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Palmeiras conquista bicampeonato Brasileiro Sub-20 em dia histórico

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Em uma terça-feira emblemática, marcando os 111 anos de sua fundação, o Palmeiras celebrou mais um feito expressivo em sua história. As “Crias da Academia” garantiram o bicampeonato consecutivo do Campeonato Brasileiro Sub-20 ao superar o Red Bull Bragantino na decisão por pênaltis, após um empate sem gols no tempo normal, em partida emocionante realizada no Allianz Parque. A vitória por 4 a 3 nas penalidades, somada ao empate em 1 a 1 no jogo de ida, selou o quarto título do Verdão na competição (2018, 2022, 2024).

O triunfo alviverde foi acompanhado de perto pelo técnico Abel Ferreira e seu auxiliar Vitor Castanheira, demonstrando a importância da base para o elenco profissional. Alguns jogadores da equipe sub-20, como Thalys, que inclusive treinam frequentemente com o time principal, estiveram em campo, ressaltando a integração entre as categorias.

Partida de tensão e chances perdidas

O confronto decisivo começou com as equipes se estudando. O Palmeiras, jogando em casa, buscou impor seu ritmo, mas o Red Bull Bragantino mostrou-se resiliente. A primeira grande oportunidade foi do Massa Bruta, aos 15 minutos, com Yuri Leles, que finalizou para a defesa de Aranha. O Verdão respondeu com chutes de longe e jogadas trabalhadas, como a de Larson com Luighi, mas sem êxito.

A reta final do primeiro tempo foi a mais movimentada. O Bragantino quase abriu o placar com Filipinho, que exigiu uma grande defesa de Aranha. Em seguida, o Palmeiras contra-atacou, e Luighi mandou perto do travessão. Já nos acréscimos, Aranha fez outra intervenção crucial em cabeceio de Alexandre Pena, mantendo o zero no placar.

No segundo tempo, a intensidade aumentou. Davi Gomes, do Bragantino, assustou ao acertar a trave. A grande chance do Palmeiras veio aos 18 minutos: após revisão do VAR, um pênalti foi marcado a favor do Verdão. No entanto, Thalys, artilheiro da equipe, isolou a cobrança, mantendo a igualdade no marcador. Mesmo com a oportunidade perdida, o Palmeiras continuou pressionando, com Erick Belé e Coutinho arriscando de fora da área, mas sem conseguir superar o goleiro adversário, levando a decisão para as penalidades.

Heroísmo nos pênaltis garante o Bicampeonato

Na disputa de pênaltis, a emoção tomou conta do Allianz Parque. Vinicius Lago e Chrystian converteram as duas primeiras cobranças do Bragantino, enquanto Thalys e Coutinho fizeram para o Palmeiras. A virada começou quando João Lucas, do Massa Bruta, chutou para fora, e Aranha, goleiro palmeirense, defendeu a cobrança de Davi Gomes.

Com Marcio Vitor colocando as Crias da Academia em vantagem, o caminho para o título se abriu. Embora Yuri Leles tenha convertido a última cobrança para o Bragantino, coube a Robson estufar as redes e selar a vitória por 4 a 3, coroando a campanha do Palmeiras com o bicampeonato consecutivo.

O título é o ápice de uma campanha dominante do Palmeiras, que foi o dono da melhor campanha na primeira fase, somando 45 pontos em 22 jogos. No mata-mata, o Verdão eliminou Juventude e Cruzeiro até chegar à final pela quarta vez consecutiva, e sexta em oito edições da competição.

Próximos desafios

Agora, as equipes voltam suas atenções para o Campeonato Paulista Sub-20. O Palmeiras enfrentará o Sertãozinho no dia 6 de setembro, às 15h (de Brasília), no Estádio Municipal Frederico Dalmaso. Já o Red Bull Bragantino terá pela frente o Itapirense, no dia 3, no Estádio Municipal Coronel Francisco Vieira, no mesmo horário.

FICHA TÉCNICA:

PALMEIRAS 0 (4) X (3) 0 RED BULL BRAGANTINO

Local: Allianz Parque, em São Paulo (SP)
Data: 26/08/2025
Hora: 21 horas (de Brasília)
Árbitro: Murilo Tarrega Victor
Assistentes: Raphael de Albuquerque Lima e Denis Matheus Afonso Ferreira
VAR: Rodrigo Carvalhaes de Miranda
Cartões amarelos: Larson (Palmeiras); Davi Gomes, Alexandre Pena, Vinicius Lago (Bragantino)
Público: 21.776 torcedores

PALMEIRAS: Aranha; Gilberto (Rodrigo), Robson, Benedetti e Arthur (Luis Saboia); Coutinho, Larson (Fabio) e Erick Belé (Marcio Vitor); Riquelme Fillipi, Luighi (Sorriso) e Heittor (Thalys). Técnico: Lucas Andrade

RED BULL BRAGANTINO: Gustavo Reis; Vinicius Lago, Sergio Palacios, Kevyn e Cauê; Alexandre Pena (João Lucas), Chrystian e Gabriel Lopes (Luis Gustavo); Filipinho, Davi Gomes, Yuri Leles. Técnico: Fernando Oliveira

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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