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Internacional perde para o Bahia e afunda na zona de rebaixamento
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O Internacional vive um momento delicado no Campeonato Brasileiro. Neste domingo (15.03), jogando em casa no Beira-Rio, o Colorado foi derrotado por 1 a 0 pelo Bahia, em partida válida pela sexta rodada da competição. Com o revés, o time gaúcho acumula cinco jogos sem vitória na temporada e se vê afundado na zona de rebaixamento, ocupando a 19ª posição com apenas dois pontos.
A vitória fora de casa, por outro lado, impulsionou o Bahia, que chegou a 11 pontos e alcançou a terceira colocação na tabela, mostrando um início de Brasileirão promissor.
O jogo
A partida começou agitada, com o Bahia assustando logo aos quatro minutos. Uma saída de bola equivocada do goleiro Rochet quase custou caro, mas o contra-ataque rápido do Esquadrão foi travado antes da finalização de Rodrigo Nestor. A resposta colorada veio aos 18 minutos com Bernabei, que aproveitou um erro da defesa baiana e arriscou um chute cruzado, mas não conseguiu abrir o placar.
O gol que definiria o resultado saiu aos 23 minutos do primeiro tempo. Após uma falha de Ronaldo, Willian José mostrou oportunismo e, capitalizando uma bela jogada individual de Erick, inaugurou o marcador para o Bahia.
Na segunda etapa, o Internacional, mesmo com maior posse de bola, encontrou grandes dificuldades para penetrar na defesa adversária e criar chances claras de gol. O Bahia, por sua vez, se mostrou perigoso em contra-ataques, e Ademir chegou a invadir a área aos 27 minutos, sendo parado apenas por uma intervenção de Rochet. Já nos minutos finais, aos 38, Alerrandro teve uma oportunidade de igualar para o Inter, mas sua finalização foi para fora.
Próximos jogos
O Internacional terá pouco tempo para se recuperar da derrota e tentar sair da incômoda situação na tabela. Na quarta-feira, 18 de março, a equipe viaja para enfrentar o Santos, às 21h30 (de Brasília), na Vila Belmiro, pela sétima rodada do Brasileirão.
Já o Bahia retorna para Salvador, onde receberá o Bragantino na Arena Fonte Nova, também pela sétima rodada, na quarta-feira, 18 de março, às 19h (de Brasília), buscando manter o bom momento na competição.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| INTERNACIONAL 0 x 1 BAHIA | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (6ª rodada) |
| Local | Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS) |
| Data | 15 de fevereiro de 2026 (domingo) |
| Horário | 16h (de Brasília) |
| Gol | Willian José, aos 23′ do 1ºT (Bahia) |
| Arbitragem | Fernando Salles Nascimento Filho (Árbitro); Guilherme Dias Camilo e Anne Kesy Gomes de Sá (Assistentes); Pierry Dias dos Santos (Quarto Árbitro); Caio Max Augusto Vieira (VAR). |
| Cartões Amarelos | Paulinho, Victor Gabriel e Aguirre (Internacional); Ronaldo e Luciano Juba (Bahia). |
| Escalação Internacional | Rochet; Braian Aguirre (Bruno Gomes), Gabriel Mercado, Victor Gabriel e Matheus Bahia (Vitinho); Ronaldo (Alan Rodríguez), Paulinho (Bruno Henrique), Carbonero, Alan Patrick (Alerrandro) e Bernabei; Rafael Borré. Técnico: Esteban Conde. |
| Escalação Bahia | Ronaldo; Acevedo, Gabriel Xavier, Ramos Mingo e Luciano Juba; Erick, Jean Lucas (Caio Alexandre) e Rodrigo Nestor (Michel Araujo); Erick Pulga (Sanabria), Willian José (Dell) e Kike Olivera (Ademir). Técnico: Rogério Ceni. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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