Esportes

Fluminense atropela o Corinthians e salta para a vice-liderança do Brasileirão

Publicado em

Esportes

;

Em uma noite de gala no Maracanã, o Fluminense não tomou conhecimento do Corinthians e aplicou uma goleada de 3 a 1 nesta quarta-feira (1º), pela nona rodada do Campeonato Brasileiro. A vitória expressiva catapulta o Tricolor das Laranjeiras para a vice-liderança da competição, igualando os 19 pontos do líder Palmeiras, que ainda tem um jogo a menos. John Kennedy, Hércules e Castillo foram os nomes da noite para a torcida tricolor, que viu a equipe demonstrar grande poder ofensivo.

Enquanto o Fluminense celebrava, a pressão aumentava sobre o Corinthians, que amargou o oitavo jogo sem vitória na temporada, além de ver a estreia do meia-atacante inglês Jesse Lingard ser ofuscada pela atuação dominante do adversário e pela expulsão de Allan no início do segundo tempo. André marcou o gol de honra dos visitantes.

O jogo

Apesar de uma breve ameaça corintiana no primeiro minuto, com um chute de Allan defendido por Fábio, o Fluminense rapidamente assumiu o controle da partida. Aos 18 minutos, o Tricolor abriu o placar após um erro de Bidon no meio-campo. Serna puxou o contra-ataque pela esquerda, deixou Gabriel Paulista para trás e rolou para John Kennedy, que driblou Kauê e mandou para o fundo das redes.

Ainda antes do intervalo, o Fluminense ampliou sua vantagem. Aos 47 minutos, Serna novamente disparou em velocidade, chutou na trave, e no rebote, Hércules estava no lugar certo para empurrar para o gol vazio, levando o time com uma confortável vantagem para o vestiário.

Segundo tempo 

O Corinthians tentou reagir no segundo tempo com três substituições, incluindo a entrada de Lingard, mas a estratégia foi por água abaixo aos seis minutos, quando Allan foi expulso, deixando a equipe paulista com um a menos. Com a vantagem numérica, o Fluminense continuou impondo seu ritmo, criando diversas chances e sufocando o adversário.

Aos 37 minutos, a superioridade tricolor foi recompensada com o terceiro gol. Após uma bela troca de passes na área, Martinelli rolou para Castillo, que finalizou cruzado e estufou as redes, sacramentando a goleada. Já nos minutos finais, André ainda conseguiu descontar para o Corinthians, mas sem alterar o panorama da partida.

Com a excelente performance, o Fluminense se consolida como uma das forças do Brasileirão, mostrando que está firme na briga pelas primeiras posições.

Próximos desafios

Fluminense agora viaja para Curitiba para enfrentar o Coritiba no sábado (04 de abril de 2026), às 20h30 (de Brasília), pela décima rodada do Campeonato Brasileiro.

O Corinthians, por sua vez, terá o Internacional pela frente no domingo (05 de abril de 2026), às 19h30 (de Brasília), na Neo Química Arena.

FICHA TÉCNCIA

Competição Placar Local Data Horário
Campeonato Brasileiro (9ª rodada) Fluminense 3 x 1 Corinthians Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ) 1 de abril de 2026 (quarta-feira) 21h30 (de Brasília)

Gols

Time Jogador Minuto
Fluminense John Kennedy 18′ do 1ºT
Fluminense Hércules 47′ do 1ºT
Fluminense Castillo 37′ do 2ºT
Corinthians André 43′ do 2ºT

Cartões

Tipo de Cartão Time Jogadores/Técnicos
Amarelo Corinthians Matheus Bidu, André, Matheus Pereira
Amarelo Fluminense Lucho Acosta
Vermelho Corinthians Allan

Arbitragem

Função Nome Estado
Árbitro Davi de Oliveira Lacerda ES
Assistente 1 Rafael da Silva Alves RS
Assistente 2 Douglas Pagung ES
VAR Rodrigo D’Alonso Ferreira SC

Escalações

Fluminense: Fábio; Samuel Xavier, Jemmes, Freytes e Renê; Martinelli (Cano), Hércules (Alisson) e Lucho Acosta (Ganso); Savarino, Kevin Serna (Soteldo) e John Kennedy (Castillo). Técnico: Luis Zubeldía

Corinthians: Kauê; Matheuzinho, Gabriel Paulista, Gustavo Henrique e Matheus Bidu (Angileri); Allan, Charles (Matheus Pereira), André, Breno Bidon (Jesse Lingard) e Rodrigo Garro (Dieguinho); Yuri Alberto (Zakaria Labyad).Técnico: Dorival Júnior

Fonte: Esportes

COMENTE ABAIXO:
Propaganda

Esportes

O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

Publicados

em

;

A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

COMENTE ABAIXO:
Continue lendo

POLÍTICA

POLÍCIA

ESPORTES

ENTRETENIMENTO

MAIS LIDAS DA SEMANA