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São Paulo perde e sai em desvantagem contra a LDU na Libertadores
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O São Paulo sofreu um revés doloroso nesta quinta-feira (18.09), ao ser derrotado por 2 a 0 pela LDU, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito. O resultado, que encerrou uma invencibilidade recorde de 17 jogos do Tricolor na Copa Libertadores, coloca a equipe paulista em desvantagem na busca por uma vaga nas semifinais do torneio continental. Bryan Ramírez e Estrada foram os responsáveis pelos gols equatorianos.
A última derrota do São Paulo na Libertadores havia ocorrido em 4 de abril de 2024, contra o Talleres, na Argentina. A quebra da sequência invicta aumenta a pressão para o jogo de volta.
Cenário para a Classificação
O confronto decisivo entre São Paulo e LDU acontecerá na próxima quinta-feira, às 19h (de Brasília), no Morumbis. Para avançar diretamente à semifinal, o Tricolor precisará de uma vitória por três ou mais gols de diferença. Um triunfo por dois gols de vantagem levará a decisão para as penalidades máximas. Qualquer outro resultado, como um empate ou uma derrota por um gol, garantirá a classificação da equipe equatoriana.
Antes do embate decisivo pela Libertadores, o São Paulo terá um compromisso pelo Campeonato Brasileiro, enfrentando o Santos no próximo domingo, na Vila Belmiro. O vencedor do duelo entre São Paulo e LDU enfrentará o classificado de Palmeiras x River Plate. O Verdão largou em vantagem, vencendo o River por 2 a 1 no Monumental de Núñez, em Buenos Aires.
O Jogo
A partida em Quito começou com o São Paulo demonstrando controle e posse de bola, superando os 60% em certo momento. No entanto, foi a LDU quem abriu o placar de forma cirúrgica. Aos 15 minutos, um lançamento preciso de Allala encontrou Bryan Ramírez, que se livrou da marcação de Cédric Soares e, cara a cara com Rafael, finalizou sem deixar a bola cair, vendo-a beijar a trave antes de entrar.
Após o gol, o São Paulo encontrou dificuldades para furar a sólida defesa da LDU. A equipe de Hernán Crespo pecava na transição, trocando passes horizontais sem conseguir romper as linhas adversárias. A melhor oportunidade tricolor no primeiro tempo surgiu aos 44 minutos, quando Enzo Díaz cruzou para Luciano, que finalizou de voleio, mas mandou à esquerda do goleiro Gonzalo Valle.
Segundo tempo
O segundo tempo começou promissor para o São Paulo, com Luciano tendo duas boas chances de igualar o marcador. Na primeira, driblou o goleiro, mas a finalização foi interceptada por um defensor da LDU (o lance, contudo, foi anulado por impedimento). Pouco depois, o camisa 10 recebeu dentro da área e chutou no canto, obrigando Gonzalo Valle a fazer uma grande defesa. Aos 30 minutos, Ferreirinha também arriscou, mas seu chute foi desviado pela defesa equatoriana.
Contrariando a expectativa de que o São Paulo embalaria para o empate, a LDU foi novamente letal. Após uma perda de bola de Pablo Maia no campo de defesa, Estrada aproveitou a oportunidade dentro da área e finalizou sem chances para Rafael, ampliando o placar para 2 a 0 e garantindo uma vantagem expressiva para o jogo de volta.
A derrota exige uma atuação impecável do São Paulo no Morumbis para reverter o cenário e manter vivo o sonho do tetra da Libertadores.
Ficha Técnica
LDU 2 x 0 São Paulo
Competição: Copa Libertadores
Local: Estádio Rodrigo Paz Delgado (Casa Blanca), em Quito (Equador)
Data: 18 de setembro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 19h (de Brasília)
Gols:
- LDU: Bryan Ramírez, aos 15 do 1ºT; Estrada, aos 34 do 2ºT
Cartões:
- Amarelos: Arboleda (São Paulo); Tiago Nune, Quiñonez, Villamil (LDU)
Arbitragem:
- Árbitro: Yael Falcon (ARG)
- Assistentes: Facundo Rodríguez (ARG) e Jasoé Savorani (ARG)
- VAR: Jorge Baliño (ARG)
Escalações:
LDU: Gonzalo Valle; Ricardo Adé, Gian Allala e Quiñonez; Carlos Gruezo, Connejo (Minda), Quintero (Cuero) e Villamil; Ramírez, Alzugray (Pastrán) e Jeison Medina (Cabeza) (Estrada). Técnico: Tiago Nunes.
São Paulo: Rafael; Ferraresi, Arboleda e Alan Franco; Cédric Soares (Mailton), Pablo Maia, Bobadilla (Rodriguinho), Marcos Antônio e Enzo Díaz; Rigoni (Ferreira) e Luciano. Técnico: Hernán Crespo.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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