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Gabigol brilha e Santos conquista empate dramático contra o Mirassol
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Em uma noite de emoções no Estádio Campos Maia, o Santos conseguiu um empate heroico em 2 a 2 contra o Mirassol, na abertura da quinta rodada do Campeonato Brasileiro. Comandado por uma atuação decisiva de Gabigol, que balançou as redes duas vezes, o Peixe garantiu um ponto importante fora de seus domínios, apesar de ter ficado atrás no placar por duas vezes.
O duelo contou com uma presença ilustre nas arquibancadas: o técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, acompanhado do coordenador da CBF, Rodrigo Caetano. A expectativa era observar o meia-atacante Neymar, mas o jogador do Santos acabou não sendo relacionado para a partida.
O Jogo
A partida começou com o Santos buscando o controle da posse de bola, mas foi o Mirassol quem abriu o placar aos 20 minutos do primeiro tempo. Em uma bela jogada coletiva, Alesson cruzou na medida para Igor Formiga, que, sem marcação, empurrou para o fundo das redes. O Peixe teve uma chance de ouro para empatar com Gabigol, mas a finalização do camisa 9 foi interceptada por Willian Machado. Nos minutos finais da primeira etapa, o Mirassol quase ampliou em chutes de Negueba e Alesson, defendidos por Gabriel Brazão.
No segundo tempo, os donos da casa voltaram pressionando e foram recompensados aos 25 minutos. Negueba, em jogada individual, invadiu a área e soltou uma bomba para fazer o segundo gol do Mirassol, colocando uma vantagem confortável no placar.
No entanto, o Santos não se entregou. Aos 35 minutos, Gabigol recebeu lançamento de Oliva, aproveitou a falha da defesa adversária e chutou no canto, diminuindo a desvantagem. A virada de cenário foi completa aos 40 minutos, quando o árbitro, após consulta ao VAR, assinalou pênalti para o Santos por falta em Gabigol. O próprio atacante cobrou com categoria, estufando as redes e garantindo o empate para o Alvinegro Praiano. Nos acréscimos, o Mirassol tentou a pressão final, mas o placar permaneceu inalterado.
Próximos compromissos:
O Santos soma agora cinco pontos, ocupando momentaneamente a 11ª colocação na tabela. O Mirassol, com seis pontos, está em nono lugar. Ambos os clubes aguardam o complemento da rodada para confirmar suas posições.
O próximo desafio do Santos será o clássico contra o Corinthians, no domingo, dia 15 de março, às 16h (horário de Brasília), na Vila Belmiro. Já o Mirassol enfrentará o Palmeiras no mesmo dia, às 18h30, no Allianz Parque.
Com certeza! Aqui está a tabela com as informações, sem o uso de negrito:
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Mirassol 2 x 2 Santos | |
| Competição | Campeonato Brasileiro (5ª rodada) |
| Local | Campos Maia, em Mirassol (SP) |
| Data | 10 de março de 2026 (terça-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Gols do Mirassol | Igor Formiga, aos 20′ do 1ºT Negueba, aos 25′ do 2ºT |
| Gols do Santos | Gabigol, aos 35′ do 2ºT Gabigol, aos 42′ do 2ºT |
| Cartões Amarelos | Willian Machado, Alesson (Mirassol); João Schmidt (Santos) |
| Cartões Vermelhos | Nenhum |
| Árbitro | Raphael Claus (SP) |
| Assistentes | Fabrini Bevilaqua Costa (SP) Daniel Paulo Ziolli (SP) |
| VAR | Ilbert Estevam da Silva (SP) |
| Mirassol | Walter; Igor Formiga, João Victor, Willian Machado e Reinaldo; Neto Moura, Aldo Filho e Shaylon (Gabriel Pires); Negueba (Galeano), Alesson (Edson Carioca) e Nathan Fogaça (André Luis). |
| Santos | Gabriel Brazão; Igor Vinícius, Adonis Frías, Luan Peres (Zé Ivaldo) e Vini Lira (Gabriel Menino); Willian Arão (Oliva), João Schmidt (Barreal) e Bontempo (Rollheiser); Rony, Gabigol e Thaciano. |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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