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Goleiro do Santos assume culpa por derrota na Sul-Americana 

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O goleiro Gabriel Brazão, do Santos, não hesitou em assumir total responsabilidade pela derrota de sua equipe para o Deportivo Cuenca, do Equador, por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (8), pela estreia na Copa Sul-Americana. Em um lance crucial, Brazão sofreu um gol olímpico, marcado por Lucas Mancinelli, que selou o resultado negativo para o Peixe.

Em entrevista à ESPN após a partida, o goleiro se mostrou abalado, mas firme em sua autoavaliação. “Tinha que ter alguém ali [na primeira trave], mas eu assumo a responsabilidade. Pode colocar a derrota de hoje na minha conta. Infelizmente não fui feliz ali, ele também acertou um belo chute, mas responsabilidade minha. Hoje, perdemos por minha culpa”, declarou Brazão, visivelmente frustrado.

O lance decisivo ocorreu aos 14 minutos do segundo tempo, quando Mancinelli aproveitou a desatenção da defesa santista e, com um chute rápido e preciso da cobrança de escanteio, mandou a bola direto para o fundo das redes. Apesar de ter tentado reagir e buscar o empate, o ataque santista não conseguiu superar a defesa equatoriana.

Com o revés, o Santos inicia sua jornada na Copa Sul-Americana na lanterna do Grupo D, sem somar pontos. A chave ainda conta com San Lorenzo-ARG e Deportivo Recoleta-PAR, que empataram em 0 a 0 na outra partida da rodada.

Brazão encerrou sua fala reiterando o compromisso com o trabalho e o pedido de desculpas aos torcedores. “É seguir trabalhando. Sábado já volta o Campeonato Brasileiro. Pedir desculpas para o torcedor santista, a responsabilidade desse jogo é toda minha”, afirmou.

O Alvinegro Praiano agora foca na recuperação e terá uma sequência importante de jogos. Neste sábado (11), às 20h (de Brasília), o Santos recebe o Atlético-MG na Vila Belmiro, pela 11ª rodada do Campeonato Brasileiro. Em seguida, na terça-feira (14), também na Vila, o Peixe terá a chance de se reabilitar na Sul-Americana ao enfrentar o Deportivo Recoleta-PAR, às 21h30 (de Brasília).

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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