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São Paulo perde para o Red Bull Bragantino e se distancia do G7

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O sonho de uma vaga na próxima Copa Libertadores da América sofreu um revés para o São Paulo na noite deste sábado. Em partida válida pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, disputada na Vila Belmiro, o Tricolor foi superado pelo Red Bull Bragantino por 1 a 0. O único gol do confronto foi marcado de pênalti por Jhon Jhon, que selou a vitória da equipe do interior paulista.

Com a derrota, o São Paulo desperdiçou uma preciosa oportunidade de encostar no G7, grupo que garante a classificação para a competição continental. A equipe permanece na oitava colocação da tabela, com a distância para o objetivo aumentando na reta final da temporada.

Primeiro Tempo

O início da partida mostrou um São Paulo determinado a abrir o placar. Aos 16 minutos, Luciano aproveitou uma sobra na entrada da área e, após driblar a marcação, finalizou rasteiro, mas a bola passou tirando tinta da trave do goleiro Cleiton. Pouco depois, Lucas Moura recebeu passe de Bobadilla e arriscou um disparo de fora da área, que também assustou o arqueiro adversário ao passar muito perto do poste.

Com a defesa do Red Bull Bragantino bem postada, o Tricolor insistiu em chutes de média distância. Aos 28, Bobadilla tentou a sorte, e a finalização desviou na zaga, obrigando Cleiton a se esticar para espalmar a bola para escanteio, mantendo o placar inalterado.

Segundo Tempo

Para a etapa complementar, o técnico Hernán Crespo promoveu uma alteração tática, retirando Lucas Moura para a entrada de Gonzalo Tapia, na esperança de dar mais ofensividade ao time. No entanto, a mudança não surtiu o efeito desejado. O São Paulo continuou enfrentando dificuldades para penetrar na zaga adversária e criar lances de perigo.

O Red Bull Bragantino, por sua vez, demonstrou maior efetividade. Aos 26 minutos do segundo tempo, um lance capital mudou o rumo da partida: Enzo Díaz cometeu pênalti em Lucas Barbosa dentro da área. Jhon Jhon, com frieza, assumiu a responsabilidade e, deslocando o goleiro Rafael, converteu a cobrança, abrindo o placar para os visitantes.

Nos minutos finais, o São Paulo tentou uma reação em busca do empate, mas esbarrou no sólido sistema defensivo do Bragantino, comandado com maestria por Vágner Mancini. A equipe tricolor não conseguiu encontrar espaços e teve que se conformar com a derrota em casa.

Próximos desafios

A agenda do São Paulo agora prevê um clássico importante. A equipe volta a campo somente no próximo dia 20 de novembro, às 19h30 (de Brasília), para enfrentar o Corinthians na Neo Química Arena, em partida válida pela 34ª rodada do Brasileirão.

Já o Red Bull Bragantino terá um confronto antecipado. A equipe enfrentará o Atlético-MG no dia 16 de novembro, um domingo, em Bragança Paulista. O duelo foi adiantado devido à classificação do Galo para a final da Copa Sul-Americana.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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