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PSG atropela Real Madrid e garante vaga na final do Mundial de Clubes
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Em uma exibição de força e eficiência, o Paris Saint-Germain goleou o Real Madrid por 4 a 0 nesta quarta-feira (09.07), em confronto válido pela semifinal do Mundial de Clubes, disputado no MetLife Stadium. O resultado avassalador carimbou o passaporte da equipe francesa para a grande decisão do torneio, onde enfrentará o Chelsea.
Os gols do PSG foram marcados por Fabián Ruiz, que balançou as redes duas vezes, Dembélé e Gonçalo Ramos, selando uma vitória histórica. Para o Real Madrid, a derrota não apenas significou a eliminação precoce do Mundial, mas também marcou sua primeira derrota em Mundiais de Clubes organizados pela Fifa, encerrando uma sequência de 16 vitórias e três empates.
O placar foi inaugurado logo aos cinco minutos do primeiro tempo, em um lance de falha da defesa merengue. Asensio perdeu a posse de bola para Dembélé, que foi derrubado por Courtois. Contudo, a bola seguiu em disputa e Fabián Ruiz, livre na pequena área, aproveitou para chutar firme e abrir o marcador para o PSG.
Ainda na primeira etapa, aos 24 minutos, o Paris Saint-Germain ampliou sua vantagem. Após tabelar com Doué e Dembélé, Hakimi superou Asensio na velocidade e cruzou rasteiro para encontrar Fabián Ruiz, que concluiu com precisão para fazer o segundo.
Na volta do intervalo, aos oito minutos da etapa complementar, uma nova falha do Real Madrid resultou no terceiro gol parisiense. Em uma tentativa de passe, Rudiger furou e foi desarmado por Dembélé. O atacante francês conduziu a bola até a área e, cara a cara com Courtois, finalizou de chapa, no canto esquerdo, para o 3 a 0.
A equipe francesa ainda teve um gol anulado aos dois minutos do segundo tempo. Dembélé recebeu passe de Kvaratskhelia pela esquerda e achou Doué, que dominou na área e chutou alto, sem chances para Courtois. No entanto, o VAR interveio e anulou o tento por impedimento no início da jogada.
A goleada foi concretizada aos 41 minutos da etapa final. Em um rápido contra-ataque, Hakimi recebeu pela direita e cruzou para Barcola na segunda trave. Ele driblou Militão e serviu Gonçalo Ramos, que girou e bateu firme para fechar o placar em 4 a 0.
Com a classificação, o PSG enfrentará o Chelsea, que superou o Fluminense na outra semifinal, na grande final do Mundial de Clubes. A decisão está marcada para o próximo domingo, às 16h (horário de Brasília), novamente no MetLife Stadium. Já o Real Madrid retorna aos gramados apenas no dia 19 de agosto, às 16h (de Brasília), para receber o Osasuna no Santiago Bernabéu, pela estreia do Campeonato Espanhol.
FICHA TÉCNICA
PSG 4 x 0 REAL MADRID
Local: MetLife Stadium, em Nova Jersey (EUA)
Data e horário: 9 de julho de 2025, às 16h (de Brasília)
Competição: Semifinal do Mundial de Clubes
Árbitro: Szymon Marciniak (POL)
Assistentes: Tomasz Listkiewicz (POL) e Adam Kupsik (POL)
Gols: Fabián Ruíz aos 5′ do 1°T, Dembélé aos 8′ 1°T, Fabián Ruíz aos 23′ do 1°T, Gonçalo Ramos aos 42′ do 2°T (PSG)
Cartões amarelos: Tchouaméni, Carvajal (REA), João Neves (PSG)
PSG: Donnarumma; Hakimi, Marquinhos, Beraldo e Nuno Mendes (Lee); Vitinha, João Neves e Fabián Ruíz (Zaire-Emery); Doué (Mayulu), Kvaratskhelia (Barcola) e Dembélé (Gonçalo Ramos). Técnico: Luis Enrique
Real Madrid: Courtois; Valverde, Asencio (Éder Militão), Rüdiger e Fran García; Tchouaméni, Bellingham (Modric) e Güler (Lucas Vázquez); Vini Jr (Brahim Díaz), Mbappé e Gonzalo García (Carvajal). Técnico: Xabi Alonso.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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