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São Paulo quebra sequência do Vasco e vence em São Januário, sonhando com G6
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Em um confronto direto por posições na tabela do Campeonato Brasileiro, o São Paulo superou o Vasco da Gama por 2 a 0, na noite deste domingo, em São Januário. A vitória tricolor foi construída com gols de Lucas Moura, de pênalti, e Luiz Gustavo, e pôs fim à sequência de quatro vitórias consecutivas da equipe carioca.
O resultado impulsiona o São Paulo para a oitava colocação, somando 44 pontos, e o coloca a apenas quatro pontos do Botafogo, que fecha o G6, e a três do Fluminense, sétimo colocado – posição que pode garantir vaga na próxima edição da Libertadores, caso o Brasil abra uma vaga extra devido à final nacional entre Flamengo e Palmeiras. O Vasco, por sua vez, estaciona nos 42 pontos, caindo para a nona posição e vendo a distância para o topo aumentar.
O jogo
A etapa inicial foi marcada por um jogo de alternância de domínios. O São Paulo teve a primeira finalização com Tapia, mas sem perigo. O Vasco logo assumiu as rédeas da partida, criando as oportunidades mais claras. Em escanteio cobrado por Coutinho, Rayan cabeceou com força, acertando a trave de Rafael, que apenas torceu. Na sequência, Robert Renan arriscou de fora da área e obrigou o goleiro são-paulino a fazer uma grande defesa.
O Tricolor, apesar de ter menos posse, também assustou. Aos 23 minutos, Alan Franco acionou Tapia, que cruzou para a área, mas ninguém chegou para finalizar. Pouco antes do intervalo, aos 38, Tapia tabelou com Bobadilla e finalizou cara a cara com Léo Jardim, que salvou o Vasco. A partida parecia se encaminhar para o intervalo sem gols, mas os acréscimos reservaram emoção.
Aos 47 minutos, após cobrança de escanteio de Maílton, Arboleda foi derrubado na área por Paulo Henrique. O VAR interveio, e o árbitro, após revisão, assinalou a penalidade máxima. Lucas Moura, que não marcava há sete jogos, cobrou com precisão no canto direito de Léo Jardim, abrindo o placar para o São Paulo.
Segundo tempo
O Vasco voltou para o segundo tempo determinado a buscar o empate. Aos sete minutos, Paulo Henrique serviu Andrés Gómez, que encontrou Coutinho, e o chute passou perto da trave de Rafael. Pouco depois, em nova investida, Andrés Gómez invadiu a área e finalizou, exigindo mais uma intervenção importante de Rafael para manter a vantagem tricolor.
Apesar da pressão vascaína, o São Paulo demonstrou resiliência. Aos 16 minutos, em sua primeira finalização perigosa da etapa final, após um levantamento de Enzo e escorada de Lucas, Sabino chutou de fora da área, obrigando Léo Jardim a defender. O golpe final viria aos 40 minutos. Após Rigoni perder uma chance de liquidar a partida, Luiz Gustavo apareceu para selar a vitória. Ferreirinha cruzou a bola na área, e o volante cabeceou com firmeza, dando números finais ao placar.
Próximos desafios
Ambas as equipes terão compromissos pela 32ª rodada do Campeonato Brasileiro na próxima quarta-feira.
- Vasco fará o clássico contra o Botafogo no Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ), às 19h30 (de Brasília).
- São Paulo terá um confronto de peso contra o Flamengo na Vila Belmiro, em Santos (SP), às 21h30 (de Brasília).
FICHA TÉCNICA
VASCO 0 X 2 SÃO PAULO
Competição: Campeonato Brasileiro (31ª rodada)
Local: São Januário, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 2 de novembro de 2025 (domingo)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Arbitragem:
- Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
- Assistentes: Marcia Bezerra Lopes Caetano (RO) e Leone Carvalho Rocha (GO)
- VAR: Wagner Reway (SC)
Gols:
- São Paulo: Lucas Moura (51′ 1ºT), Luiz Gustavo (41′ 2ºT)
Cartões Amarelos:
- Vasco: Paulo Henrique, Nuno Moreira
VASCO:
- Léo Jardim
- Paulo Henrique
- Carlos Cuesta
- Robert Renan
- Lucas Piton (David)
- Barros (Matheus França)
- Tchê Tchê (GB)
- Coutinho (Mateus Carvalho)
- Rayan
- Andrés Gómez
- Nuno Moreira (Vegetti)
- Técnico: Fernando Diniz
SÃO PAULO:
- Rafael
- Sabino
- Arboleda
- Alan Franco
- Maílton (Ferraresi)
- Pablo Maia
- Bobadilla (Luiz Gustavo)
- Marcos Antônio (Alisson)
- Enzo Díaz
- Lucas Moura (Rigoni)
- Gonzalo Tapia (Ferreira)
- Técnico: Hernán Crespo
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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