Esportes

Ouro histórico: Henrique Marques conquista o primeiro título mundial masculino do Brasil no Taekwondo

Publicado em

Esportes

;

A segunda-feira marcou um dia dourado e histórico para o taekwondo brasileiro. O jovem talento Henrique Marques, de apenas 21 anos, gravou seu nome na história ao conquistar a primeira medalha de ouro masculina para o Brasil em Mundiais da modalidade. O feito ocorreu na categoria até 80kg do Campeonato Mundial de Taekwondo de 2025, disputado em Wuxi, na China, adicionando mais um pódio de destaque para o país, que já havia visto Maria Clara Pacheco sagrar-se campeã mundial na última sexta-feira.

Em uma performance impecável na final, Marques superou o chinês Qizhang Xiang por 2 a 0, silenciando a torcida local e garantindo o título inédito. Sua jornada rumo ao topo foi digna de um roteiro de cinema: iniciando a competição na 14ª posição do ranking mundial, Henrique superou adversários renomados e favoritos, mostrando uma maturidade e técnica impressionantes para seu primeiro Mundial.

O caminho do brasileiro começou com vitórias consistentes. Na estreia, ele eliminou o cubano Kevin Calderon, e na sequência, dominou Faysal Sawadogo, de Burkina Faso, avançando sem maiores dificuldades. O primeiro grande desafio veio nas quartas de final, onde Henrique Marques protagonizou um embate acirrado contra o norte-americano CJ Nickolas, atual vice-campeão mundial e número 2 do ranking. Com sangue frio, o brasileiro levou a melhor por 2 a 0, pavimentando seu caminho.

Na semifinal, a resiliência de Marques foi novamente testada contra o russo Artem Mytarev, em uma luta disputadíssima que terminou em 2 a 1 para o brasileiro. Na decisão, mesmo enfrentando o azarão Qizhang Xiang, que ocupava a 204ª posição no ranking, Henrique manteve a concentração e a excelência, fechando a disputa por 2 a 0 para garantir o ouro.

O ano de 2025 tem sido, sem dúvida, o mais brilhante na carreira de Henrique Marques. Além do título mundial, o atleta conquistou o bronze na etapa de Muju (Coreia do Sul) do Grand Prix de Taekwondo e sagrou-se campeão da Copa do Presidente da América. Antes do ouro mundial, seu currículo já contava com um bronze no Pan-Americano de 2022 e uma chegada às quartas de final dos Jogos Olímpicos de 2024, evidenciando sua ascensão meteórica no cenário internacional.

Com os resultados expressivos, Henrique Marques saltou para a sétima posição no ranking mundial, com 87,45 pontos, e se aproxima perigosamente da liderança, atualmente ocupada pelo tunisiano Firas Katousi, com 143,02. A conquista não apenas coroa um ano de dedicação e talento, mas também inspira a nova geração do taekwondo brasileiro, provando que o país tem força para brigar pelos mais altos pódios mundiais.

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA