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Real Madrid supera expulsão precoce e vence Pachuca por 3 a 1 no Mundial de Clubes

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O Real Madrid iniciou sua campanha no Mundial de Clubes com o pé direito, conquistando uma vitória por 3 a 1 sobre o Pachuca, do México, neste domingo, no Bank of America Stadium, em Charlotte, EUA. O resultado, válido pela segunda rodada do Grupo H, foi ainda mais impressionante porque a equipe merengue atuou com um jogador a menos durante a maior parte do confronto, após a expulsão precoce de Asensio.

Os gols que garantiram a vitória madridista foram anotados por Bellingham, Arda Guler e Valverde, enquanto Montiel descontou para os mexicanos.

Com este triunfo, o Real Madrid alcançou quatro pontos e assumiu a liderança do Grupo H. O Red Bull Salzburg, com três pontos, pode ultrapassar os espanhóis caso vença o Al Hilal ainda neste domingo.

Início turbulento e gols Merengues

A partida começou de forma desfavorável para o Real Madrid. Logo aos seis minutos, Asensio foi expulso após derrubar Rondón na entrada da área, em uma jogada clara que deixaria o atacante mexicano em ótima posição para marcar.

Com a vantagem numérica, o Pachuca passou a pressionar, criando boas chances. Aos nove minutos, Kenedy recebeu em profundidade e finalizou para fora. O brasileiro voltou a assustar, exigindo duas ótimas defesas de Courtois em sequência, primeiro em um chute forte e depois no rebote de Bautista.

No entanto, a ineficácia do Pachuca foi castigada. Aos 34 minutos, Jude Bellingham abriu o placar para o Real Madrid. Recebendo de Fran García, o meio-campista inglês invadiu a área e bateu rasteiro no canto, sem chances para o goleiro adversário.

Ainda no primeiro tempo, mesmo com um a menos, a qualidade do Real Madrid se sobressaiu. Aos 42, Alexander-Arnold rolou para Gonzalo García, que ajeitou de primeira para Arda Guler. O jovem turco dominou e bateu cruzado, ampliando o marcador e dando mais tranquilidade aos comandados de Xabi Alonso.

Pachuca pressiona, Real mata o jogo

No segundo tempo, com a vantagem numérica e precisando buscar o resultado, o Pachuca intensificou sua pressão no ataque. Bryan González testou Courtois com um chute de fora da área, e Montiel cabeceou com perigo, passando muito perto da trave. John Kennedy, ex-Fluminense, também assustou com um chute de longa distância.

No entanto, enquanto o Pachuca se lançava ao ataque, o Real Madrid aguardava a oportunidade para o contra-ataque fatal. E foi exatamente isso que aconteceu aos 25 minutos do segundo tempo. Valverde tabelou com Brahim Díaz, correu para a área e recebeu um passe por elevação, completando de carrinho para o fundo das redes, o terceiro gol merengue, que praticamente “matou o jogo”.

Gol de honra mexicano

Apesar da goleada iminente, o Pachuca conseguiu seu gol de honra já na reta final da partida. Aos 35 minutos, Montiel arriscou um chute da entrada da área que desviou em Tchouameni, enganando Courtois e dando números finais ao confronto em Charlotte: Real Madrid 3, Pachuca 1.

Próximos confrontos

O Real Madrid volta a campo na próxima quinta-feira, às 22h (horário de Brasília), para enfrentar o Red Bull Salzburg, da Áustria, no Lincoln Field, na Filadélfia. No mesmo dia e horário, o Pachuca terá pela frente o Al Hilal, da Arábia Saudita, em busca da recuperação no Grupo H.

FICHA TÉCNICA

REAL MADRID (ESP) 3 X 1 PACHUCA (MEX)

Local: Bank of America Stadium, em Charlotte (EUA)
Data: 22/06/2025
Horário: 16h (de Brasília)
Árbitro: Ramon Abatti (BRA)
Assistentes: Danilo Manis (BRA) e Rafael Alves (BRA)
Gols: Bellingham, aos 32 do 1ºT, Arda Guler, aos 42 do 1ºT, Valverde, aos 25 do 2ºT (Real Madrid); Montiel, aos 35 do 2ºT (Pachuca)
Cartões amarelos: Palavecino (Pachuca)
Cartão vermelho: Asencio (Real Madrid)

REAL MADRID: Courtois; Alexander-Arnold (Rudiger), Asencio, Huijsen e Fran Gracía; Tchouameni, Arda Guler (Modric) e Bellingham (Ceballos); Valverde, Vini Jr. (Muñoz) e Gonzalo García (Brahim Díaz). Técnico: Xabi Alonso.

PACHUCA: Carlos Moreno; Federico Pereira, Eduardo Bauermann, Luis Rodríguez (Javier López) e Bryan González; Palavecino (Guzmán), Elías Montiel e Alan Bautista (John Kennedy); Alexei Domínguez (Gustavo Cabral), Kenedy (Carlos Sánchez) e Salomón Rondón. Técnico: Jaime Lozano.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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