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Palmeiras perde para LDU e se complica na Libertadores
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O Palmeiras sofreu um duro revés na noite desta quinta-feira (23.10), ao ser goleado por 3 a 0 pela LDU, no Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, pelo jogo de ida da semifinal da Copa Libertadores. A derrota não só encerrou a invencibilidade do Alviverde na competição, mas também coloca a equipe em uma situação delicadíssima na busca por uma vaga na grande final. Os gols dos equatorianos foram marcados por Villamíl (duas vezes) e Alzugaray, em cobrança de pênalti.
Desde os primeiros minutos, a LDU impôs um ritmo forte, aproveitando-se da altitude e da organização tática. O goleiro palmeirense Carlos Miguel foi um dos destaques do primeiro tempo, realizando defesas cruciais para evitar um placar ainda mais elástico. Logo aos cinco minutos, Villamíl finalizou com perigo, e na sequência, Carlos Miguel espalmou chutes de longe de Quiñonez, mostrando reflexos apurados.
A pressão surtiu efeito aos 16 minutos, quando Quiñonez disparou pela esquerda, e Villamíl, sem marcação, recebeu dentro da área para abrir o placar com um potente arremate. A situação piorou para o Palmeiras aos 24 minutos. Um pênalti foi assinalado após a bola tocar no braço de Andreas Pereira dentro da área. Alzugaray converteu a penalidade, ampliando a vantagem para 2 a 0. O Verdão teve uma chance de diminuir com Vitor Roque aos 41, mas o atacante parou em grande defesa de Domínguez. Nos acréscimos, a LDU foi letal novamente: Ramírez acionou Villamíl, que bateu de primeira, e a bola desviou em Khellven antes de ir para o fundo das redes, selando o 3 a 0 antes do intervalo.
Na etapa final, o Palmeiras tentou ensaiar uma reação, buscando diminuir o prejuízo. Felipe Anderson e Flaco López criaram oportunidades logo no início, mas a finalização parou no goleiro Domínguez. As modificações promovidas pela comissão técnica buscavam dar mais poder ofensivo à equipe, que, apesar de criar mais lances de perigo, esbarrava na bem postada defesa da LDU e nas intervenções do goleiro adversário. Aos 31 minutos, Allan fez boa jogada individual, mas seu chute cruzado desviou e foi para fora. Vitor Roque também teve uma cabeçada por cima do gol, e Sosa parou em outra grande defesa de Domínguez.
Já nos minutos finais, um lance de perigo da LDU foi desarmado por Andreas Pereira. Nos acréscimos, Bryan Ramírez da LDU foi expulso após revisão do VAR por uma entrada dura em Giay, mas o placar não se alterou. Flaco López ainda teve uma última chance de cabeça, mas a bola foi por cima.
Com o resultado, o Palmeiras terá uma missão hercúlea no jogo de volta. Para avançar à final sem a necessidade de pênaltis, o Verdão precisará de uma goleada por 4 a 0. A partida decisiva acontecerá na próxima quinta-feira, 30 de outubro de 2025, às 21h30 (horário de Brasília), no Allianz Parque, em São Paulo.
O adversário de quem avançar nesta chave sairá do confronto entre Flamengo e Racing. O Rubro-Negro venceu o primeiro duelo e leva vantagem para o jogo de volta, que será disputado na próxima quarta-feira, na Argentina.
Próximos compromissos:
Palmeiras:
- Campeonato Brasileiro (30ª rodada): Palmeiras x Cruzeiro, domingo, 26 de outubro de 2025, às 20h30 (de Brasília), no Allianz Parque.
- Libertadores (Jogo de volta, semifinal): Palmeiras x LDU, quinta-feira, 30 de outubro de 2025, às 21h30 (de Brasília), no Allianz Parque.
Ficha Técnica
LDU 3 x 0 Palmeiras
Competição: Copa Libertadores (Semifinal, jogo de ida)
Local: Estádio Rodrigo Paz Delgado, Quito (Equador)
Data: 23 de outubro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 21h30 (horário de Brasília)
Gols: Villamíl (16′ 1ºT), Alzugaray (26′ 1ºT), Villamíl (46′ 1ºT) LDU
Cartões:
- Amarelos: Gruezo, Brayan Ramírez, Mina, Quiñonez (LDU); Flaco López (Palmeiras)
- Vermelhos: Bryan Ramírez (LDU)
Arbitragem:
- Árbitro: Facundo Tello (Argentina)
- Assistentes: Juan Belatti (Argentina) e Gabriel Chade (Argentina)
- VAR: Hector Paletta (Argentina)
LDU: Alexander Domínguez; Mina (Cuero), Adé e Quiñonez; Quintero, Villamil, Gruezo, Minda e Ramírez; Medina (Estrada) e Alzugaray (Pastrán). Técnico: Tiago Nunes
Palmeiras: Carlos Miguel; Khellven (Giay), Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez; Emiliano Martínez (Allan), Andreas Pereira, Felipe Anderson (Jefté) e Raphael Veiga (Ramón Sosa); Flaco López e Vitor Roque (Bruno Rodrigues). Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude
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Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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