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Fluminense empata com Borussia Dortmund em estreia no Mundial de Clubes
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O Fluminense começou sua participação na Copa do Mundo de Clubes com um empate sem gols diante do Borussia Dortmund, em partida válida pela primeira rodada do Grupo F, realizada nesta terça-feira no MetLife Stadium, em Nova Jérsei (EUA). O resultado deixa as duas equipes com um ponto na tabela, na abertura da chave.
O Jogo
O Fluminense teve um início mais promissor no confronto. Aos três minutos, Arias arriscou o primeiro chute a gol. Pouco depois, foi a vez de Renê tentar, mas sem acertar o alvo. O susto inicial fez o Borussia Dortmund buscar equilibrar a posse de bola, mas o Fluminense manteve a postura ofensiva e criou outra boa chance com Arias, que exigiu defesa do goleiro Kobel.
Os alemães só conseguiram assustar aos 21 minutos, em um cruzamento rasteiro que Guirassy não conseguiu alcançar a tempo. O Tricolor Carioca respondeu com chutes de Hércules e Martinelli, que foram para fora. Na parte final do primeiro tempo, o Fluminense aumentou a intensidade, criando boas oportunidades com Nonato e novamente Arias, mas o goleiro Kobel se destacou, garantindo o 0 a 0 até o intervalo.
Na volta para o segundo tempo, o Fluminense continuou com a postura ofensiva, buscando o gol que abriria o placar. A melhor chance surgiu aos 12 minutos, quando Everaldo foi lançado, driblou o zagueiro e, em posição de finalizar, optou por tocar para Canobbio, que chutou em cima de Kobel.
O Fluminense seguiu melhor em campo e quase marcou em um chute de Everaldo que parou em Kobel. No rebote, Nonato chegou a balançar as redes, mas o lance foi invalidado por impedimento do volante. O Borussia Dortmund tentou responder com um chute de longe de Nmecha, sem sucesso. O Fluminense, por sua vez, passou a buscar os contra-ataques, mas não conseguiu finalizar com perigo.
Nos minutos finais, o jogo permaneceu aberto. O Borussia Dortmund criou sua melhor chance na partida em um chute de Sule que parou em uma defesa segura do goleiro Fábio. Com isso, o placar não foi alterado, e o confronto terminou com o empate sem gols em Nova Jérsei.
Próximos confrontos
Na próxima rodada, o Fluminense terá pela frente o Ulsan, da Coreia do Sul, no sábado (22), às 19h (de Brasília), novamente no Metlife Stadium. No mesmo dia, o Borussia Dortmund enfrentará o Mamelodi Sundowns, da África do Sul, às 13h (de Brasília), no TQL Stadium, em Cincinnati.
FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE X BORUSSIA DORTMUND
Local: Estádio MetLife Stadium, em Nova Jérsei, nos Estados Unidos
Data: 17/06/2025
Horário: 13h (de Brasília)
Árbitro: Ilgiz Tantashev (Uzbequistão)
Assistentes: Andrey Tsapenko (Uzbequistão) e Timur Gaynullin (Uzbequistão)
Cartões amarelos: Martinelli e Nonato (Fluminense); Bensebaini e Yan Couto (Borussia Dortmund)
FLUMINENSE: Fábio, Samuel Xavier, Thiago Silva, Juan Freytes e Renê; Hércules, Martinelli (Lima), Nonato (Paulo Baya) e Jhon Arias; Canobbio (Serna) e Everaldo (Cano). Técnico: Renato Gaúcho
BORUSSIA DORTMUND: Kobel, Ryerson (Yan Couto), Anton, Sule e Svensson; Bensebaini, Gross (Bellingham), Sabitzer (Chukwuemeka) e Brandt (Gittens); Guirassy e Adeyemi (Nmecha). Técnico: Niko Kovac
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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