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São Paulo vence Internacional no Beira-Rio e consolida boa fase no Brasileirão
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Em um confronto acirrado no Beira-Rio, o São Paulo conquistou uma vitória crucial de 2 a 1 sobre o Internacional neste domingo, pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. Os zagueiros Arboleda e Bobadilla foram os responsáveis pelos gols que garantiram o triunfo tricolor, enquanto Bruno Tabata, de pênalti, descontou para o Colorado nos minutos finais.
Com este resultado, o São Paulo celebra sua quinta vitória consecutiva na temporada, estendendo sua sequência invicta para seis partidas. O triunfo em terras gaúchas impulsiona o time a se aproximar do G6 do Brasileirão, grupo que assegura vaga na próxima edição da Copa Libertadores, reforçando a ambição do clube na competição.
O jogo
O primeiro tempo da partida foi marcado por uma intensa disputa física e poucas chances claras de gol. Ambas as equipes travaram um duelo no meio-campo, com muita marcação e pouca criatividade. A primeira oportunidade de perigo só surgiu aos 18 minutos, com Alan Benítez finalizando cruzado e obrigando o goleiro Rafael a realizar uma importante defesa.
Após um período de dificuldades na construção de jogadas, o São Paulo, sob o comando do técnico Crespo, conseguiu se ajustar e passou a frequentar mais o campo de ataque. A persistência foi recompensada pouco antes do intervalo: aos 43 minutos, Enzo Díaz cobrou escanteio com precisão, e Arboleda subiu soberano na área para cabecear firme, balançando as redes e colocando o Tricolor paulista em vantagem.
Segundo tempo
A etapa complementar começou com o São Paulo buscando ampliar o placar. Logo no início, Enzo Díaz, novamente de escanteio, serviu Luciano, que cabeceou por cima do travessão. O Internacional chegou a balançar as redes com Borré após um bate-rebate na área, mas o lance foi anulado por falta de Mercado em Enzo Díaz.
O Tricolor ainda teve outra boa chance de ampliar com André Silva, que recebeu cruzamento de Marcos Antônio e cabeceou com força, mas parou em defesa de Rochet. A partir da metade do segundo tempo, o Internacional aumentou a pressão na busca pelo empate, dominando as ações e levando perigo constante à meta são-paulina.
No entanto, em um momento em que o empate parecia mais próximo para os donos da casa, Bobadilla surpreendeu. O atacante paraguaio aproveitou uma sobra após cobrança de escanteio, ajeitou e finalizou com categoria no cantinho, sem chances para Rochet, ampliando a vantagem para o São Paulo.
Antes do apito final, o Inter ainda teve um pênalti a seu favor, assinalado após revisão do VAR por contato de Pablo Maia em Carbonero dentro da área. Bruno Tabata foi para a cobrança e converteu, dando números finais à partida aos 43 minutos do segundo tempo.
Próximos desafios
As duas equipes agora voltam suas atenções para a Copa do Brasil no meio de semana. O São Paulo visitará o Athletico-PR na Ligga Arena na próxima quarta-feira, às 19h30 (de Brasília), pelo jogo de volta das oitavas de final. Já o Internacional terá um clássico pela frente, enfrentando o Fluminense no Maracanã no mesmo dia, às 21h30 (de Brasília), também pelo torneio nacional.
FICHA TÉCNICA
INTERNACIONAL 1 X 2 SÃO PAULO
Local: Beira-Rio, em Porto Alegre (RS)
Data:03/08/2025
Horário: 20h30 (de Brasília)
Árbitro: Alex Gomes Stefano (RJ)
Assistentes: Rodrigo Henrique Correa (RJ) e Rejane Caetano da Silva (RJ)
VAR: Pablo Ramon Gonçalves Pinheiro (RN)
Cartões amarelos: Luciano (São Paulo); Valencia, Borré (Internacional)
Gols: Arboleda, aos 43 do 1ºT, Bobadilla, aos 31 do 2ºT (São Paulo); Bruno Tabata, aos 43 do 2ºT (Internacional)
INTERNACIONAL: Rochet; Juninho, Mercado e Clayton (Thiago Maia); Alan Benítez, Luis Otávio (Richard), Alan Rodríguez (Wesley), Tabata e Bernabei; Borré (Carbonero) e Enner Valencia (Ricardo Mathias). Técnico: Roger Machado.
SÃO PAULO: Rafael; Ferraresi, Arboleda e Sabino; Cédric Soares, Marcos Antônio, Bobadilla (Luan), Alisson (Pablo Maia) e Enzo Díaz; Luciano (Lucas Ferreira) e André Silva (Tapia). Técnico: Hernán Crespo.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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