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Fluminense supera Grêmio em clássico tenso e respira no Brasileirão
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Em uma noite de sábado marcada por grande expectativa e nervosismo no Maracanã, o Fluminense conquistou uma vitória de valor inestimável sobre o Grêmio, triunfando por 1 a 0 pela 18ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado não apenas garantiu os três pontos, mas também significou um alívio imenso para a torcida tricolor, que viu sua equipe quebrar uma incômoda sequência de quatro derrotas consecutivas na competição nacional.
A vitória sobre o Grêmio, somada ao recente sucesso contra o Internacional pela Copa do Brasil no meio da semana, sugere um tão aguardado ponto de virada para o Fluminense, que vinha de um período conturbado desde a Copa do Mundo de Clubes. Com o triunfo, o time das Laranjeiras ascende à oitava colocação na tabela, somando 23 pontos e ganhando um respiro fundamental na corrida por melhores posições. Para o Grêmio, a derrota representa a estagnação nos 20 pontos, mantendo a equipe na 14ª posição.
Primeiro Tempo: estratégia e insistência tricolor
A etapa inicial foi um xadrez tático, com ambas as equipes buscando impor seu ritmo. O Grêmio foi o primeiro a ameaçar, com um chute perigoso de Alysson que passou raspando a trave do goleiro Fábio. A resposta do Fluminense veio através da exploração das laterais e dos cruzamentos. O Tricolor Carioca cresceu na partida, criando as melhores chances e pressionando a defesa gaúcha. Everaldo, em duas oportunidades, subiu com liberdade para cabecear, enquanto Manoel também chegou perto de abrir o placar pelo alto.
A persistência do Fluminense foi recompensada já nos minutos finais do primeiro tempo. Aos 43, após cobrança de escanteio de Ganso, a zaga gremista afastou parcialmente. Guga, com inteligência, escorou a bola de cabeça de volta para a área, onde o atacante Everaldo se antecipou aos defensores para desviar para o fundo das redes, garantindo a vantagem tricolor em um momento psicológico crucial.
Segundo Tempo: drama, pênalti perdido e vitória sofrida
Se o gol trouxe um pouco de tranquilidade, a segunda etapa reservou um enredo de pura adrenalina. O jogo se tornou eletrizante, com o Grêmio se lançando ao ataque em busca do empate, e o Fluminense tentando liquidar a fatura. A chance de ouro para o Fluminense veio na reta final. Após revisão do VAR, a arbitragem assinalou pênalti para a equipe da casa. Everaldo, o artilheiro da noite, assumiu a responsabilidade, mas a bola caprichosamente carimbou a trave, negando ao camisa 7 a oportunidade de selar a vitória.
O pênalti desperdiçado manteve o Grêmio vivo na partida e transformou os últimos minutos em um verdadeiro teste para os nervos da defesa e da torcida tricolor. O time gaúcho intensificou a pressão, mas o Fluminense, com uma demonstração de garra e entrega, conseguiu suportar a investida adversária e assegurar a vitória magra, mas de extrema importância, no Maracanã.
Próximos confrontos
O Fluminense recebendo o Internacional na quarta-feira, pela Copa do Brasil, para o jogo de volta das oitavas de final, com a vantagem de ter vencido a partida de ida por 2 a 1. Pelo Brasileirão, o próximo desafio será fora de casa, contra o Bahia. O Grêmio, por sua vez, retorna aos seus domínios para enfrentar o Sport na próxima rodada do Campeonato Brasileiro.
FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 1X0 GRÊMIO
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro
Data: 2 de agosto (sábado),
Hora: 21h (de Brasília)
Competição: Brasileirão, 18ª rodada
Árbitro: Lucas Paulo Torezin
Cartões amarelos: Samuel Xavier (FLU); João Lucas, Lucas Esteves, Kannemann, Mano Menezes (GRE)
Gol: Everaldo (FLU), aos 43′ do 1º tempo
Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Manoel, Thiago Silva e Guga; Martinelli, Hércules (Thiago Santos) e Ganso (Lima); Serna (Riquelme Felipe), Keno (Canobbio) e Everaldo (Cano). Técnico:Renato Gaúcho.
Grêmio: Thiago Volpi; João Lucas (Camilo), Wagner Leonardo, Kannemann e Lucas Esteves; Villasanti (Edenilson), Dodi e Riquelme (Aravena); Alysson, Braithwaite e Pavón (Cristaldo). Técnico: Mano Menezes.
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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