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Mirassol vence o Inter e consolida posição no G4 do Brasileirão

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O Mirassol segue imbatível em seus domínios e conquistou uma vitória convincente sobre o Internacional por 3 a 1, na noite desta quarta-feira, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro. No Estádio José Maria de Campos Maia, a equipe paulista mostrou solidez e poder de fogo, garantindo mais três pontos cruciais na competição.

Os gols do Leão foram marcados por Neto Moura, Reinaldo e Negueba, consolidando o excelente retrospecto do time em casa. Thiago Maia descontou para o Colorado, que continua em situação delicada na tabela.

Retrospecto imponente e consolidação no G4

Com o triunfo, o Mirassol ampliou sua invencibilidade como mandante para impressionantes 14 jogos, somando nove vitórias e cinco empates em seu estádio. A vitória também foi estratégica na tabela, catapultando o time para a quarta colocação, com 49 pontos, e abrindo vantagem no G4, especialmente após a derrota do Botafogo para o Flamengo na mesma rodada.

Para o Internacional, a situação se agrava. Com apenas 32 pontos, a equipe gaúcha ocupa a 15ª posição, apenas duas unidades acima da zona de rebaixamento, que atualmente é aberta pelo Fortaleza.

O jogo

O Mirassol não demorou a abrir o marcador. Aos 25 minutos do primeiro tempo, após uma cobrança de escanteio rasteira de Daniel Borges, Neto Moura apareceu na primeira trave e finalizou com precisão para balançar as redes.

No entanto, o Internacional conseguiu reagir antes do intervalo. Aos 38 minutos, Alan Patrick cobrou uma falta potente, o goleiro Muralha espalmou para a pequena área e Thiago Maia aproveitou o rebote para empatar a partida.

A alegria colorada durou pouco. Nos acréscimos da primeira etapa, aos 49 minutos, Cristian recuperou a posse de bola pela esquerda e rolou para Reinaldo. O lateral driblou Bruno Henrique, avançou e chutou cruzado, sem chances para o goleiro Anthoni, recolocando o Mirassol na frente.

O segundo tempo começou com o Mirassol mantendo o ímpeto ofensivo. Logo aos três minutos, Negueba ampliou o placar. Reinaldo fez uma bela inversão de jogo para o camisa 11, que dominou com categoria, cortou para o meio e acertou um potente chute para marcar o terceiro gol e selar a vitória.

Próximos desafios

O Mirassol terá um duro confronto pela frente, recebendo o São Paulo pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. A partida será no domingo, 19 de outubro de 2025, às 18h30 (de Brasília), novamente no Estádio José Maria de Campos Maia.

O Internacional buscará a reabilitação em casa, contra o Sport, pela mesma rodada. O jogo será no domingo, 19 de outubro de 2025, às 18h30 (de Brasília), no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS).

FICHA TÉCNICA

Mirassol 3 x 1 Internacional

Competição: Campeonato Brasileiro (28ª rodada)

Local: Estádio José Maria de Campos Maia, em Mirassol (SP)

Data:15 de outubro de 2025 (quarta-feira)

Horário: 20h (de Brasília) Público: 5.072

Renda: R$ 147.920,00

Cartões Amarelos:

  • Mirassol: Guilherme Marques, Negueba
  • Internacional: Óscar Romero, Bernabéi

Arbitragem:

  • Árbitro: Bruno Arleu de Araújo (RJ)
  • Assistentes: Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha (RJ) e Gizeli Casaril (SC)
  • VAR: Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira (MG)

Gols:

  • 1° Tempo:
    • 25′ – Neto Moura (Mirassol)
    • 38′ – Thiago Maia (Internacional)
    • 49′ – Reinaldo (Mirassol)
  • 2° Tempo:
    • 3′ – Negueba (Mirassol)

Mirassol:

  • Goleiro: Alex Muralha
  • Defensores: Daniel Borges, Jemmes, João Victor e Reinaldo (Felipe Jonatan)
  • Meio-campo: Neto Moura, Guilherme Marques (Shaylon), Danielzinho e Gabriel (Cristian)
  • Atacantes: Negueba (Carlos Eduardo) e Alesson (Chico Kim)
  • Técnico: Rafael Guanaes

Internacional:

  • Goleiro: Anthoni
  • Defensores: Aguirre, Vitão (Clayton Sampaio), Mercado e Victor Gabriel (Ricardo Mathias)
  • Meio-campo: Bernabéi, Thiago Maia (Alan Rodríguez), Bruno Henrique (Bruno Gomes), Alan Patrick
  • Atacantes: Vitinho e Óscar Romero (Bruno Tabata)
  • Técnico: Ramón Díaz

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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