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Flamengo vence o Estudiantes e confirma vaga nas oitavas da Libertadores
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O Flamengo confirmou a classificação para as oitavas de final da Copa Libertadores ao vencer o Estudiantes de La Plata por 1 a 0, na noite desta quarta-feira (20.05), no Maracanã, pela quinta rodada da fase de grupos. Com o resultado, o time rubro-negro chegou aos 10 pontos, assumiu a liderança do Grupo A e garantiu presença na próxima fase do torneio continental.
A equipe carioca ainda aguarda a definição sobre a partida interrompida contra o Independiente Medellín, situação que pode render mais três pontos por W.O. ao clube brasileiro. Já o Estudiantes permanece com seis pontos e ocupa a segunda colocação, mas ainda pode ser ultrapassado caso o Medellín vença o Cusco no complemento da rodada.
O jogo
O confronto no Maracanã foi equilibrado, especialmente no primeiro tempo, com forte disputa por espaços e poucas oportunidades claras. Aos 34 minutos, o Flamengo chegou a ter um pênalti marcado a seu favor após Bruno Henrique cair em disputa com Eric Meza dentro da área. No entanto, após revisão do VAR, a arbitragem corrigiu a decisão inicial e apontou que a infração aconteceu fora da área.
Na etapa final, o time comandado pelo Flamengo conseguiu transformar a pressão em vantagem no placar. Aos 20 minutos, o goleiro Muslera falhou ao tentar cortar uma bola dentro da área, e Pedro ficou com a sobra. O atacante ainda tirou a marcação de Eric Meza antes de finalizar para o fundo do gol, definindo a vitória rubro-negra no Maracanã.
Com o triunfo, o Flamengo avança às oitavas em situação confortável e agora volta a atenção para o Campeonato Brasileiro. O próximo compromisso da equipe será no sábado (23), às 21h, diante do Palmeiras, novamente no Maracanã, pela 17ª rodada da Série A.
O Estudiantes, por sua vez, terá pela frente um duelo decisivo na última rodada da Libertadores. O time argentino recebe o Independiente Medellín na segunda-feira (26), às 21h30, no estádio Jorge Luis Hirschi, em La Plata, ainda lutando pela classificação no Grupo A.
| FICHA TÉCNICA | |
|---|---|
| Flamengo 1 x 0 Estudiantes | |
| Competição | Copa Libertadores – Rodada 5 (Grupo A) |
| Local | Maracanã, Rio de Janeiro (RJ) |
| Data | 20 de maio de 2026 (quarta-feira) |
| Horário | 21h30 (de Brasília) |
| Cartões amarelos – Flamengo | Evertton Araújo e Luiz Araújo |
| Cartões amarelos – Estudiantes | Piovi, Meza, Tomás Palácios, Tiago Palácios e González Pírez |
| Cartões vermelhos | Nenhum |
| Gol | Pedro, aos 20′ do 2ºT (Flamengo) |
| Árbitro | Esteban Ostojich (URU) |
| Assistentes | Marin Soppi (URU) e Horacio Ferreiro (URU) |
| VAR | Leodan González (URU) |
| Flamengo | Rossi; Emerson Royal, Léo Ortiz, Léo Pereira, Ayrton Lucas; Evertton Araújo (Lucas Paquetá), Jorginho, Carrascal (Wallace Yan); Luiz Araújo (Samuel Lino), Pedro (Varela) e Bruno Henrique (De La Cruz). Técnico: Leonardo Jardim |
| Estudiantes | Muslera; Meza, Santiago Núñez, González Pírez, Tomás Palacios; Amondarain (Gaich), Piovi (Gabriel Neves), Alexis Castro (Facundo Farías), Tiago Palacios (Fabrício Pérez); Aguirre (Cetré) e Carillo. Técnico: Alexander Medina |
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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