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Inter vence o Athletic no Beira-Rio e é o primeiro classificado às oitavas da Copa do Brasil
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O Internacional confirmou sua vaga nas oitavas de final da Copa do Brasil na noite desta terça-feira (12.05), ao derrotar o Athletic por 3 a 2, no Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Os gols colorados foram marcados por Bernabei, Borré e Allex. Com a vitória fora de casa por 2 a 1 no jogo de ida, o time gaúcho entrou em campo com a vantagem do empate e acabou avançando como o primeiro clube garantido na próxima fase.
O jogo
A partida começou com o Inter buscando controlar as ações ofensivas e abriu o placar aos 21 minutos. Depois de cruzamento de Bernabei, a defesa mineira falhou na tentativa de corte, e Borré aproveitou a sobra na segunda trave para balançar a rede.
O Athletic reagiu e conseguiu igualar o marcador aos 38 minutos. Gabriel Moyses encontrou Ian Luccas dentro da área, e o atacante finalizou colocado no canto direito de Rochet, sem chances para o goleiro colorado.
O Internacional retomou a frente do placar ainda no primeiro tempo. Aos 44 minutos, Bernabei lançou a bola na área, Allex venceu a marcação e desviou de leve para recolocar o time da casa em vantagem antes do intervalo.
Na etapa final, o Athletic teve um complicador logo aos seis minutos, quando Cabezas atingiu Bernabei com o cotovelo no rosto e foi expulso. Mesmo com um jogador a menos, o time mineiro conseguiu empatar novamente aos 22 minutos. Marcelo cruzou da esquerda e Ian Luccas apareceu antes de Rochet para fazer o segundo gol da equipe visitante.
A resposta colorada veio de forma imediata. Dois minutos depois, Bernabei recebeu de Alan Patrick pelo lado esquerdo e finalizou cruzado para marcar o terceiro gol do Internacional, definindo o resultado em 3 a 2 e carimbando a classificação gaúcha.
Com a vaga assegurada, o Inter agora volta as atenções para o Brasileirão. No sábado, às 18h30, o time enfrenta o Vasco no Beira-Rio, pela 16ª rodada da Série A. Já o Athletic entra em campo no domingo, às 16h, contra o Juventude, na Arena Sicredi, em São João del Rei, pela 9ª rodada da Série B.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Internacional 3 x 2 Athletic | |
| Competição | Copa do Brasil – Quinta fase (volta) |
| Local | Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre (RS) |
| Data | 12 de maio de 2026 (terça-feira) |
| Horário | 19h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos | Alan Patrick (Internacional) |
| Cartões vermelhos | Cabezas (Athletic) |
| Gols – Internacional | Rafael Borré, aos 21′ do 1ºT; Allex, aos 44′ do 1ºT; Alexandro Bernabei, aos 24′ do 2ºT |
| Gols – Athletic | Ian Luccas, aos 38′ do 1ºT; Ian Luccas, aos 22′ do 2ºT |
| Árbitro | Lucas Casagrande (PR) |
| Assistentes | Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Rafael Trombeta (PR) |
| VAR | Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ) |
| Internacional | Rochet; Bruno Gomes (Alan Rodríguez), Victor Gabriel, Félix Torres, Bernabei; Allex (Bruno Tabata), Villagra (Ronaldo), Bruno Henrique (Aguirre), Alan Patrick e Vitinho (Kayky); Borré. |
| Técnico do Internacional | Paulo Pezzolano |
| Athletic | Luan Polli; Jhonatan, Belezi e Zeca; Douglas (João Miguel), Marcelo Henrique (Diogo), Cabezas, Kauan Rodrigues e Ian Luccas (Max); Gustavinho (Otusanya) e Gabriel Moyses (Bruninho). |
| Técnico do Athletic | Alex Souza |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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