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Flamengo perde para o Fortaleza; Palmeira segue líder do Brasileirão
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A aposta do Flamengo em poupar seus titulares para a semifinal da Libertadores não rendeu frutos no Campeonato Brasileiro. Com um time recheado de reservas, o Rubro-Negro foi superado por um aguerrido Fortaleza por 1 a 0 na noite desta sexta-feira, na Arena Castelão. O resultado, pela 30ª rodada, impediu o clube carioca de assumir a liderança do Brasileirão e, mais importante, acende um alerta sobre a profundidade do elenco antes do crucial confronto continental.
O único gol da partida foi marcado por Breno Lopes no primeiro tempo, selando uma vitória vital para o Fortaleza em sua luta contra o rebaixamento. Para o Flamengo, a derrota reforça a pressão para o duelo da próxima quarta-feira, na Argentina, contra o Racing, que agora se tornou a “final” antecipada do semestre.
O Jogo
A escalação inicial do técnico Filipe Luís, com sete desfalques importantes, deixou clara a prioridade da semana: o jogo de volta contra o Racing. No entanto, o que se viu em campo foi um Flamengo sem o entrosamento e a intensidade habituais. O Fortaleza, motivado por sua delicada situação na tabela, aproveitou-se da situação.
Logo aos 7 minutos, Bareiro quase abriu o placar em um lance cara a cara com Rossi, mas Ayrton Lucas protagonizou uma recuperação espetacular, salvando a bola em cima da linha. O aviso, contudo, não foi o suficiente. Aos 11 minutos, em um rápido contra-ataque, Herrera serviu Breno Lopes, que bateu cruzado de fora da área para estufar as redes e abrir o placar para os donos da casa.
Mesmo com maior posse de bola, o Flamengo errava muitos passes e não conseguia ameaçar o gol adversário. A única chance real da primeira etapa veio aos 43 minutos, quando Samuel Lino, livre na área, optou por um passe em vez de finalizar, e a zaga do Fortaleza cortou a jogada, exemplificando a inoperância ofensiva do time.
Na segunda etapa, Filipe Luís lançou suas principais peças, como Luiz Araújo, Michael e Wallace Yan, na tentativa de reverter o cenário. O Flamengo se lançou ao ataque em um bombardeio, mas de forma desorganizada. As oportunidades surgiram: Saúl parou em uma grande defesa de Brenno, Arrascaeta teve duas chances claras – uma para fora e outra desviando caprichosamente em Wallace Yan. O próprio Wallace Yan, de cabeça, também levou perigo.
Apesar da intensa pressão, a pontaria rubro-negra não estava calibrada. O Fortaleza, por sua vez, se segurou com bravura e garantiu uma vitória fundamental para suas pretensões na Série A.
Situação na tabela
Com a derrota, o Flamengo permanece na segunda posição da tabela do Brasileirão, com os mesmos 61 pontos do líder Palmeiras. A chance de assumir a ponta foi desperdiçada, e a partida expôs uma preocupante falta de profundidade no elenco, especialmente quando os titulares são poupados.
O Fortaleza, por sua vez, com a vitória, chega aos 27 pontos, mas ainda ocupa a 18ª colocação, dentro da zona de rebaixamento, mantendo viva a esperança de permanecer na elite.
Todas as atenções voltadas para a Libertadores
Apesar da frustração no Brasileirão, a derrota no Castelão será rapidamente esquecida se o Flamengo garantir sua vaga na final da Copa Libertadores. O jogo de volta contra o Racing, na próxima quarta-feira, é o foco principal. Tendo vencido a partida de ida por 1 a 0, na Argentina, o Rubro-Negro precisa apenas de um empate para avançar à grande decisão continental. A Nação vira todas as suas energias para este confronto decisivo.
Ficha Técnica
Fortaleza 1 x 0 Flamengo
Competição: Campeonato Brasileiro, 30ª rodada
Local: Arena Castelão, Fortaleza (CE)
Data: 25 de outubro de 2025 (sábado)
Horário: 19h30 (de Brasília)
Gols: Breno Lopes, aos 12 minutos do 1º tempo (Fortaleza)
Cartões Amarelos:
- Fortaleza: Breno Lopes
- Flamengo: Léo Pereira
Arbitragem:
- Árbitro: Davi de Oliveira Lacerda (ES)
- Assistentes: Guilherme Dias Camilo (MG) e Douglas Pagung (ES)
- VAR: Wagner Reway (SC)
Fortaleza:
- Time: Brenno; Mancuso, Brítez, Gastón Ávila e Bruno Pacheco; Lucas Sasha, Pierre (Rodrigo Santos) e Pochettino (Matheus Rossetto); Breno Lopes (Kayke Queiroz), Bareiro (Moisés) e Herrera (Yago Pikachu).
- Técnico: Martín Palermo
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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