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Ginástica Rítmica: Brasil conquista ouro histórico no conjunto geral na Copa do Mundo
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A ginástica rítmica brasileira alcançou um feito inédito neste sábado (18), ao conquistar sua primeira medalha de ouro no conjunto geral em uma etapa de Copa do Mundo. A vitória histórica aconteceu em Milão, Itália, a pouco mais de um mês do início do Campeonato Mundial, que será sediado no Rio de Janeiro.
Com uma performance expressiva e cheia de brasilidade, a equipe composta por Duda Arakaki, Maria Paula Caminha, Mariana Gonçalves, Sofia Pereira e Nicole Pírcio encantou os jurados. Na série mista (3 bolas e 2 arcos), ao som do clássico “Evidências” (de Paulo Sérgio Valle e José Augusto), as ginastas obtiveram a nota 26.900. Somada aos 25.950 pontos do dia anterior, a pontuação total chegou a 52.850, garantindo o topo do pódio à frente do Japão (50.500) e da China (50.200).
Essa conquista se soma ao título de campeãs no conjunto geral obtido em maio, na cidade portuguesa de Portimão, em etapa do circuito World Challenge Cup.
A exibição deste sábado também assegurou a presença do Brasil na final da série mista. O conjunto, sob a liderança da treinadora Camila Ferezin, avançou em terceiro lugar para a decisão, atrás de China (27.500) e Japão (27.750).
Foco na Evolução
A treinadora Camila Ferezin celebrou o feito, mas manteve o olhar focado na evolução da equipe. “Esta é uma etapa de Copa do Mundo que antecede o Campeonato Mundial que será na nossa casa. Conquistamos esta que é nossa primeira medalha de ouro de conjunto geral numa Copa. Já havíamos conseguido bronze e prata, e agora subimos mais este degrau. Estamos felizes, e sabemos que neste domingo poderá ser ainda melhor”, afirmou, referindo-se às finais das séries de 5 fitas e de 3 bolas e de 2 arcos.
Apesar da magnitude do resultado, Camila destacou a busca constante pela excelência. “Elas sabem que podem fazer melhor. Vamos focar em execuções com maior qualidade, que são bem possíveis”, acrescentou a técnica, demonstrando a determinação do time em aprimorar cada detalhe.
Bárbara Domingos Brilha no Individual Geral
Além do sucesso do conjunto, o Brasil também teve destaque individual com Bárbara Domingos. A ginasta curitibana manteve o alto nível de suas apresentações e garantiu vaga em mais uma final de aparelho, a fita. Babi terminou na nona colocação do individual geral, consolidando sua posição entre as dez melhores desta etapa da Copa do Mundo de Ginástica Rítmica, com um total de 108.000 pontos (28.300 no arco, 27.450 na bola, 25.050 nas maças e 27.200 na fita). Na fita, ela avançou para a final com a sexta melhor nota.
O pódio do individual geral foi formado pela italiana Sofia Raffaeli (118.250), pela alemã Darja Varfolomeev (117.450) e pela ucraniana Taisiia Onofriichuk (114.150).
“Fiquei muito feliz por ter conseguido essa classificação para a final da fita e por ter terminado o individual geral na nona posição. Como já havia dito, nesta minha última competição antes do Mundial, estar no top 10 é muito importante”, declarou Babi, finalista olímpica.
A jovem Maria Eduarda Alexandre também teve boa participação, somando 105.100 pontos nos quatro aparelhos. Neste sábado, ela registrou 26.700 nas maças e 26.450 na fita, ficando em 11º lugar neste último aparelho, a apenas 0.650 de uma vaga entre as oito finalistas.
Os resultados em Milão reforçam a preparação e a força da ginástica rítmica brasileira para o Campeonato Mundial no Rio de Janeiro, prometendo grandes emoções nas próximas competições.
Programação de Finais da Ginástica Rítmica neste domingo (20) – horário de Brasília:
- 9h10 – Final arco
- 9h50 – Final bola
- 10h30 – Final 5 fitas
- 11h40 – Final maças
- 12h20 – Final fita
- 13h05 – Final 3 bolas e 2 arcos
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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