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Flamengo vence Atlético-MG e assume liderança isolada do Brasileirão
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O Flamengo é o novo líder do Campeonato Brasileiro. Em uma partida estratégica disputada neste domingo (data inferida pelo contexto) no Maracanã, o Rubro-Negro Carioca superou o Atlético-MG por 1 a 0, em confronto válido pela 17ª rodada da competição. O gol da vitória, que catapultou o time à ponta da tabela, foi marcado pelo zagueiro Léo Ortiz.
Com o triunfo, o Flamengo alcançou a marca de 36 pontos, abrindo dois pontos de vantagem sobre o vice-líder Cruzeiro, que tropeçou em sua partida contra o Ceará nesta rodada. Para o Atlético-MG, o resultado representou uma queda na tabela, com a equipe mineira caindo para a 13ª posição, estacionando nos 20 pontos.
O Jogo
O primeiro tempo no Maracanã foi marcado por um intenso equilíbrio entre as duas equipes. O Flamengo, jogando em casa, iniciou a partida com maior posse de bola e buscou a primeira investida ofensiva logo aos 4 minutos, em finalização de Pedro que exigiu boa defesa do goleiro atleticano Everson.
No entanto, a resposta do Atlético-MG foi quase imediata e assustadora. Aos 5 minutos, após um erro da defesa rubro-negra, Rony roubou a bola de Rossi e, com o gol aberto, finalizou. Contudo, o lateral Varela fez uma intervenção crucial, afastando a bola em cima da linha e salvando o Flamengo de sofrer o gol. Pouco depois, em outra jogada de perigo na área, Gustavo Scarpa acertou o travessão, mantendo o placar inalterado. O Flamengo ainda teve uma reclamação de pênalti sobre o jogador Plata, mas o VAR corrigiu a jogada para falta fora da área, sem a expulsão de Fausto, que era o último defensor.
Na segunda etapa, o cenário tático se manteve com o Flamengo controlando a posse de bola e o Atlético-MG mais recuado, priorizando a defesa e buscando os contra-ataques. As chances de gol foram escassas para ambos os lados até os 30 minutos, quando a persistência rubro-negra foi recompensada. Em uma cobrança de falta lateral precisa de Luiz Araújo, Léo Ortiz subiu mais alto que a defesa adversária e cabeceou para o fundo das redes, marcando o único gol da partida e levando a torcida ao delírio.
Nos acréscimos, o Flamengo ainda teve a oportunidade de ampliar o placar, com Léo Pereira cobrando uma falta que passou muito próxima à trave, mas o placar de 1 a 0 se manteve até o apito final.
Próximos desafios
As duas equipes terão um reencontro rápido e decisivo. Já nesta quinta-feira, às 21h30 (de Brasília), Flamengo e Atlético-MG voltam a se enfrentar no Maracanã, pelo jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil, prometendo mais um duelo de tirar o fôlego.
Pelo Campeonato Brasileiro, o Flamengo viaja para enfrentar o Ceará na Arena Castelão neste domingo, às 18h30. No mesmo dia e horário, o Atlético-MG recebe o Red Bull Bragantino na Arena MRV, buscando a reabilitação na competição.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 1 x 0 ATLÉTICO MINEIRO
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data: 27/07/2025
Horário: 20h30 (de Brasília)
Árbitro: Ramon Abatti Abel (SC)
Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Alex dos Santos (SC)
VAR: Marcio Henrique de Gois (SP)
Cartões amarelos: Allan, Pedro, Viña e Wallace Yan (Flamengo) / Everson, Saraiva e Fausto Vera e Hulk (Atlético-MG)
GOLS: Léo Ortiz, aos 35′ do 2ºT (Flamengo)
FLAMENGO: Rossi; Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Viña (Cleiton); Allan (Everton Araújo), Jorginho e Arrascaeta (Wallace Yan); Bruno Henrique, Plata (Luiz Araújo) e Pedro (Juninho). Técnico: Filipe Luís
ATLÉTICO-MG: Everson; Saravia (Biel), Igor Rabello, Junior Alonso e Alan Franco; Fausto Vera (Natanael), Gabriel Menino (Júnior Santos) e Gustavo Scarpa; Hulk, Rony (Igor Gomes) e Cuello. Técnico: Cuca
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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