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Oscar Piastri brilha sob chuva e vence o GP da Bélgica; Bortoleto pontua em 9º

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O australiano Oscar Piastri protagonizou um domingo impecável sob chuva em Spa-Francorchamps e faturou o Grande Prêmio da Bélgica de Fórmula 1, consolidando sua fase como um dos principais nomes da temporada 2025. Largando da segunda posição, Piastri superou seu companheiro de equipe, Lando Norris, logo na primeira volta e manteve o controle absoluto da corrida até a bandeirada final, garantindo sua sexta vitória no ano e a oitava na carreira.

Largada estratégica e domínio de Piastri

Mesmo com o traçado molhado e a visibilidade prejudicada, o piloto da McLaren partiu de maneira agressiva e rapidamente assumiu a dianteira. Lando Norris, que largou na pole, não conseguiu segurar o ritmo do australiano e terminou a prova na segunda colocação, garantindo uma dobradinha para a equipe britânica. A atuação da McLaren foi destaque, exibindo ótima performance mesmo diante das variáveis climáticas.

Leclerc segura Verstappen e completa o pódio

Charles Leclerc, da Ferrari, largou bem e resistiu aos constantes ataques de Max Verstappen, da Red Bull, durante boa parte da prova. O monegasco soube administrar a pressão e cruzou a linha de chegada em terceiro, conquistando mais um pódio na temporada 2025. Verstappen, mesmo com investidas ousadas, terminou em quarto.

Top 10 do GP da Bélgica – 2025

Posição Piloto Equipe
1 Oscar Piastri McLaren/Mercedes
2 Lando Norris McLaren/Mercedes
3 Charles Leclerc Ferrari
4 Max Verstappen Red Bull/Honda RBPT
5 George Russell Mercedes
6 Alexander Albon Williams/Mercedes
7 Lewis Hamilton Ferrari
8 Liam Lawson Racing Bulls/Honda RBPT
9 Gabriel Bortoleto Sauber/Ferrari
10 Pierre Gasly Alpine/Renault

Destaques e incidentes

Além do domínio da McLaren, destaque para Gabriel Bortoleto, que somou pontos importantes ao terminar em nono com a Sauber. A chuva e as difíceis condições de pista resultaram em poucas ultrapassagens, mas também em boas demonstrações de habilidade.

Lewis Hamilton, agora pilotando pela Ferrari, terminou em sétimo, enquanto nomes como Liam Lawson e Pierre Gasly garantiram posições valiosas entre os dez primeiros. Entre os abandonos e azares, pilotos como Fernando Alonso e Carlos Sainz ficaram para trás, longe do Top 10.

Próximos passos

Com a vitória, Piastri se consolida cada vez mais como candidato ao título de 2025, enquanto a McLaren mostra força na luta pelo campeonato de construtores. A temporada segue acirrada e reserva grandes emoções para as próximas etapas do calendário da Fórmula 1.

A chuva, o desafio de Spa e a ousadia de um jovem talento: Oscar Piastri saiu fortalecido do GP da Bélgica, prometendo ainda mais disputas ao longo do ano.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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