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Palmeiras vence o Sport por 3 a 0 e retoma a vice-liderança do Brasileirão
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O Palmeiras celebrou uma vitória convincente de 3 a 0 sobre o Sport na noite desta segunda-feira (25.08), em partida válida pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro, disputada no Allianz Parque. O triunfo não só garantiu três pontos importantes, como também recolocou o Alviverde na segunda posição da tabela, em um jogo marcado pela estreia do novo e vibrante terceiro uniforme amarelo, uma homenagem aos 60 anos de um histórico embate em que o clube representou a Seleção Brasileira.
Os gols que selaram a vitória palmeirense foram anotados por Flaco López, que balançou as redes duas vezes, e pelo capitão Gustavo Gómez.
Com este resultado, o Verdão atinge a marca de 42 pontos, superando o Cruzeiro, que havia assumido provisoriamente a vice-liderança após sua vitória no último domingo contra o Internacional. Agora, o Palmeiras está somente atrás do líder Flamengo na disputa pelo título nacional.
Do outro lado, a situação do Sport permanece delicada. Com apenas dez pontos, a equipe pernambucana segue na lanterna da competição, enfrentando um momento de grande dificuldade.
O jogo
O início da partida foi morno, com ambas as equipes se estudando. Aos seis minutos, Vitor Roque ensaiou a primeira finalização para o Palmeiras, defendida por Gabriel. Pouco depois, aos oito, Kevyson do Sport arriscou de longe, mas sem perigo. Aos 13 minutos, o cenário mudou: após uma troca de passes envolvente, Evangelista acionou Mauricio. A bola sobrou para Vitor Roque, que inteligentemente serviu Flaco López. O camisa 42 finalizou de primeira, abrindo o placar para o Verdão.
Após o gol, o Palmeiras intensificou a pressão. Flaco López quase ampliou de cabeça após lateral de Piquerez, mas parou em grande defesa do goleiro adversário. Murilo também tentou de cabeça, sem sucesso. Já próximo ao fim do primeiro tempo, o Alviverde criou mais duas boas chances com Mauricio e Vitor Roque, ambos chutando com perigo para fora. O Sport buscou reagir nos minutos finais com Matheusinho e Lucas Lima, mas sem efetividade.
No segundo tempo, o Palmeiras não demorou a sacramentar a vitória. Aos dez minutos, Mauricio disputou a bola na entrada da área e tocou para Vitor Roque pela direita. O atacante cruzou na medida para Flaco López, que cabeceou com precisão, marcando seu segundo gol na partida. Três minutos depois, em jogada de escanteio ensaiada, Evangelista e Mauricio trocaram passes, e o meia levantou na segunda trave para Gustavo Gómez, que testou para o fundo do gol, fazendo o terceiro do Verdão.
Mesmo com a vantagem, o Palmeiras continuou buscando o ataque, criando chances com Vitor Roque, Flaco e Facundo, que testou o goleiro Gabriel. O Sport tentou diminuir com Matheusinho e Sosa, mas Weverton demonstrou segurança nas intervenções.
Próximos Desafios
Ambas as equipes voltam a campo no próximo domingo. O Palmeiras terá um clássico eletrizante contra o Corinthians, às 18h30 (de Brasília), na Neo Química Arena. Já o Sport buscará a recuperação em casa, recebendo o Vasco na Ilha do Retiro, às 20h30.
FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 3X0 SPORT
Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data: 25/08/2025
Horário: 19 horas (de Brasília)
Árbitro: Paulo Cesar Zanovelli da Silva
Assistentes: Celso Luiz da Silva e Alex dos Santos
VAR: Paulo Renato Moreira da Silva Coelho
Público: 36.588 torcedores
Renda: R$ 2.037.867,35
Cartões amarelos: Kevyson e Pedro Augusto (Sport)
Gols: Flaco López, aos 14′ do 1°T e aos 10′ do 2°T, e Gustavo Gómez, aos 13′ do 2°T
PALMEIRAS: Weverton; Khellven (Giay), Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez (Jefté); Emiliano Martínez, Lucas Evangelista (Allan), Felipe Anderson (Ramón Sosa) e Mauricio (Facundo Torres); Flaco López e Vitor Roque. Técnico: Abel Ferreira.
SPORT: Gabriel; Matheus Alexandre, Rafael Thyere, Ramon Menezes e Kevyson (Aderlan); Rivera, Zé Lucas (Pedro Augusto), Lucas Lima (Romarinho), Léo Pereira (Chrystian Barletta) e Matheusinho; Pablo (Ignácio Ramirez). Técnico: Daniel Paulista
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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