Esportes
Santos vence Cruzeiro por 3 a 0 e garante permanência na Série A do Brasileirão
Esportes
;
O Santos Futebol Clube respirou aliviado neste domingo ao cravar sua permanência na Série A do Campeonato Brasileiro, superando o Cruzeiro por 3 a 0 em um confronto decisivo na Vila Belmiro. A vitória não apenas afastou o fantasma do rebaixamento na última rodada, como também assegurou ao Peixe uma vaga na Copa Sul-Americana de 2026.
O grande destaque da tarde foi Thaciano, que, inicialmente contestado pela torcida, transformou vaias em aplausos com dois gols rápidos no primeiro tempo. João Schmidt completou o placar para o Alvinegro Praiano, que encerrou sua campanha na 12ª posição, com 47 pontos.
Thaciano, o herói improvável
A expectativa era grande na Vila Belmiro, com o Santos precisando da vitória para selar seu futuro na elite do futebol nacional. O técnico Juan Pablo Vojvoda surpreendeu ao escalar Thaciano entre os titulares, uma decisão que se mostrou certeira. O meia-atacante, que chegou a ser alvo de assobios da arquibancada, calou os críticos em apenas dois minutos.
O time da casa começou pressionando, buscando encurralar o adversário. Neymar e Guilherme criaram boas chances nos primeiros minutos, e um susto do Cruzeiro, com um gol de Gabigol anulado por impedimento, manteve a tensão. No entanto, aos 25 minutos, Guilherme cobrou um escanteio preciso e Thaciano subiu para cabecear, abrindo o placar. Mal deu tempo para a torcida comemorar, e aos 27, Igor Vinícius tabelou com Neymar e cruzou para a área, onde Thaciano apareceu livre para ampliar, levando a Vila Belmiro ao delírio. O Santos ainda teve outras oportunidades de aumentar a vantagem no primeiro tempo, com Guilherme carimbando a trave.
Cruzeiro com foco na Copa do Brasil
No segundo tempo, o Cruzeiro, que optou por uma escalação alternativa visando a semifinal da Copa do Brasil, teve mais um gol anulado por impedimento, desta vez com Rayan. O Santos, por sua vez, manteve o ritmo e consolidou sua vitória. Aos 14 minutos, em mais uma cobrança de escanteio de Guilherme, João Schmidt subiu e cabeceou para o fundo das redes, marcando o terceiro gol e selando a tranquilidade.
Com a vitória garantida, o Peixe administrou o resultado nos minutos finais, celebrando a permanência na Série A e a classificação para o torneio continental.
Para o Cruzeiro, que terminou o Brasileirão em um honroso terceiro lugar com 70 pontos, a atenção agora se volta para o desafio da Copa do Brasil. A equipe mineira enfrentará o Corinthians no Mineirão, em Belo Horizonte, no dia 10 de dezembro, às 21h30 (de Brasília), pela semifinal da competição.
| FICHA TÉCNCA | |
|---|---|
| Santos 3 x 0 Cruzeiro | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (38ª rodada) |
| Local | Vila Belmiro, em Santos (SP) |
| Data | 07 de dezembro de 2025 (domingo) |
| Horário | 16 horas (de Brasília) |
| Público | 15.068 |
| Renda | R$743.978,75 |
| Cartões Amarelos | Santos: Thaciano, Guilherme Cruzeiro: Rayan, Gabi |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Rodrigo Jose Pereira de Lima (PE) |
| Assistentes | Bruno Boschilia (PR) e Alex dos Santos (SC) |
| VAR | Caio Max Augusto Vieira (GO) |
| Gols (Santos) | Thaciano, aos 25 do 1ºT Thaciano, aos 27 do 1ºT João Schmidt, aos 14 do 2ºT |
| Escalação Santos | Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Zé Ivaldo e Souza; João Schmidt (Bontempo), Willian Arão (Tomás Rincón) e Neymar; Barreal (Rollheiser), Guilherme (Robinho) e Thaciano (Tiquinho Soares) |
| Escalação Cruzeiro | Léo Aragão; Fagner, João Marcelo, Jonathan Jesus e Kauã Prates; Walace (Murilo), Matheus Henrique, Japa (Ryan Guilherme) e Eduardo (Arroyo); Rayan (Kaique Kenji) e Gabigol (Bolasie) |
Fonte: Esportes
Esportes
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
;
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
-
Cultura7 dias atrásFérias: museus de São Paulo oferecem programação especial gratuita
-
Entretenimento6 dias atrásBianca Rinaldi homenageia enteada em aniversário e celebra relação de carinho
-
Polícia Federal6 dias atrásCCJ da Câmara aprova proposta que busca otimizar reforço vacinal
-
Política6 dias atrás‘Copa do Judiciário’ expande campanha para 2o Grau de jurisdição e aproxima TJMT do Selo Diamante
-
Agricultura4 dias atrásPecuária reage a exigências da União Europeia e cobra autonomia sobre uso de medicamentos
-
Variedades7 dias atrásMulheres pedem aprovação imediata do projeto que torna a misoginia crime
-
Entretenimento7 dias atrásAlessandra Ambrosio esbanja sensualidade ao fazer topless mar: ‘Entre a terra e o mar’
-
Variedades6 dias atrásComissão aprova proposta com novas regras para placas de atendimento prioritário
