Esportes
Novo Colorado e Mapim são os grandes campeões da Taça das Favelas MT 2025
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Emoção e muitos gols na grande final da Taça das Favelas de Mato Grosso 2025 realizada no estádio Dito Souza, em Várzea Grande, lotado como palco. As favelas do Novo Colorado e do Mapim soltaram o grito de campeões as categorias feminina e masculina, respectivamente.
Na disputa feminina, a equipe do Novo Colorado mostrou sua força e goleou a seleção do Dr. Fábio por 4 a 0. Já na final masculina, o confronto foi mais equilibrado. A equipe do Mapim venceu a seleção do Pascoal Ramos pelo placar de 2 a 1, consagrando-se campeã em um jogo disputado até o último minuto. Os jogos foram no sábado (13).
O evento, que teve entrada gratuita, celebrou o talento e a força do futebol das favelas mato-grossenses e contou com a presença de autoridades que apoiam o projeto. Presente também na final, o secretário adjunto de Cultura do Estado, Jan Moura, elogiou a organização. “Faço sempre questão de prestigiar o trabalho da Cufa Mato Grosso, pois o que vocês fazem impacta a vida de muitas pessoas e representa o que nosso governo acredita: uma política pública feita pelas e para as pessoas. Os vencedores representarão muito bem Mato Grosso na etapa nacional”, declarou.
O presidente da Cufa-MT, Anderson Zanovello, agradeceu a todos os parceiros do projeto e falou do sucesso do evento. “Realizar mais uma edição da Taça das Favelas é sempre um grande desafio, mas felizmente contamos com uma equipe maravilhosa e parceiros sensacionais que sempre acreditaram em nosso trabalho”, afirmou Zanovello.
Já o secretário de Esportes de Várzea Grande, Igor Cunha, ressaltou o papel da inclusão. “Estou muito feliz. Eu venho do esporte e poder realizar um evento como este dentro da nossa casa, no Dito Souza, é uma grande alegria. A iniciativa vem ao encontro do social, isso é inclusão. É revelar talentos, porque sabemos da dificuldade que esses atletas têm. Poder contribuir para isso enche meus olhos, pois por trás dessa bola existem sonhos”, comentou o secretário.
Além das finais, o projeto realizou no dia 6 de setembro uma seletiva (“peneirão”) para escolher os atletas que irão compor as seleções de Mato Grosso. As equipes representarão o estado na etapa nacional da competição, que ocorrerá a partir de 2 de outubro, em São Paulo.
TAÇA DAS FAVELAS – A edição 2025 da Taça das Favelas de Mato Grosso foi uma realização da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), da CUFA-MT e da Associação de Desenvolvimento Social das Favelas. O evento teve promoção da TV Centro América e contou com importantes parcerias e apoios, incluindo a Prefeitura de Várzea Grande, que sediou a grande final.
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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