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Flamengo aplica goleada histórica de 8 a 0 no Vitória e consolida liderança no Brasileirão
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Em uma noite de gala no Maracanã, o Flamengo demonstrou sua força avassaladora ao golear o Vitória por incríveis 8 a 0, em partida válida pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. O massacre rubro-negro, ocorrido nesta segunda-feira, teve como grande protagonista o atacante Samuel Lino, que não só marcou seus dois primeiros gols com a camisa flamenguista, mas também distribuiu três assistências, sendo o motor da ofensiva carioca.
Com o resultado elástico, o time da Gávea atingiu a marca de 46 pontos, isolando-se ainda mais na liderança da competição. Para o Vitória, a derrota acachapante mantém a equipe com 19 pontos, afundada na zona de rebaixamento e perdendo a chance de respirar na tabela.
O jogo
Desde o apito inicial, o Flamengo ditou o ritmo do jogo. Com apenas um minuto, Samuel Lino inaugurou o placar ao ser lançado na área e finalizar com precisão. A euforia da torcida mal havia cessado quando, aos três minutos, Pedro ampliou com um toque de cobertura magistral sobre o goleiro Lucas Arcanjo. A pressão não diminuiu, com Arrascaeta quase marcando o terceiro pouco depois.
Apesar de uma breve tentativa do Vitória de equilibrar as ações, o controle era total do Rubro-Negro. Aos 31 minutos, Samuel Lino quase marcou um golaço de cobertura, mas Lucas Halter salvou em cima da linha. Aos 33, no entanto, não teve jeito: Arrascaeta recebeu na área e finalizou firme, no contrapé do goleiro, para fazer o terceiro. O Vitória só conseguiu criar sua primeira chance real aos 37 minutos, com Ronald, que parou em defesa de Rossi.
Segundo tempo
A volta do intervalo não mudou o panorama. Com menos de um minuto da etapa final, Pedro marcou seu segundo gol na partida, empurrando para o fundo do gol após receber na pequena área. O baque foi sentido pelo Vitória, que viu Samuel Lino ampliar para o quinto gol aos quatro minutos, desviando de cabeça após cruzamento, com a bola ainda batendo na trave antes de entrar.
O show de passes e finalizações continuou. Aos oito minutos, Luiz Araújo, em boa jogada coletiva, finalizou com categoria para o sexto gol. O sétimo tento veio aos 13 minutos, novamente com Pedro, que demonstrou toda sua habilidade ao dar um drible elástico e tocar na saída do goleiro, completando seu hat-trick.
Mesmo com a vantagem gigantesca, o Flamengo ainda teve oportunidades de ampliar, com Luiz Araújo acertando o travessão e Pedro parando em Arcanjo. A goleada histórica foi selada aos 33 minutos, quando, após revisão do VAR, um pênalti por mão na área de Ramon foi marcado. Bruno Henrique cobrou com frieza, fechando o placar em 8 a 0, a maior goleada do Campeonato Brasileiro até o momento.
Próximos Desafios
Na 22ª rodada, o Flamengo terá outro compromisso em casa, recebendo o Grêmio no próximo domingo, novamente no Maracanã. O Vitória, por sua vez, tentará se reerguer diante de sua torcida ao receber o Atlético-MG no Barradão, no mesmo dia.
FICHA TÉCNICA
FLAMENGO 8 x 0 VITÓRIA
Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ)
Data:25/08/2025
Horário: 21 horas (de Brasília)
Árbitro: Felipe Fernandes de Lima (MG)
Assistentes: Felipe Alan Costa de Oliveira (MG) e Leonardo Henrique Pereira (MG)
VAR: Marco Aurélio Augusto Fazekas Ferreira (MG)
GOLS: Samuel Lino, a 1′ do 1ºT e 4′ do 2ºT; Pedro, aos 3′ do 1ºT e 13′ do 2ºT; Arrascaeta, aos 33′ do 1ºT; Luiz Araújo, aos 8′ do 2ºT; Bruno Henrique, aos 35′ do 2ºT (FLAMENGO)
FLAMENGO: Rossi, Varela, Léo Ortiz, Léo Pereira e Alex Sandro (Viña); Jorginho, Saúl (De la Cruz) e Arrascaeta (Carrascal); Plata (Luiz Araújo), Pedro e Samuel Lino (Bruno Henrique). Técnico: Filipe Luís
VITÓRIA: Lucas Arcanjo, Lucas Braga, Lucas Halter, Zé Marcos e Ramon; Ronald (Willian Oliveira), Pepê e Cantalapiedra (Edu); Erick (Osvaldo), Wendell (Ricardo Roller) e Renato Kayzer. Técnico: Fábio Carille
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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