 0, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS), encerrando a 16ª rodada da competição. Um gol decisivo de Luciano, após jogada iniciada por Ferreirinha, garantiu a segunda vitória consecutiva da equipe paulista.

Com o resultado, o São Paulo respirou na tabela de classificação, afastando-se das últimas posições. A equipe do técnico Hernán Crespo agora soma 19 pontos, saltando para a 12ª colocação e abrindo uma vantagem de cinco pontos sobre o Santos, primeiro time na zona de rebaixamento. Para o Juventude, a situação se mantém delicada, com o clube gaúcho permanecendo na 18ª posição, com os mesmos 11 pontos, dentro do Z4.

O Jogo

A partida começou com chances para ambos os lados. O Juventude teve a primeira finalização com Gabriel Veron, e o São Paulo respondeu com chutes de André Silva e, mais tarde, de Bobadilla e Alisson, que exigiram boas defesas do goleiro Gustavo. O Tricolor quase abriu o placar aos 14 minutos, em finalização de Bobadilla defendida por Gustavo.

Ainda na primeira etapa, Marcos Antônio chutou por cima, e um lance envolvendo Marcelo Hermes e Cédric Soares gerou reclamações de toque de mão, mas o VAR manteve a decisão de campo. Perto do intervalo, Alisson finalizou bem, forçando Gustavo a fazer uma grande defesa e mantendo o placar zerado.

No segundo tempo, o São Paulo manteve a postura ofensiva. André Silva e Wendell quase abriram o placar nos primeiros minutos, com a bola passando rente ao travessão. Apesar de um ritmo um pouco menor na sequência da etapa, o Tricolor seguiu buscando o gol da vitória.

A persistência são-paulina foi recompensada na parte final da partida. Ferreirinha, que havia acabado de entrar na segunda etapa, fez uma grande jogada pela esquerda, dando uma caneta no marcador e invadindo a grande área. Ele cruzou para o meio, Marcos Antônio ajeitou a bola para Luciano, que apenas empurrou para o fundo das redes, garantindo a vitória do São Paulo por 1 a 0.

Próximos confrontos

Os dois clubes já se preparam para a 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. O São Paulo terá um desafio em casa, recebendo o Fluminense neste domingo (27), às 16h (de Brasília), no Morumbis. Já o Juventude buscará a reabilitação diante do Bahia, no mesmo dia, mas a partir das 18h30, na Arena Fonte Nova.

FICHA TÉCNICA

JUVENTUDE 0 x 1 SÃO PAULO

Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul (RS)
Data: 24/07/2025
Horário: 19h (de Brasília)
Árbitro: Sávio Pereira Sampaio (DF)
Assistentes: Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE) e Daniel Henrique da Silva Andrade (DF)
VAR: Igor Junio Benevenuto de Oliveira (MG)
Cartões amarelos: Marcos Paulo, Gilberto e Caíque (Juventude) / André Silva e Luciano (São Paulo)

GOL: Luciano, aos 40′ do 2ºT (São Paulo)

JUVENTUDE: Gustavo; Reginaldo, Wilker Ángel, Marcos Paulo (Abner) e Marcelo Hermes; Caíque, Jadson e Mandaca (Nenê); Gabriel Veron (Gabriel Taliari), Batalla (Ênio) e Gilberto (Matheus Babi). Técnico: Cláudio Tencati

SÃO PAULO: Rafael; Arboleda, Ferraresi e Sabino; Cédric Soares (Rodriguinho), Marcos Antônio (Pablo Maia), Alisson (Luan), Bobadilla e Wendell (Enzo Díaz); Luciano e André Silva (Ferreirinha). Técnico: Hernán Crespo

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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