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Cruzeiro vence Fortaleza e cola no G4, enquanto Leão se afunda no Z4
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O Cruzeiro conquistou uma vitória crucial neste sábado (18.10), ao bater o Fortaleza por 1 a 0 no Mineirão, em confronto válido pela 29ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro. O gol decisivo foi marcado por Christian, garantindo três pontos que impulsionam a Raposa na tabela e aumentam a pressão sobre o time cearense.
Com o resultado positivo, o Cruzeiro assume provisoriamente a terceira colocação, diminuindo a distância para o vice-líder Flamengo (58 pontos) e o líder Palmeiras (61 pontos). A equipe celeste aguarda o desfecho do clássico entre os dois primeiros colocados neste domingo, no Maracanã, com a esperança de encurtar ainda mais a diferença.
Já o Fortaleza vive um drama. A derrota mantém o Leão do Pici na 18ª posição, com apenas 24 pontos, aprofundando sua crise e a luta para escapar da zona de rebaixamento.
Detalhes do confronto
O jogo no Mineirão foi marcado por um equilíbrio de forças e muitas oportunidades para ambos os lados. O Cruzeiro abriu o placar aos 21 minutos do primeiro tempo com Christian, que recebeu assistência de Keny Arroyo e finalizou com o pé direito para o fundo das redes.
Apesar de sair atrás, o Fortaleza não se intimidou e buscou o empate incessantemente. A equipe cearense criou diversas chances, com Gazal, Marinho, Kayke, Emanuel Brítez e Lucas Sasha tentando o gol, mas esbarraram na defesa cruzeirense e na falta de pontaria. O goleiro Léo Aragão, do Cruzeiro, precisou intervir em lances como a finalização de Lucas Sasha.
A Raposa também teve suas oportunidades de ampliar, com Gabriel Barbosa e Keny Arroyo exigindo defesas do goleiro Brenno do Fortaleza, e Lucas Silva arriscando de fora da área. A partida foi intensa e com muitas interrupções, resultando em diversos cartões amarelos, principalmente para o lado do Fortaleza, que teve Gazal, Juan Lucero, Tomás Pochettino e Eros Mancuso advertidos, além de L. Villalba pelo Cruzeiro.
No segundo tempo, as equipes voltaram a buscar o ataque, mas o placar permaneceu inalterado. O Cruzeiro conseguiu segurar a pressão do Fortaleza, que fez várias substituições em busca de mais poder ofensivo, como as entradas de Kayke, Marinho e Diogo Barbosa. No entanto, a defesa celeste se manteve firme até o apito final do árbitro, selando a importante vitória por 1 a 0.
Próximos desafios
Cruzeiro
- Enfrenta o Palmeiras no domingo (26), às 20h30 (de Brasília), no Allianz Parque, pela 30ª rodada da Série A
Fortaleza
- Encara o Flamengo no próximo sábado, às 19h30, no Castelão, pela 30ª rodada da Série A
FICHA TÉCNICA
CRUZEIRO 1 x 0 FORTALEZA
- Competição: Série A do Campeonato Brasileiro
- Local: Mineirão, em Belo Horizonte (MG)
- Data: 18 de outubro de 2025 (sábado)
- Horário: 21h (de Brasília)
Cartões Amarelos:
- Cruzeiro: Lucas Villalba
- Fortaleza: Eros Mancuso, Tomás Pochettino, Lucero, Rodrigo Santos e Lucas Gazal
Arbitragem:
- Árbitro: Rodrigo Jose Pereira de Lima (PE)
- Assistentes: Victor Hugo Imazu dos Santos (PR) e Michael Stanislau (RS)
- VAR: Wagner Reway (SC)
Gol: Christian, aos 21′ do 1ºT (Cruzeiro)
CRUZEIRO: Léo Aragão; Kauã Moraes, Fabrício Bruno, Lucas Villalba e Kauã Prates (William); Lucas Romero e Lucas Silva (Carlos Eduardo); Christian (Walace), Matheus Pereira (Bolasie) e Keny Arroyo (Wanderson); Gabigol.Técnico: Leonardo Jardim
FORTALEZA: Brenno; Eros Mancuso, Emanuel Brítez, Lucas Gazal e Bruno Pacheco (Diogo Barbosa); Rodrigo Santos (Pierre) e Lucas Sasha; Tomás Pochettino (Marinho), José María Herrera (Moisés) e Breno Lopes; Lucero (Kayke Queiroz). Técnico: Martín Palermo
Fonte: Esportes
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O jogo acaba. O “nós contra eles”, não
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A Copa do Mundo está chegando ao fim justamente quando o Brasil entra na fase mais sensível de uma eleição presidencial atravessada por um país em estado de tensão. Não é apenas coincidência de calendário. É um contraste revelador. Durante algumas semanas, a camisa da Seleção cria uma identidade coletiva rara em um país profundamente dividido. O gol faz desconhecidos se abraçarem sem perguntar em quem o outro votou. A comemoração não pede carteira de filiação partidária. O canto da torcida dispensa declaração de posicionamento ideológico.
