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Fluminense derrota Deportivo La Guaira no Maracanã e carimba vaga nas oitavas de final da Libertadores
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O Fluminense carimbou seu passaporte para as oitavas de final da Copa Libertadores ao vencer o Deportivo La Guaira por 3 a 1, em duelo disputado no Maracanã pela última rodada da fase de grupos. Os gols da vitória tricolor foram assinalados por Savarino, Hércules e Canobbio, enquanto Londoño descontou para os visitantes. Com o triunfo, o time carioca alcançou os oito pontos e garantiu a segunda colocação do grupo, beneficiado também pela vitória do Independiente Rivadavia sobre o Bolívar por 3 a 1, resultado que eliminou a equipe boliviana e permitiu o avanço dos brasileiros. O La Guaira encerrou sua participação na lanterna da chave, com três pontos.
O jogo
Pressionado pela necessidade de vencer para seguir vivo no torneio, o Fluminense iniciou a partida de forma ofensiva e abriu o placar logo aos 10 minutos. Após Canobbio ser derrubado na área e o árbitro assinalar pênalti, Savarino cobrou com categoria, acertando o canto direito do goleiro para fazer 1 a 0. A resposta do time venezuelano foi rápida e o empate veio apenas dois minutos depois, quando Londoño finalizou em cima de Freytes e aproveitou o rebote para chutar de primeira para o fundo das redes.
O Tricolor não se abateu e retomou a vantagem ainda na etapa inicial. Aos 28 minutos, Martinelli fez boa jogada pelo setor direito e deu um passe preciso para Hércules, que dominou na área e bateu cruzado, sem chances de defesa. No segundo tempo, o Fluminense consolidou a vitória aos 21 minutos, quando Canobbio aproveitou um vacilo da defesa adversária, roubou a bola na grande área e finalizou com um belo chute de trivela, superando o goleiro Varela e decretando o placar de 3 a 1.
Próximos jogos
Fluminense
Jogo: Cruzeiro x Fluminense
Competição: Campeonato Brasileiro – 18ª rodada
Data e horário: Domingo, 31 de maio de 2026, às 20h30 (de Brasília)
Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
La Guaira
Jogo: La Guaira x Puerto Cabello
Competição: Campeonato Venezuelano – 6ª rodada (Grupo A)
Data e horário: Sábado, 30 de maio de 2026, às 21h (de Brasília)
Local: Estadio Olimpico de la UCV, em Caracas (VEN)
Fonte: Esportes
Esportes
O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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