Esportes
Grêmio vira sobre o Palmeiras em confronto eletrizante
Esportes
;
Em uma noite de reviravoltas na Arena do Grêmio, o Palmeiras sofreu uma derrota por 3 a 2 para o time da casa, nesta terça-feira, pela 36ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado encerrou uma sequência de cinco jogos sem perder do Alviverde e, mais importante, impediu que a equipe diminuísse a diferença para o líder Flamengo, que empatou seu jogo simultâneo.
Com a derrota, o Palmeiras permanece na vice-liderança, agora com 70 pontos, cinco a menos que o Flamengo. O Grêmio, por sua vez, subiu para a décima posição na tabela, somando 46 pontos.
O jogo
A partida começou com o Palmeiras buscando impor seu ritmo. Logo aos quatro minutos, Felipe Anderson teve uma chance, mas a defesa gremista desviou. Aos oito, Jefté arriscou e passou perto do gol de Volpi. A resposta gremista veio aos 16, com Edenílson forçando Lomba a fazer uma defesa no meio do gol.
O Verdão abriu o placar aos 23 minutos. Sosa fez uma bela jogada pela esquerda e cruzou para Facundo Torres, que cabeceou livre e colocou os visitantes em vantagem. O Grêmio tentou reagir, com chances para Dodi e Arthur, mas sem sucesso. Nos acréscimos da primeira etapa, porém, o Tricolor gaúcho conseguiu o empate: após cobrança de lateral, Amuzu aproveitou o desvio de Wagner Leonardo e finalizou de primeira para deixar tudo igual.
Pênaltis decisivos e virada gaúcha
O segundo tempo foi marcado por lances capitais. Aos 11 minutos, o Palmeiras quase fez o segundo em chutes de Mauricio e Aníbal Moreno, mas Volpi defendeu. Pouco depois, aos 15, Aníbal Moreno cometeu pênalti em Carlos Vinícius. Após consulta ao VAR, a infração foi confirmada, e o próprio Carlos Vinícius converteu, virando o placar para o Grêmio.
A partida seguiu intensa, com chances para ambos os lados. Lomba fez uma grande defesa em chute de Arthur. O Palmeiras desperdiçou uma oportunidade de ouro com Facundo Torres, que isolou a bola dentro da área. Aos 34 minutos, um novo drama para o Alviverde: Arthur foi derrubado na área por Giay. O árbitro marcou o segundo pênalti para o Grêmio e, após revisão do VAR, Giay recebeu cartão vermelho. William assumiu a cobrança aos 39 e ampliou para 3 a 1.
No apagar das luzes, nos acréscimos, o Palmeiras ainda conseguiu diminuir com Benedetti, que aproveitou um cruzamento de Allan. O gol, inicialmente anulado por impedimento, foi validado pelo VAR, mas já era tarde para buscar o empate.
Próximos desafios
O Grêmio terá pela frente o Fluminense, em casa, pela 37ª rodada do Brasileirão, no dia 2 de dezembro. Já o Palmeiras vira a chave para a tão aguardada Final da Copa Libertadores, onde enfrentará o Flamengo no sábado, 29 de novembro, às 18h (de Brasília), no Estádio Monumental U, em Lima, Peru.
FICHA TÉCNICA
GRÊMIO 3 x 2 PALMEIRAS
Competição: Campeonato Brasileiro (36ª Rodada)
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Data: 25 de novembro de 2025 (terça-feira)
Horário: 21h30 (de Brasília)
Público: 26.149 presentes
Renda: R$ 1.314.249,00
Gols:
- Palmeiras: Facundo Torres, aos 23′ do 1º Tempo
- Grêmio: Amuzu, aos 47′ do 1º Tempo
- Grêmio: Carlos Vinícius, aos 15′ do 2º Tempo
- Grêmio: William, aos 39′ do 2º Tempo
- Palmeiras: Benedetti, aos 47′ do 2º Tempo
Cartões Amarelos:
- Grêmio: Carlos Vinícius, Marlon, Amuzu
- Palmeiras: Aníbal Moreno, Facundo Torres, Luighi, Giay
Cartões Vermelhos:
Arbitragem:
- Árbitro: Sávio Pereira Sampaio (DF)
- Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR), Leila Naiara Moreira da Cruz (DF)
- VAR: Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
GRÊMIO: Tiago Volpi; Marcos Rocha, Wagner Leonardo, Kannemann e Marlon; Dodi (Cuéllar), Arthur e Edenílson (William); Amuzu (Cristaldo), Carlos Vinícius e Pavón (Alysson). Técnico: Mano Menezes
PALMEIRAS: Marcelo Lomba; Giay, Benedetti, Micael (Riquelme Fillipi) e Jefté; Aníbal Moreno (Andreas Pereira), Emiliano Martínez e Mauricio (Bruno Rodrigues); Facundo Torres (Allan), Felipe Anderson e Ramón Sosa (Luighi).Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
Esportes
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
;
A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
-
Cultura7 dias atrásFérias: museus de São Paulo oferecem programação especial gratuita
-
Entretenimento6 dias atrásBianca Rinaldi homenageia enteada em aniversário e celebra relação de carinho
-
Polícia Federal6 dias atrásCCJ da Câmara aprova proposta que busca otimizar reforço vacinal
-
Política6 dias atrás‘Copa do Judiciário’ expande campanha para 2o Grau de jurisdição e aproxima TJMT do Selo Diamante
-
Agricultura4 dias atrásPecuária reage a exigências da União Europeia e cobra autonomia sobre uso de medicamentos
-
Variedades7 dias atrásMulheres pedem aprovação imediata do projeto que torna a misoginia crime
-
Variedades6 dias atrásComissão aprova proposta com novas regras para placas de atendimento prioritário
-
Polícia6 dias atrásPolícia Civil cumpre mandado de regressão cautelar em Porto Alegre do Norte