Por alguns dias, o Brasil lembra que ainda consegue compartilhar emoções antes de compartilhar convicções. A Copa não resolve nossas fraturas. Apenas decreta um breve cessar-fogo na guerra permanente em que transformamos a política. Talvez esse seja o maior constrangimento da política brasileira: um gol ainda consegue unir o que a própria política insiste em separar.
O problema é que o Brasil que reaparece depois da Copa não é um país leve. É um país desconfiado, intoxicado pela lógica do “nós contra eles” e marcado por anos de rupturas políticas. Já tivemos impeachment, prisão de ex-presidentes, uma eleição atravessada por uma facada, contestação do resultado das urnas, tentativa de golpe de Estado, entre outros fatos. Não é pouca coisa. Em menos de uma década, passamos a tratar a derrota eleitoral como uma tragédia nacional e a ruptura entre brasileiros como um efeito colateral aceitável.
A democracia brasileira não chega a 2026 apenas dividida. Chega com um número cada vez maior de brasileiros convencidos de que quem pensa diferente representa um perigo. O problema não começa quando dois lados pensam diferente. Começa quando um deles conclui que o outro perdeu o direito de pensar diferente. A partir daí convencer deixa de ser o objetivo. Basta derrotá-lo, calá-lo ou expulsá-lo do debate.
É justamente aí que a Copa encontra a política brasileira. Na Copa, o brasileiro sofre, reclama, critica o técnico, promete nunca mais assistir, mas sabe que haverá outro campeonato. A derrota dói, mas não vira certidão de óbito do país. Na eleição polarizada, acontece o oposto. O resultado deixa de ser uma alternância natural da democracia e passa a ser tratado como um apocalipse. Se o meu lado perde, acabou o Brasil. Se o outro vence, a tragédia já estava anunciada. A política brasileira parece ter encontrado no medo o seu cabo eleitoral mais eficiente. Em 2026, não basta prometer um futuro melhor. É preciso convencer o eleitor de que o futuro do outro será insuportável.
Não por acaso, pesquisas recentes mostram que a disputa presidencial já não se organiza apenas em torno da preferência do eleitor, mas também do medo da vitória do adversário. Em levantamento recente, brasileiros foram perguntados qual resultado lhes causaria maior preocupação: uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro ou a reeleição de Lula. O dado diz muito. Em vez de escolher quem parece mais capaz de conduzir o país, uma parcela do eleitorado já vota pensando em quem precisa ser impedido de governar. Quando o medo ocupa o centro da disputa, a esperança deixa de pedir voto e passa a disputar espaço com o pânico.
Talvez a maior lição da Copa seja justamente aquela que a política brasileira parece ter desaprendido: adversário não é inimigo. No futebol, ninguém propõe acabar com o time rival para conquistar o título. Pelo contrário. Sem adversário, não há jogo, não há campeonato e não há campeão. Na democracia deveria valer a mesma regra. Mas a polarização resolveu fazer uma inovação curiosa: quer preservar a democracia eliminando justamente aquilo que a torna possível, a existência de quem pensa diferente. O adversário virou ameaça, o voto virou julgamento moral e a divergência passou a ser tratada como defeito de caráter. E, quando isso acontece, a eleição deixa de escolher governantes para começar a escolher quem merece pertencer ao país.
A Copa termina, mas deixa uma provocação para a política brasileira. O campeonato acaba. A democracia, felizmente, não. Ela continua na conversa entre vizinhos, no trabalho, nas reuniões de família e em todos os lugares onde seguimos convivendo com quem votou diferente. É justamente aí que futebol e política deixam de jogar a mesma partida.
No futebol, o VAR revisa o lance e, confirmada a decisão, o jogo segue. Na política, há sempre quem queira rever o lance mais uma vez, como se um novo replay tivesse o poder de mudar um resultado já homologado, apenas porque o placar não saiu como a “torcida” esperava. No futebol, isso é apenas inconformismo. Na política, é a recusa em aceitar que o apito final também vale para as eleições. É assim que o “nós contra eles” continua sendo o único vencedor, independentemente de quem vença nas urnas.
Christiany Fonseca é Cientista Política e Doutora em Sociologia pela UFSCar
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