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Palmeiras vence Mirassol no retorno ao Allianz Parque no Brasileirão

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O Palmeiras celebrou seu reencontro com o Allianz Parque em grande estilo na noite deste domingo (15.03). Em duelo válido pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro, o Verdão bateu o Mirassol por 1 a 0, com um gol solitário de Flaco López, garantindo não apenas mais três pontos, mas também a liderança provisória da competição. O resultado mantém a equipe de Abel Ferreira com sua invencibilidade como mandante nesta temporada.

Com esta vitória, o Palmeiras alcança 13 pontos e reassume a ponta da tabela, agora à espera do resultado do São Paulo, que possui a mesma pontuação e ainda joga na rodada contra o Red Bull Bragantino. Para o Mirassol, a partida marcou a primeira derrota na competição, deixando a equipe com seis pontos na 12ª colocação.

O jogo

O confronto começou com o Mirassol mostrando iniciativa. Reinaldo e Igor Formiga protagonizaram a primeira jogada de perigo, com o lateral finalizando em cima da defesa palmeirense. O Palmeiras respondeu aos 17 minutos com Mauricio, que recebeu na área, mas chutou para fora. Pouco depois, Jhon Arias também criou uma boa chance, forçando Walter a uma defesa após desvio.

Aos 25 minutos, a rede finalmente balançou para o Alviverde. Flaco López, após uma bela tabela com Mauricio e recebendo passe de Gustavo Gómez, invadiu a entrada da área e soltou uma potente finalização de esquerda, no canto do goleiro Walter, abrindo o placar para o Palmeiras.

Segundo tempo

O Mirassol tentou reagir, logo aos seis minutos, Negueba fez uma boa jogada, mas Carlos Miguel, goleiro palmeirense, fez uma importante defesa para manter a vantagem. Flaco López, em busca de mais um gol, teve duas boas oportunidades na sequência: aos 14, após lançamento de Marlon Freitas, e posteriormente, com um chute que passou perto da trave de Walter.

O Mirassol não se deu por vencido e também buscou o empate. Nathan Fogaça, recebendo de Tiquinho Soares, arriscou um chute, mas Carlos Miguel estava atento para fazer a defesa e segurar o resultado. Nos acréscimos, a equipe visitante ensaiou uma última pressão, mas a defesa do Verdão se manteve firme, garantindo a vitória e a festa da torcida no Allianz Parque, que volta a ser o talismã do time.

Próximos jogos

Time Jogo Competição Data e Horário Local
Palmeiras Palmeiras x Botafogo Campeonato Brasileiro (7ª rodada) 18 de março de 2026, às 19h (de Brasília) Allianz Parque
Mirassol Mirassol x Coritiba Campeonato Brasileiro (7ª rodada) 18 de março de 2026, às 20h (de Brasília) Mirassol (SP)
FICHA TÉCNICA
                                              PALMEIRAS 1 x 0 MIRASSOL
Competição Campeonato Brasileiro (6ª rodada)
Local Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data 15 de março de 2026 (domingo)
Horário 18h30 (de Brasília)
Público 35.360 torcedores
Renda R$ 2.704.567,87
Cartões Amarelos Carlos Miguel e Lucas Evangelista (Palmeiras); Neto Moura, Reinaldo, Igor Formiga e Negueba (Mirassol)
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitro Rodrigo José Pereira de Lima
Assistentes Francisco Chaves Bezerra Junior e Bruno Cesar Chaves Vieira
VAR Marcio Henrique de Gois
Gol Flaco López, aos 25′ do 1°T (Palmeiras)
Escalação Palmeiras Carlos Miguel; Giay, Gustavo Gómez, Bruno Fuchs e Arthur (Piquerez); Marlon Freitas (Larson), Andreas Pereira (Lucas Evangelista), Jhon Arias (Felipe Anderson) e Allan; Mauricio (Emiliano Martínez) e Flaco López.
Técnico: Abel Ferreira
Escalação Mirassol Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian Machado e Reinaldo (Victor Luís); Neto Moura (Gabriel Pires), José Aldo e Shaylon (Alesson); Carlos Eduardo (Tiquinho Soares), Negueba e André Luis (Nathan Fogaça).
Técnico: Ivan Baitello (auxiliar técnico)

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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