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Flamengo vence Palmeiras e acirra disputa pelo Brasileirão
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Em um confronto digno de final de campeonato, o Flamengo superou o Palmeiras por 3 a 2 neste domingo (19.10), no Maracanã, em partida válida pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. O resultado não apenas garantiu uma vitória emocionante para o Rubro-Negro, mas também esquentou de vez a briga pela liderança, com ambas as equipes agora empatadas em 61 pontos.
O atacante Pedro foi o grande protagonista da noite carioca, participando diretamente dos três gols do Flamengo, com um tento, uma assistência e um pênalti sofrido. Arrascaeta e Jorginho completaram o placar para o time da casa. Pelo lado palmeirense, Vitor Roque e Gustavo Gómez balançaram as redes, mas não foram suficientes para evitar a derrota, que marcou uma estreia infeliz para o goleiro Carlos Miguel.
Lance polêmico
Aos dois minutos, o zagueiro Gustavo Gómez, do Palmeiras, subiu para tentar cabecear a bola após cruzamento. No entanto, sofreu carga do volante Jorginho, do Flamengo. Pênalti claro, o arbitro mandou seguir o jogo.
Primeiro tempo
Mesmo atuando fora de seus domínios, o Palmeiras iniciou a partida com uma postura ofensiva, buscando pressionar o adversário. Contudo, a estratégia custou caro. Aos 9 minutos, Rossi lançou Pedro, que fez o pivô e deixou Arrascaeta livre para finalizar no canto, abrindo o placar para o Flamengo.
Apesar do gol sofrido, o Verdão manteve a intensidade e, aos 24 minutos, colheu os frutos de sua pressão. Khellven cruzou com precisão para Vitor Roque, que, nas costas da marcação, cabeceou para o fundo da rede, empatando o confronto.
No entanto, a defesa palmeirense voltou a ceder. Aos 37 minutos, Bruno Fuchs cometeu pênalti em Pedro. Na cobrança, Jorginho deslocou Carlos Miguel e recolocou o Flamengo à frente. Para coroar um primeiro tempo movimentado, Pedro aproveitou uma falha de Aníbal Moreno aos 44 minutos, roubou a bola e, cara a cara com o goleiro, marcou o terceiro do Flamengo, levando a torcida ao delírio.
Segundo tempo
Na etapa final, o Palmeiras tentou reagir e pressionou em busca do prejuízo. Logo no início, Vitor Roque arriscou de longe, e a bola beijou o travessão. Felipe Anderson e Flaco López também tiveram chances, mas esbarraram nas defesas ou na falta de pontaria. O goleiro Rossi, do Flamengo, teve participação crucial, realizando defesas importantes para manter a vantagem rubro-negra.
O Flamengo, por sua vez, administrou o resultado, criando poucas chances claras, mas mantendo o controle da partida. No último lance, aos 49 minutos, o Palmeiras ainda conseguiu descontar com Gustavo Gómez, que aproveitou um rebote do goleiro Rossi após chute de Facundo. A reação, contudo, veio tarde demais.
Disputa pelo título e foco na Libertadores
Com a vitória, o Flamengo alcançou o Palmeiras na pontuação, ambos com 61 pontos. O Verdão mantém a liderança por ter mais vitórias, mas a desvantagem rubro-negra de um jogo a menos na competição significa que a reta final do Campeonato Brasileiro promete ser emocionante.
Ambas as equipes agora voltam suas atenções para a Copa Libertadores. O Flamengo enfrentará o Racing-ARG em casa no dia 22 de outubro, às 21h30 (de Brasília), pela semifinal. Já o Palmeiras viajará para enfrentar a LDU-EQU em Quito, no dia 23 de outubro, também às 21h30 (de Brasília), pelo jogo de ida da semifinal.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 3 X 2 PALMEIRAS
Competição: Campeonato Brasileiro (29ª rodada)
Local: Estádio do Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data: 19 de outubro de 2025 (domingo)
Horário: 16h (de Brasília)
Arbitragem
- Árbitro: Wilton Pereira Sampaio (GO)
- Assistentes: Bruno Raphael Pires (GO) e Bruno Boschilia (PR)
- VAR: Caio Max Augusto Vieira (GO)
Cartões Amarelos:
- Flamengo: Pulgar, Alex Sandro, Carrascal
- Palmeiras: Maurício, Gustavo Gómez
Cartões Vermelhos:
- Palmeiras: Piquerez e João Martins (auxiliar técnico)
Gols:
- Flamengo: Arrascaeta, aos 09′ do 1ºT
- Palmeiras: Vitor Roque, aos 24′ do 1ºT
- Flamengo: Jorginho, aos 41′ do 1ºT
- Flamengo: Pedro, aos 44′ do 1ºT
- Palmeiras: Gustavo Gómez, aos 49′ do 2ºT
FLAMENGO: Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz (Danilo), Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar (Saúl) e Jorginho; Samuel Lino (Carrascal), Arrascaeta (Plata) e Luiz Araújo; Pedro (Bruno Henrique). Técnico: Felipe Luiz
PALMEIRAS: Carlos Miguel; Khellven (Facundo Torres), Gustavo Gómez, Fuchs e Piquerez; Aníbal Moreno (Emiliano Martínez), Andreas Pereira (Raphael Veiga), Maurício (Allan) e Felipe Anderson (Sosa); Flaco López e Vitor Roque.Técnico: Abel Ferreira
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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