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Flamengo perde para o Bahia e deixa a liderança do Brasileirão

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O Flamengo sofreu um revés neste domingo ao ser derrotado pelo Bahia por 1 a 0 na Arena Fonte Nova, em Salvador, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro. O gol de Willian José, somado às expulsões de Danilo e Wallace Yan, custou ao Rubro-Negro a liderança da competição.

Com o resultado negativo, a equipe comandada por Filipe Luís permanece com 55 pontos. Embora tenha a mesma pontuação do Palmeiras, o time carioca foi ultrapassado na tabela devido ao menor número de vitórias, e o Alviverde ainda possui um jogo a menos. O Bahia, por sua vez, fez valer o mando de campo, somou 43 pontos e saltou para a quinta colocação, superando o Mirassol.

O jogo

A partida começou com um golpe duro para o Flamengo logo aos 12 minutos. Após lançamento para Tiago, o zagueiro Danilo levantou demais o pé e atingiu o rosto do adversário, sendo prontamente expulso pelo árbitro, deixando o time carioca com um jogador a menos.

Mesmo em desvantagem numérica, o jogo seguiu equilibrado. O Bahia chegou a assustar em chute de Everton Ribeiro que saiu pela linha de fundo, e o Flamengo respondeu com Samuel Lino, que parou em grande defesa do goleiro Ronaldo. No entanto, aos 44 minutos, os donos da casa conseguiram abrir o placar. Após um bate-rebate na área, a bola sobrou para Willian José, que finalizou para o fundo das redes, levando o Bahia para o intervalo com a vantagem.

Segundo tempo 

Na volta do vestiário, o Bahia chegou a balançar as redes novamente aos 20 minutos com Michel Araújo, mas o lance foi invalidado por impedimento. Pouco depois, Cauly recebeu na área e finalizou para boa defesa do goleiro Rossi.

Mesmo com dois jogadores a menos (Wallace Yan também foi expulso em outro lance de campo), o Flamengo não se entregou e manteve uma postura ofensiva, buscando o empate. Os cariocas criaram uma boa chance aos 42 minutos com Léo Ortiz, que finalizou em cima de Ronaldo. No entanto, o Bahia conseguiu administrar o resultado e garantiu a importante vitória na Fonte Nova.

Próximos compromissos

O Bahia terá um clássico regional na próxima rodada, enfrentando o Vitória no dia 16 de outubro, às 21h30 (de Brasília), no Barradão, pela 28ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Já o Flamengo terá outro desafio fora de casa, visitando o Botafogo no Nilton Santos no dia 15 de outubro, às 19h30 (de Brasília), também pela 28ª rodada do Brasileirão.

FICHA TÉCNICA

Bahia 1 x 0 Flamengo

Competição: Campeonato Brasileiro

Data: 5 de outubro de 2025 (domingo)

Horário: 18h30 (de Brasília)

Local: Arena Fonte Nova

Gol: Willian José, aos 45′ do 1ºT (Bahia)

Cartões Amarelos: Willian José, Gilberto (Bahia) – De la Cruz, Jorginho (Flamengo)

Cartões Vermelhos: Danilo, Wallace Yan (Flamengo)

Arbitragem:

  • Árbitro: Rodrigo Jose Pereira de Lima (PE)
  • Assistentes: Bruno Boschilia (PR) e Nailton Junior de Sousa Oliveira (CE)
  • VAR: José Mendonça da Silva Júnior (PR)

Bahia:

  • Ronaldo
  • Gilberto
  • Davis Duarte
  • Rezende
  • Iago
  • Acevedo
  • Jean Lucas
  • Everton Ribeiro (Kaue)
  • Kayky
  • Ademir (Kayky)
  • Tiago (Michel Araújo)
  • Willian José (Cauly)
  • Técnico: Rogério Ceni

Flamengo:

  • Rossi
  • Emerson Royal
  • Léo Ortiz
  • Danilo
  • Ayrton Lucas
  • Jorginho
  • De La Cruz (Luiz Araújo)
  • Arrascaeta (Wallace Yan)
  • Samuel Lino (Bruno Henrique)
  • Carrascal (Plata)
  • Pedro (Cleiton)
  • Técnico: Filipe Luis

Fonte: Esportes

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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não

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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.

Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.

O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.

A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.

É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.

Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.

Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.

A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.

No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.

Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar

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