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Santos e Corinthians ficam no 1 a 1 em jogo movimentado na Vila Belmiro

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O clássico paulista entre Santos e Corinthians terminou em um empate de 1 a 1 na tarde deste domingo (15.03), na Vila Belmiro, pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Em um confronto de reviravoltas e emoções, Memphis Depay quebrou um jejum pessoal ao abrir o placar para o Timão, mas Gabigol garantiu a igualdade para o Peixe em um jogo marcado também pela discreta atuação de Neymar e por desfalques no final da partida.

O resultado pouco altera a situação das equipes na tabela do Brasileirão. O Santos, agora com seis pontos, galga uma posição e ocupa o 13º lugar, enquanto o Corinthians soma oito pontos, alcançando a sexta colocação.

Primeiro tempo 

O Peixe começou o jogo com ímpeto, assustando o adversário logo no primeiro minuto com uma finalização de Christian Oliva que raspou a trave. Aos dez, Barreal também testou o goleiro Hugo Souza com um chute rasteiro, mostrando a pressão santista.

Apesar do domínio inicial do Santos, o Corinthians foi quem abriu o marcador aos 17 minutos. Em uma rápida escapada pela direita, Kaio César inverteu para Memphis Depay. O atacante, com categoria, fintou a marcação e chutou colocado da entrada da área, sem chances para Gabriel Brazão, calando a torcida presente na Vila.

A alegria corintiana, contudo, durou pouco. Aos 21, uma saída de bola errada de Gabriel Paulista deixou Gabigol em ótima condição. O atacante santista invadiu a área com liberdade e tocou na saída de Hugo, empatando o clássico e levando a torcida à loucura. Antes do intervalo, o Corinthians ainda teve chances em jogadas de bola aérea e com Kaio César, que exigiram boas defesas de Brazão.

Etapa Final com Drama e Chances Perdidas

O segundo tempo foi inicialmente mais truncado, com ambas as equipes apresentando dificuldades na criação. O Corinthians mantinha a posse de bola, mas sem conseguir furar a defesa santista, que também não conseguia ser efetiva no ataque.

A emoção retornou nos minutos finais. Aos 36, Rollheiser cruzou para a área e Neymar, que teve uma atuação apagada na maior parte do jogo, desviou de cabeça, mas a bola foi para fora. O drama aumentou para o Santos quando Luan Peres foi expulso, deixando a equipe com um a menos. Mesmo assim, o Timão só conseguiu incomodar novamente aos 43, em cobrança de falta de Rodrigo Garro que forçou Gabriel Brazão a trabalhar.

Nos acréscimos, o Santos ainda sofreu mais um revés com a lesão de Vinícius Lira, terminando a partida com dois jogadores a menos. Apesar das adversidades, Neymar teve a última chance do jogo em uma cobrança de falta perto da área, mas seu chute rasteiro foi para fora, selando o empate no clássico.

Próximos confrontos

O Santos agora se prepara para enfrentar o Internacional pela sétima rodada do Brasileirão, em partida agendada para a quarta-feira, 18 de março, às 21h30 (de Brasília), na Vila Belmiro. Já o Corinthians viajará para Chapecó, onde enfrentará a Chapecoense na Arena Condá, na quinta-feira, 19 de março, também às 21h30 (de Brasília).

FICHA TÉCNICA
                                                 SANTOS 1 x 1 CORINTHIANS
Competição Campeonato Brasileiro (6ª rodada)
Local Vila Belmiro, em Santos (SP)
Data 15 de março de 2026 (domingo)
Horário 16h (de Brasília)
Público 15.008 torcedores
Renda R$ 1.006.278,40
Cartões Amarelos Kaio César (Corinthians); Barreal, Rony, Rollheiser e Luan Peres (Santos)
Cartões Vermelhos Luan Peres (Santos)
Árbitro Flávio Rodrigues de Souza (SP)
Assistentes Danilo Ricardo Simon Manis (SP) e Gustavo Rodrigues de Oliveira (SP)
VAR Wagner Reway (SC)
Gols Memphis Depay, aos 17′ do 1ºT (Corinthians)
Gabigol, aos 21′ do 1ºT (Santos)
Escalação Santos Gabriel Brazão; Adonis Frías, Zé Ivaldo e Luan Peres; Rony, Gustavo Henrique (Gabriel Menino), Oliva (Rollheiser), Gabriel Bontempo (Willian Arão) e Barreal (Vinícius Lira); Neymar e Gabigol (Thaciano).
Técnico: Gastón Liendo
Escalação Corinthians Hugo Souza; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu; Raniele (Pedro Raul), André (Rodrigo Garro), Carrillo (Allan) e Breno Bidon; Kaio César (Kayke) e Memphis Depay.
Técnico: Dorival Júnior

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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