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Lando Norris conquista GP da Hungria; Gabriel Bortoleto brilha com melhor resultado na carreira

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O britânico Lando Norris, da McLaren, foi o grande nome do Grande Prêmio da Hungria de Fórmula 1, realizado neste domingo (02), no circuito de Hungaroring. Com uma estratégia impecável de apenas uma parada, o piloto de 25 anos fez uma corrida controlada e conquistou a vitória de forma dominante. A festa da McLaren foi completa com a segunda posição do australiano Oscar Piastri, seu companheiro de equipe, garantindo uma dobradinha para o time.

O pódio foi completado pelo britânico George Russell, da Mercedes, que em uma performance consistente conseguiu superar a Ferrari de Charles Leclerc nas voltas finais.

Bortoleto Faz História para o Brasil

Um dos destaques mais emocionantes da corrida foi a performance do brasileiro Gabriel Bortoleto, da Kick Sauber. O piloto paulista de 19 anos fez uma “corrida magnífica”, como descrito pela equipe, e conquistou um espetacular sexto lugar, sua melhor posição de chegada na carreira na Fórmula 1. A estratégia de uma única parada, também adotada pela Kick Sauber para Bortoleto, se mostrou acertada. Com este resultado, Bortoleto adicionou mais oito pontos ao seu Campeonato Mundial, totalizando agora 14 nesta temporada.

O feito de Bortoleto ganha ainda mais relevância ao se considerar que um piloto brasileiro não terminava uma corrida na sexta posição na Fórmula 1 desde Felipe Massa, em 2017, pela Williams, no Grande Prêmio do Bahrein.

A Corrida: Estratégia e Emoção do Início ao Fim

Antes mesmo da largada, o japonês Yuki Tsunoda, da Red Bull, optou por trocar sua unidade de potência, iniciando a corrida do pit lane.

Na largada, Gabriel Bortoleto teve um início perfeito, saltando para a sexta posição e superando o canadense Lance Stroll. Max Verstappen e Lando Norris, por outro lado, perderam posições inicialmente. O holandês caiu para nono, mas rapidamente recuperou o oitavo lugar, enquanto o britânico, ao cair para quinto, não demorou a passar Alonso e retomar a quarta colocação. George Russell, da Mercedes, também teve um bom início, assumindo a terceira posição. Houve um breve susto para Bortoleto com uma notificação de largada falsa, mas o brasileiro passou ileso, diferentemente de seu companheiro de equipe, Nico Hülkenberg, que recebeu cinco segundos de penalização pelo mesmo incidente.

Durante a corrida, Bortoleto travou um duelo com o espanhol Fernando Alonso, mas não conseguiu a ultrapassagem. Sua equipe, a Kick Sauber, optou por estender ao máximo a vida útil dos pneus, realizando apenas um pit stop para o brasileiro na volta 41, quando trocou para pneus duros após um longo stint com médios.

A estratégia de Lando Norris foi brilhante. O britânico “blefou”, realizando apenas uma parada, enquanto seus principais concorrentes, Leclerc e Piastri, fizeram duas. Na volta 30, um momento de tensão ocorreu quando Max Verstappen tentou ultrapassar Lewis Hamilton e houve um toque entre os dois, com Hamilton saindo da pista. O incidente ficou sob análise da direção de prova.

Na volta 50, o britânico Oliver Bearman, da Haas, foi o primeiro a abandonar a corrida devido a danos no carro, visando preservar sua unidade de potência. Já na parte final, Oscar Piastri conseguiu pressionar e ultrapassar Charles Leclerc, assumindo a segunda posição. Leclerc, visivelmente frustrado com a estratégia de sua equipe e a falta de aderência nos pneus, ainda perdeu a posição para George Russell, ficando fora do pódio.

Nas últimas cinco voltas, Piastri se aproximou de Norris, protagonizando uma emocionante disputa pela liderança, mas Norris conseguiu segurar a ponta, garantindo uma merecida e crucial vitória.

Classificação do Campeonato e Próximos Passos

Com a vitória crucial, Lando Norris diminuiu a diferença para Oscar Piastri na liderança do Campeonato Mundial de pilotos. Norris agora acumula 275 pontos, apenas nove atrás dos 284 de Piastri. Na terceira posição, o holandês Max Verstappen, da Red Bull, mantém-se com 187 pontos.

A Fórmula 1 agora entra em seu tradicional período de férias de verão dos pilotos. A categoria retorna à ação no fim do mês, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o Grande Prêmio da Holanda.

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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