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Flamengo vence o Ceará e conquista o Brasileirão 2025

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O Flamengo é o grande campeão do Campeonato Brasileiro de 2025! Em uma noite de festa no Maracanã lotado, o Rubro-Negro venceu o Ceará por 1 a 0 nesta quarta-feira e garantiu o nono título da Série A com uma rodada de antecedência. O gol decisivo foi marcado por Samuel Lino no primeiro tempo, levando a torcida ao delírio.

A conquista encerra um período de cinco anos sem erguer o troféu do Brasileirão, um hiato que vinha incomodando os flamenguistas. Este é o nono título nacional do clube (contando as conquistas de 1980, 1982, 1983, 1987, 1992, 2009, 2019 e 2020), diminuindo a diferença para o Palmeiras, detentor de 12 taças, embora a polêmica sobre o título de 1987 ainda persista. Para completar a celebração, o Flamengo voltou a ser campeão brasileiro no lendário Maracanã, algo que não acontecia desde 2009, quando o hexacampeonato foi selado. Ao todo, o Rubro-Negro já ergueu 34 troféus no palco sagrado.

Precisando apenas de si para confirmar a taça, o Flamengo cumpriu sua missão. Com a vitória, a equipe comandada pelo técnico Filipe Luís atingiu 78 pontos. O Palmeiras, apesar de ter vencido o Atlético-MG na mesma rodada, chegou a 73 pontos e não tem mais chances matemáticas de alcançar o líder, garantindo ao Rubro-Negro uma comemoração antecipada.

Para o Ceará, a derrota complicou ainda mais a situação. O “Vozão” completou quatro jogos sem vencer e segue ameaçado pelo rebaixamento, ocupando a 15ª posição com 43 pontos, apenas um acima do Vitória, que abre a zona da degola. A última rodada promete ser de drama para os cearenses, que terão um confronto direto contra o vice-campeão Palmeiras.

O Jogo

O Flamengo demonstrou desde o início sua intenção de buscar o título. Aos três minutos, Jorginho arriscou de fora da área, e aos nove, Bruno Henrique e Carrascal assustaram a meta adversária. Aos 26, Jorginho novamente finalizou, mas por cima. Aos 35, Arrascaeta tentou, mas sem sucesso.

A persistência rubro-negra foi recompensada aos 37 minutos. Em uma bela jogada, Carrascal fez um passe preciso para dentro da área. Jorginho deixou a bola passar, e Samuel Lino, com frieza, bateu na saída do goleiro Bruno Ferreira, abrindo o placar e inflamando o Maracanã.

Na segunda etapa, o Flamengo continuou dominante. Arrascaeta, aos 10 minutos, e Samuel Lino, pouco depois, quase ampliaram. Bruno Henrique teve uma grande chance aos 14, mas parou em Bruno Ferreira. Nos minutos finais, o time carioca soube administrar a vantagem, controlando a posse de bola e impedindo qualquer reação significativa do Ceará. Com o apito final, a festa rubro-negra explodiu nas arquibancadas, celebrando mais um título brasileiro.

Próximos compromissos

Ambas as equipes encerram sua participação no Campeonato Brasileiro no dia 7 de dezembro (quarta-feira), às 16h (de Brasília). O campeão Flamengo viaja para enfrentar o Mirassol no Estádio José Maria de Campos Maia, enquanto o Ceará terá um duelo crucial contra o Palmeiras na Arena Castelão, buscando escapar do rebaixamento.

FICHA TÉCNICA
                                                                    FLAMENGO 1 x 0 CEARÁ
Competição Campeonato Brasileiro (37ª rodada)
Local Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data 03 de dezembro de 2025 (quarta-feira)
Horário 21h30 (de Brasília)
Cartões Amarelos Nenhum
Cartões Vermelhos Nenhum
Árbitro Rodrigo Jose Pereira de Lima (PE)
Assistentes Rafael da Silva Alves (RS) e Thiaggo Americano Labes (SC)
VAR Rodrigo Emerson de Almeida Ferreira (MG)
Gol Samuel Lino, aos 37′ do 1ºT (Flamengo)
Escalação Flamengo Rossi; Varela, Danilo, Léo Pereira e Alex Sandro; Pulgar, Jorginho (De la Cruz) e Arrascaeta (Plata); Carrascal (Luiz Araújo), Samuel Lino (Cebolinha) e Bruno Henrique (Saúl).
Técnico Flamengo Filipe Luís
Escalação Ceará Bruno Ferreira; Rafael Ramos, Marcos Victor, Eder e Fabiano Souza (Marllon); Dieguinho (Lucas Mugni), Zanocelo (Vina) e Fernando Sobral (Lourenço); Galeano, Paulo Baya (Fernandinho) e Pedro Raul.
Técnico Ceará Léo Condé

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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